Então, caro leitor... Você já notou que, apesar da imensa diversidade de animais que existe no nosso país, geralmente são os bichos gringos que viram manchete por aqui? Pois, dessa vez, quem acabou virando notícia no exterior foi uma tarântula nervosa que foi flagrada petiscando uma cobra na Serra do Caverá, situada no Rio Grande do Sul.

De acordo com Stephanie Pappas, do portal Live Science, quem descobriu o banquete foram pesquisadores da Universidade de Santa Maria, que explicaram que se tratava de uma tarântula da espécie Grammostola quirogai devorando uma cobra da espécie Erythrolamprus almadensis — também conhecida pelo nome popular de jararaquinha-do-campo — medindo perto de 40 centímetros de comprimento.

Natureza impiedosa

O episódio chamou bastante a atenção mundo afora, já que as aranhas, embora sejam predadoras e normalmente se alimentem de outros animais — como aves, répteis e anfíbios pequeninos, insetos e até ratinhos —, é bastante raro encontrar aracnídeos devorando cobras na natureza. Aliás, esta é a primeira vez que uma Grammostola quirogai, espécie de tarântula que só foi descrita formalmente no ano passado, é vista se alimentando de uma cobra.

Veja com mais detalhe o tamanho da aranha!

Conforme contaram os cientistas brasileiros, eles se depararam com a “apetitosa” cena ao levantar uma pedra enquanto estudavam as tarântulas na Serra do Caverá. A cobra já se encontrava morta, e apresentava ferimentos severos na região central e anterior do corpo.

Segundo descreveram, a aranha — uma fêmea adulta mais ou menos do tamanho de uma mão — estava se alimentando dessas áreas expostas da serpente e, devido ao processo digestivo do aracnídeo, que primeiro liquefaz o corpo da presa antes de sugá-lo, essas partes da cobra se encontravam em avançado estado de decomposição. Hum, delícia...

Essa parte de aparência gelatinosa da cobra é a área liquefeita que a tarântula estava sugando quando foi encontrada

Ainda de acordo com os pesquisadores, eles suspeitam que a cobra acidentalmente se aproximou demais da “toca” da tarântula, e acabou virando comida. Essa espécie de aracnídeo é venenosa, mas, como a sua toxina não foi estudada ainda, os cientistas não sabem dizer se a substância seria suficiente para afetar a serpente.

De qualquer maneira, as Grammostola quirogai contam com presas que podem medir até dois centímetros de comprimento, portanto, podemos deduzir que a jararaquinha não teve um encontro muito agradável. O flagra aconteceu no comecinho de dezembro e inclusive acabou virando tema de uma publicação científica — que você pode conferir através deste link.