Como você sabe, na semana passada ocorreu um eclipse total do Sol que, infelizmente, não foi visível aqui no Brasil. Hoje em dia, esses fenômenos não causam muito espanto — talvez um pouco de ciúmes com respeito a quem pode observar um deles acontecendo —, mas, no passado, quando muitas culturas não compreendiam o que provocava esses eventos celestes, o escurecimento gradual do nosso astro rei muitas vezes era motivo para pânico.

Segundo Mindy Weisberger, do portal Live Science, a palavra eclipse tem sua origem no termo grego ekleipsis — que significa “abandono” — e está relacionada com a ideia de que o Sol abandonava a Terra e a deixava na escuridão. Assim, esses eventos costumavam ser considerados prenúncios de calamidades e desastres, e muitos povos associavam os fenômenos à atividade de deuses — e demônios! Confira algumas crenças curiosas a seguir:

1 – Antiga Mesopotâmia

De acordo com os registros históricos, na época da Antiga Mesopotâmia, os eclipses serviam como previsão da morte iminente de monarcas poderosos. Além disso, a população acreditava que esses eventos antecipavam a vinda do deus Ramman — divindade da tormenta —, que era responsável por trazer enchentes que afetariam a produção de alimentos.

2 – Índia

Existe uma interessante passagem sobre os eclipses solares em um antigo poema indiano chamado “Mahabharata”. Nela, o demônio Rahu acaba sendo decapitado pelo deus Vishnu depois de o Sol contar a ele que a entidade havia bebido uma poção para conquistar a imortalidade.

Nervoso com o “dedo-duro”, Rahu persegue o astro e o devora! Mas a vingança é apenas temporária — já que é apenas uma questão de tempo até que o Sol passe pela garganta do demônio e seu pescoço decepado e volte a aparecer.

3 – Aborígenes

Na Austrália, os aborígenes tinham o que podemos chamar de uma atitude mais proativa com respeito aos eclipses. Isso porque, embora eles fossem vistos como eventos negativos — sendo associados com maus presságios doenças, magia negra, sangue e morte —, os anciãos e curandeiros tentavam reverter os efeitos negativos através de rituais que envolviam atirar objetos sagrados em direção ao Sol e entoar canções e cânticos.

4 – Vikings

De acordo com a mitologia nórdica, os vikings acreditavam que os eclipses eram provocados por um lobo celeste chamado Sköll — filho de Fenrir e cujo nome pode ser traduzido como repulsa — que engolia o Sol. E quando essa criatura surgia e começava a sua “refeição”, a população tentava espantá-la fazendo a maior quantidade possível de barulho, para que ela largasse o astro e fosse embora.

5 – Maias

De acordo com os historiadores, existem glifos maias sugerindo que esse povo acreditava que os eclipses eram provocados por uma serpente gigante que temporariamente engolia o Sol — fazendo a escuridão reinar no céu.

6 – Astecas

No século 16, um frade espanhol chamado Bernardino de Sahagún — que atuava como missionário na região central do México — presenciou um grande tumulto quando a população testemunhou a ocorrência de um desses fenômenos.

Segundo os relatos do religioso, as pessoas gritavam apavoradas e a desordem reinou durante o fenômeno. Ele também contou que os azarados que tinham a pele mais clara do que os demais eram oferecidos como sacrifício aos deuses e que os astecas acreditavam que, se o eclipse fosse completo, a luz nunca mais voltaria. Com isso, os demônios da escuridão viriam à Terra e devorariam os homens.

Mais lendas curiosas

  • Os chineses e os armênios associavam os eclipses com a ação de dragões que engoliam o Sol;
  • Para os húngaros, esses eventos eram obra de um pássaro gigante;
  • No Vietnã, quem devora o Sol é um sapo;
  • Já os iugoslavos creditavam o sumiço do Sol a um terrível lobisomem chamado Vukodlak;

  • Os tártaros que ocupavam a parte leste da Sibéria culpavam um vampiro — que havia tentado engolir o astro, mas acabou queimando a língua, devolvendo o Sol à população;
  • Antigamente, acreditava-se na Coreia que os eclipses eram obra do rei da Terra da Escuridão, que mandava seus cães de fogo para roubar o Sol;
  • Para o povo Batammaliba, que vive no Togo e em Benin, na África, os eclipses acontecem quando o Sol e a Lua brigam no céu, portanto, nessas ocasiões, a população não só encoraja os dois astros a deixar suas contendas de lado, como aproveitam para se reunir e resolver os problemas que eles tenham entre si!

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