Já pensou em poder testemunhar uma trombada estelar? Pois, de acordo com Danny Lewis, do portal Smithsonian.com, astrônomos da Faculdade Calvin, situada no Michigan, previram que um desses eventos acontecerá em 2022 — isto é, dentro de apenas cinco anos — e provavelmente poderá ser visto aqui do nosso planeta.

As estrelas se encontram em um sistema estelar chamado KIC 9832227, que fica a 1,8 mil anos-luz de distância da Terra. Os sóis formam um sistema binário e já faz algum tempo que os astrônomos vêm observando os dois orbitando um cada vez mais próximo do outro. Agora, eles calcularam que essa “dança” perigosa vai resultar em um belo de um encontrão explosivo por volta do ano de 2022 — com uma margem de erro de mais ou menos um ano.

Colisão estelar

Segundo Danny, quando as duas estrelas colidirem e se fundirem em uma só, elas produzirão uma “nova”, isto é, a tal explosão estelar, e se tornarão 10 mil vezes mais brilhantes do que são agora. Mais precisamente, quando o choque acontecer, os astrônomos explicaram que a dupla de sóis vai produzir uma “nova luminosa vermelha” — caracterizada por apresentar um tom avermelhado.

Trombada prevista para 2022 dará origem a estrela superbrilhante que ficará visível durante vários meses no céu noturno

Contudo, não pense que a trombada provocará uma espécie de espetáculo semelhante à explosão de fogos de artifício — só que em dimensões estelares. Na realidade, apesar de os astrônomos previrem que o evento será visível do nosso planeta, o que nós, terráqueos, veremos no céu é o surgimento de uma estrela superbrilhante. Possivelmente, uma das mais brilhantes no céu noturno.

Aliás, se você quiser começar a treinar os olhos e descobrir de antemão onde é que esse novo ponto luminoso deverá aparecer no céu, os astrônomos explicaram que ele se tornará temporariamente visível na constelação de Cygnus — ou Cisne —, próximo a uma das “asas” formadas pelas estrelas. Veja no diagrama a seguir:

Os astrônomos acreditam que a nova estrela vai surgir no local marcado com o ponto vermelho

Não ficou impressionado com o que esperar do evento? Pois saiba que, mesmo que ele resulte ser menos grandioso do que você talvez tivesse em mente, a colisão apresentará a astrônomos de todo o mundo — amadores e profissionais — a raríssima oportunidade de acompanhar a fusão de um sistema binário, do início ao fim.

Sem precedentes

Essa é a primeira vez que um evento como esse é previsto por cientistas, e o monitoramento das estrelas começou mais ou menos em 2013, quando Larry Molnar, um dos astrônomos envolvidos na previsão, se interessou pelo sistema. Na ocasião, tudo o que ele e seu time sabiam é que os dois corpos celestes “piscavam”, e as observações começaram para determinar se se tratava de uma pulsar ou de um sistema binário.

Ilustração mostrando a órbita das estrelas

Os pesquisadores descobriram que, de fato, se trata de um sistema binário, mas as estrelas se encontram tão próximas uma da outra, que elas inclusive compartilham uma atmosfera comum. Sobre o “pisca-pisca”, os astrônomos determinaram que ele era resultado da forma como os sóis se encontram alinhados com relação à Terra — de forma que, enquanto orbitam, um passa diante do outro, provocando breves eclipses.

Agora, é esperar que os prognósticos feitas pelos astrônomos se concretizem e ver o que vai acontecer depois que as duas estrelas finalmente se tornarem uma só. O legal é que, se tudo correr dentro do previsto, nós poderemos observar uma nova estrelona no céu durante vários meses.