Pode até parecer coisa de filme, mas, no início do século passado, um russo queria criar seres híbridos de humanos com chimpanzés. Daria um bicho interessante, não é mesmo? Um “humanzé”. Mas, brincar de Deus, naquela época, era bem mais difícil do que hoje. Além de poucos recursos de estudo, o russo, chamado Ilya Ivanov, também foi alvo de polêmica.

Ilya Ivanov foi um cientista russo que ganhou destaque no início de 1900, quando teve a ideia do cruzamento bizarro. Fontes históricas dizem que Ilya começou sua carreira tentando provar a evolução para o bem da União Soviética.

No entanto, com o passar do tempo, ficou claro que a paixão de Ilya por esta experiência maluca ia muito além de provar a justiça a sua nação. Na verdade, ele se tornou cada vez obcecado com a ideia, fazendo várias tentativas na sua busca para conseguir um híbrido de homem com chimpanzé.

Experiências

Na primeira empreitada, Ilya viajou o mundo, tentando encontrar alguém que concordasse em doar esperma para inseminar as fêmeas de chimpanzé. Porém, ninguém concordou em realizar tal coisa. Então, ele decidiu que ele mesmo faria a doação do esperma, e conseguiu 13 chimpanzés para o experimento na Guiné Francesa.

De uma forma de inseminação artificial, ele tentou o cruzamento com duas fêmeas, mas a experiência falhou e elas não engravidaram. Como na primeira experiência, os animais também estavam um pouco inquietos, ele resolveu usar sedação em outra fêmea e tentar de novo, mas não teve sucesso.

Em desespero, Ilya apelou ao governador local para ver se ele poderia ser autorizado a tentar inseminação em pacientes hospitalares com esperma de chimpanzé sem que eles soubessem, para o bem da ciência, é claro.

Obviamente, Ilya foi impedido de realizar o seu plano e mais uma tentativa de criar um mutante “humanzé” se desfez. Mas, como qualquer pessoa com um sonho, ele não deixou que isso o desanimasse, partindo logo para novas ideias.

Persistência

Porém, desde que a sua primeira experiência vazou para a imprensa, ele passou a ser alvo de críticas e muitas pessoas que, de uma forma ou de outra, possam ter financiado os seus estudos, passaram a se desligar pela má publicidade que ele gerou.

No entanto, Nikolai Petrovich Gorbunov, chefe do Departamento de Instituições Científicas, ficou interessado no projeto e anunciou seu apoio aos estudos de Ilya. Então, novamente, o cientista decidiu tentar mais um experimento, que consistia em inseminar uma mulher com esperma animal. Mas, desta vez, o doador era um orangotango chamado Tarzan.

A mulher em questão nunca teve a identidade revelada, pois escreveu uma carta para Ilya pedindo para tentar o experimento nela, alegando que a sua vida estava acabada por outros motivos.

No entanto, antes que ele pudesse conceder o pedido da mulher e levá-la ao seu laboratório, o orangotango morreu e era o único macho maduro entre os animais que Ilya detinha.

E antes que ele pudesse pensar na possibilidade de tentar novamente com o esperma de outro animal, Ivanov virou alvo de criticas políticas em seu instituto veterinário. Com isso, o governo da União Soviética decidiu que já era o suficiente e mandou-o para o exílio. Ele morreu pouco tempo depois sem ter o seu sonho realizado.