Diversos animais possuem o poder quase sobrenatural de se locomover e de viajar pelo mundo com base no campo magnético da Terra – como certos pássaros, tartarugas, morcegos, entre outros bichos e insetos. Apesar de muitos pensarem que essas habilidades são exclusivas de determinados animais, alguns cientistas já dizem que nós, humanos, possuímos as mesmas proteínas de sensores magnéticos em nossos olhos que são encontradas em outras espécies de animais. Contudo, não é claro como nós utilizamos essas proteínas.

Os animais são capazes de sentir o campo magnético através de diversos fatores, porém principalmente graças à proteína ocular cryptochrome, capaz de utilizar as menores variações nos graus de luminosidade para detectar diferenças geomagnéticas. Pássaros migratórios, por exemplo, se guiam em suas viagens através desse recurso natural (um verdadeiro GPS biológico). Aparentemente, nós humanos também possuímos doses de cryptochrome em nossos olhos.

Um GPS instalado nos próprios olhos

É claro que, se as constatações realmente são verdadeiras, muitas pessoas podem perguntar por que não fazemos uso desse recurso natural. O fato é que apesar de o cryptochromeestar presente no organismo, os cientistas não sabem como é seu funcionamento exato. O professor Steven M. Reppert realizou alguns estudos para comprovar que nós possuímos o mesmo tipo de cryptochrome do que outros insetos e animais.

De acordo com ele, se você anular as proteínas responsáveis pelo sensor magnético de borboletas, por exemplo, e substituir pela composição do olho humano, os insetos serão capazes de se locomover do mesmo jeito com base em sensores geomagnéticos restaurados. E as borboletas também utilizam o cryptochrome para se orientar.

As descobertas de Reppert infelizmente não provam que nós possuímos habilidades sensoriais magnéticas desconhecidas, porém que nós temos as mesmas proteínas responsáveis por localização e locomoção em campos magnéticos em nossos próprios olhos. Pelo menos, isso já é alguma coisa. Anteriormente, os cientistas acreditavam que as proteínas cryptochrome eram responsáveis exclusivamente pela manutenção dos ritmos circadianos (o ciclo biológico de todos os seres vivos, influenciado por fatores como luz, marés, ventos, luz e noite).