Não tem como negar: algumas pessoas parecem ter uma espécie de ímã que as faz atrair todas as atenções. Em um jantar, por exemplo, é aquele convidado que se torna o centro das atenções, que fala com todos os presentes sobre qualquer assunto e que parece ser dono de uma simpatia arrebatadora.

O fato é que poucas características são tão eficientes na hora de ser o centro das atenções quanto carisma e charme – lembrando o óbvio: charme não tem nada ver com fazer ou não parte de um estereótipo de beleza, que fique claro. A pessoa que detém esses dois fatores consegue fazer com que as outras pessoas se encantem por ela apenas pelo uso de algumas palavras e gestos.

Ainda que sua ideia não seja ser o centro das atenções, talvez seja interessante conhecer a forma como essas pessoas agem, especialmente se você se considera uma pessoa sem muito traquejo social.

Segredinho

A primeira coisa que você precisa saber é que carisma não é um dom inato, algo que ou uma pessoa tem desde que nasceu ou nunca terá. O que se sabe, no entanto, é que algumas pessoas, na hora da interação social, têm uma área cerebral ativada que as deixa em estado de hipervigilância, como se algo muito ruim estivesse prestes a acontecer.

Ainda assim, Dr. Brian Marien, do Positive Group, nos lembra que seres humanos são animais sociais: “A amígdala, situada em uma parte primitiva do cérebro, é especialmente projetada para acessar, monitorar e avaliar outros seres humanos. Discernir quem é amigo ou inimigo. Mostrar de quem podemos ser amigos, confiar ou desconfiar, o que é uma habilidade de sobrevivência inestimável para um animal social”, explicou ele ao The Independent.

“Se a amígdala recebe uma série de mensagens positivas, incluindo expressão facial, linguagem corporal, tom da voz, palavras e ações, ela inicia um circuito neural ‘seguro’ e desliga seu ‘sistema de segurança nacional’, e o indivíduo começa a relaxar”, completou.

Rede

De acordo com Marien, o circuito neural que envolve a ativação da amígdala é uma espécie de WiFi social que funciona por meio de um “loop aberto”, que faz com que a amígdala fique constantemente monitorando informações relevantes.

É essa rede de WiFi que prejudica aqueles que não têm traquejo social, uma vez que esse tipo de pessoa entra em pânico quando sua “rede” recebe várias informações sociais cruzadas ao mesmo tempo.

A essas pessoas, o exercício sugerido é o de observar as habilidades de quem é carismático – para a psicóloga Marianne Vicelich, a diferença de quem não entra em pânico nessas horas de interação social é o fato de que essas pessoas estão presentes e dedicam 100% de sua atenção ao momento atual.

Presta atenção!

O carismático dá toda a atenção possível à pessoa com quem fala, buscando não apenas ouvir o que alguém diz a ele, mas tentando entender por que aquilo está sendo dito. Basicamente, a ideia é escutar o que a outra pessoa tem a dizer sem, ao mesmo tempo, já se preocupar com qual será a sua resposta.

O segredo é buscar se sentir confortável consigo mesmo e manter isso. Para Vicelich, isso é possível a partir do momento em que você não tenta ser outra pessoa: “seja otimista e não fale sobre seus problemas. Todos temos problemas, mas apenas falamos sobre eles com familiares e amigos muito próximos, não em ocasiões sociais”, ela comenta.

A lógica é simples de entender: falar de problemas é uma maneira de se manter estressado, não carismático. “Quando você finalmente encontra alguém que faz um esforço para entender você, você sente um grande apreço por essa pessoa. Esse é o poder de presença, e é importante alavancar isso todos os dias se você quiser cultivar carisma”.

 É preciso saber ouvir

É basicamente por essa mesma lógica que pessoas consideram extremamente rude quando alguém com quem estão conversando pega o celular e fica conferindo atualizações nas redes sociais, por exemplo – cof, cof.

Pessoas carismáticas ouvem atentamente o que os outros falam e podem dizer se a pessoa com quem estão conversando está realmente interessada e prestando atenção. Por isso é bacana demonstrar interesse através de linguagem corporal, com expressões faciais e tons de voz variáveis – a amígdala é capaz de interpretar esses sinais.

“Mostre um interesse genuíno e autêntico, que ajude a fazer com que a outra pessoa se sinta valorizada e mais inclinada a se comunicar”, aconselha a especialista.

O negócio é observar

Se você quer entender ainda melhor a realidade da pessoa com quem está conversando, busque informações mais profundas durante a conversa – sem, é claro, parecer invasivo. Note também como a outra pessoa reage ao papo, tanto verbalmente quanto não verbalmente.

Pessoas carismáticas não são aquelas que têm belos sorrisos, apenas, mas sim as que demonstram interesse sempre que conversam com alguém. Tenha em mente que seres humanos são criaturas comunicativas e que têm a necessidade de falar sempre que alguém está disposto a ouvir. Sabendo disso, entenda também que seu carisma pode não vir logo na primeira conversa com alguém, até porque isso é questão de prática mesmo. O negócio é se manter firme e não desistir.