Se você se interessa por Astronomia e está por dentro das últimas notícias sobre esse tema, então deve estar cansado de ouvir falar a respeito de como existem milhares de astrônomos — profissionais e amadores — em todo o mundo constantemente vasculhando o céu em busca de rochas espaciais cujas trajetórias passam próximas do nosso planeta, certo?

Além disso, você também deve saber que, além desse time dedicado, agências espaciais de vários países contam com equipes focadas no monitoramento exaustivo do espaço, justamente para identificar objetos celestes que possam oferecer risco de colisão contra o nosso planeta, não é mesmo? Pois você acredita que, mesmo com essa gente toda de olho no céu, um asteroide passou raspando pela Terra — e ele quase passou despercebido?

Pertinho

De acordo com Mike Wall, do portal Space.com, o tal asteroide, catalogado com nome de 2017 AG13, passou a pouco mais de 190 mil quilômetros de nós, ou seja, o equivalente à metade da distância que existe entre a Terra e a Lua — o que, em termos astronômicos, é extremamente perto. Isso aconteceu na segunda-feira, dia 9 de janeiro, pela manhã, e o mais assustador é que ninguém sabia de sua existência e a aproximação do objeto só foi detectada no sábado.

O 2017 AG13 passou raspando por nós e ninguém sequer sabia que ele existia

Por sorte, apesar de passar raspando por nós, a rota do asteroide não coincidia exatamente com o meio do nosso planeta. Além disso, outro fator de sorte é que a rocha não era gigantesca e, portanto, mesmo que estivesse em rota de colisão com a Terra, ela não provocaria nenhum evento cataclísmico.

Os astrônomos que descobriram o asteroide estimaram que ele tinha entre 11 e quase 34 metros de comprimento — ou algo equivalente a um prédio de 10 andares —, e que ele passou por nós a cerca de 58 mil quilômetros por hora. Também de acordo com os cientistas, a rocha espacial tem uma órbita elíptica ao redor do Sol e, nessa última passagem sua pelas nossas redondezas, ele cruzou o caminho com a Terra e com Vênus. Veja:

Vale lembrar que em setembro do ano passado, outro asteroide — o 2016 QA2, medindo 35 metros — também passou pertinho de nós, a míseros 100 mil quilômetros de distância, e só foi detectado na véspera de sua aproximação.

E se...

Mas, e se, em vez de passar batido por nós, o asteroide tivesse batido em nós? Segundo os astrônomos, rochas espaciais com dimensões semelhantes e até maiores do que as do 2017 AG13 explodiriam na atmosfera terrestre, a cerca de 16 quilômetros da superfície do nosso planeta. No entanto, isso não significa que o evento não causaria nenhum dano!

Imagem registrada da explosão sobre Chelyabinsk

Caso você não se recorde direito, a rocha espacial que explodiu sobre a região de Chelyabinsk, na Rússia, em fevereiro de 2013, media aproximadamente 20 metros e se desintegrou a cerca de 19 quilômetros da superfície. O evento liberou uma quantidade de energia 30 vezes superior à liberada pela bomba de Hiroshima, provocou ondas de choque que estraçalharam janelas em seis cidades diferentes e mandou 1,5 mil pessoas para o hospital.

Assim, pode ser que o asteroide de segunda-feira não representasse o mesmo risco daquele que causou a extinção dos dinossauros. No entanto, se ele colidisse conosco, dependendo da região em que explodisse na atmosfera, ele causaria estragos sim. Já pensou?!