Como se tornar um grande contador de histórias?

Entenda o que acontece no cérebro quando ouvimos uma bela narrativa e confira algumas dicas para melhorar as suas habilidades.

(Fonte da imagem: Thinkstock)

Já aconteceu de você contar um fato curioso a um amigo e, depois de vários dias, ouvir esse mesmo amigo contar a sua história como se tivesse sido uma ideia ou experiência dele? De acordo com Leo Widrich, que escreveu um interessante artigo sobre esse tema, isso ocorre porque todos nós gostamos de ouvir boas histórias, e normalmente nos lembramos mais facilmente de fatos que nos foram contados de uma forma interessante.

Segundo Widrich, nós nos sentimos atraídos por boas narrativas — sejam estas um fato interessante contado por algum amigo, um bom livro ou filme —, e existe uma razão científica para que nos recordemos melhor de coisas que nos foram ensinadas através de uma anedota ou conto.

O cérebro e os contos

Imagine, por exemplo, uma daquelas aulas intermináveis — e chatas — montadas no PowerPoint. Quando acompanhamos uma apresentação desse tipo, todos aqueles marcadores e listas que nos transmitem informações ativam as regiões do cérebro responsáveis por processar o que estamos lendo e transformar esses dados em significado.

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Entretanto, quando uma nova informação nos é passada na forma de uma boa narrativa, além das regiões do cérebro que processam a linguagem, outras áreas, que seriam ativadas caso estivéssemos vivendo a experiência que nos está sendo contada, também entram em atividade — fica a dica para os professores que adoram dar aquelas aulas sonolentas!

Conexão cerebral

Uma boa narrativa tem o poder de despertar todo o cérebro. Assim, quando alguém descreve o sabor de alguma comida exótica, por exemplo, a área do cérebro responsável por gerar respostas sensoriais se torna ativa. O mesmo ocorre quando ouvimos a descrição de algum movimento, ou seja, a região cerebral responsável pelas respostas motoras entra em ação.

E mais: segundo o artigo, ao contar — ou ouvir — uma boa história, ocorre uma espécie de sincronização, uma conexão cerebral durante a qual a pessoa contando a narrativa e a que está ouvindo começam a apresentar o mesmo tipo de atividade cerebral. Assim, as mesmas experiências descritas por um indivíduo podem, de certa forma, serem experimentadas pelo que está atento à narrativa.

Semeando ideias

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É aqui que as coisas começam a ficar mais interessantes! Sabemos que é possível despertar várias áreas do cérebro quando ouvimos uma boa narrativa, e que ficamos mais interessados em informações que nos são transmitidas na forma de uma boa história. Mas por que isso acontece?

Uma história nada mais é do que uma sequência de eventos, e o interessante é que o nosso cérebro trabalha exatamente dessa forma, criando pequenas histórias para processar cada conversa, ação ou experiência que tivemos durante o dia. Assim, cada vez que ouvimos algo novo, tentamos relacionar essa informação com uma de nossas experiências pessoais.

Essa relação entre experiências faz com que fique mais fácil nos lembrarmos de informações que aprendemos — e de misturá-las com as nossas próprias memórias —, e é ela também que nos permite semear ideias, emoções e pensamentos nas mentes das pessoas (como no caso do seu amigo, que repetiu a sua história).

E como tirar vantagem de tudo isso?

Quando você quiser que alguém concorde com algum projeto seu, crie uma narrativa interessante e inclua o seu plano nela. Essa é a melhor forma de fazer com que os demais ouçam a sua ideia e a adotem como sendo deles. Em resumo, você pode usar essa técnica para plantar ideias na mente de outras pessoas.

Além disso, quando você tiver que escrever uma narrativa, seja mais persuasivo, incluindo no contexto algumas experiências pessoais. Mas, se você se sente inseguro de fazer isso, então faça citações e adicione trechos escritos por pessoas famosas e mais experientes. Além de fazer bonito, você também estará agregando mais credibilidade ao seu texto.

Simplicidade sempre

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Outra dica importante é manter a narrativa simples. Textos menos complicados e mais acessíveis são muito mais eficientes do que aqueles que abusam de palavras rebuscadas, construções complexas, detalhes desnecessários e excessos. É muito mais provável que alguém se lembre de uma história fácil do que de uma que contenha uma lista de palavras difíceis e que ninguém entende muito bem o significado.

E não se esqueça de que o nosso cérebro aprendeu a ignorar algumas frases e palavras usadas com muita frequência. Então, se queremos que os nossos interlocutores relacionem as suas próprias experiências com as que estamos contando, é melhor considerar essa questão antes de começar.

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