Você se lembra do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”? Lançado em 2008, o longa narra a trajetória de Benjamin, um homem que nasce com aparência de idoso, mas que, no decorrer da história, vai rejuvenescendo, rejuvenescendo, até voltar a ser um bebê. Pois você sabia que existe na natureza um animal que passa por um processo semelhante?

Esse bicho incrível é um hidrozoário pequenino da espécie Turritopsis dohrnii — embora ele estivesse classificado anteriormente como sendo da espécie Turritopsis nutricula —, também conhecido pelo nome popular de “água-viva imortal”.

"Benjamin Buttons" da natureza

O nome água-viva imortal, aliás, é bastante apropriado, visto que os T. dohrnii são capazes de reverter seu ciclo de vida, da fase adulta até a de pólipo indefinidamente, o que os torna biologicamente eternos. Eles, na verdade, apenas morrem quando adquirem alguma doença na etapa adulta ou quando são devorados por algum predador. Do contrário, esses hidrozoários ficam por aí, para sempre.

O ciclo da Turritopsis dohrnii

As águas-vivas imortais contam com apenas meio centímetro de comprimento, e esse mecanismo que permite que elas voltem à fase “bebê”, progridam novamente até a maturidade, regressem à etapa de pólipo, avancem à idade adulta e assim indefinidamente, ainda não é completamente compreendido pela Ciência. No entanto, os pesquisadores suspeitam que ele entra em ação quando as T. dohrnii são submetidas a situações de estresse.

Mecanismo curioso

Estudos sugerem que as águas-vivas parecem entrar em “modo reverso” quando sofrem algum ataque, o ambiente onde elas se encontram passa por alguma alteração drástica ou quando a falta de comida — elas se alimentam de plâncton, pequenos moluscos, ovinhos de peixe e larvas — põe suas existências em risco.

Benjamin Button da natureza

Então, em vez de simplesmente morrer, as T. dohrnii primeiro se transformam em minúsculas bolhas, depois, em cerca de três dias, elas voltam a ser pequenos pólipos. A partir daí, elas se reúnem formando uma colônia e se acomodam sobre rochas no fundo do mar. Segundo os cientistas, esses bebês águas-vivas são geneticamente idênticos às águas-vivas originais, que deram início a esse processo todo.

E os T. dohrnii não estão sozinhos, já que existem outras águas-vivas biologicamente imortais pelo mundo, como é o caso da Laodicea undulata e da Aurelia sp.1. E já que estamos no assunto de animais imortais, que tal falar de alguns incrivelmente longevos? Sabia que no mar de Ross, situado no oceano Antártico, ao sul da Nova Zelândia, foi descoberto um exemplar gigante da esponja Scolymastra joubini, cuja idade foi estimada em mais de 10 mil anos?

Olha a "imortal"

Outro velhote famoso era Hanako, uma carpa (Cyprinus carpio haematopterus) japonesa que tinha a idade estimada em mais de 220 anos quando morreu. Além disso, em 2015, uma tartaruga que vivia no Zoológico de Gizé, no Egito, faleceu aos 270 anos — o que significa que ela já era adulta quando Napoleão Bonaparte invadiu o país no século 18.