Quantas vezes você saiu de casa com os seus cadarços devidamente amarrados e, depois de perambular por aí, acabou descobrindo os danados soltos — e prontinhos para serem pisados e fazerem você levar o maior tombo! E você alguma vez se perguntou como é que eles fazem para se desamarrarem sozinhos? Teriam os cordões dos nossos calçados vida própria? Seriam eles sujeitos a algum tipo de força sobrenatural? Seria algum tipo de bruxaria? Que nada!

Bruxaria mesmo!

De acordo com Kate Horowitz, do site Mental_Floss, engenheiros mecânicos da Universidade de Berkeley, nos EUA, intrigados com essa curiosa característica inata dos cadarços resolveram investigar o que, afinal, acontece com os cordões — e não é que eles descobriram! A curiosidade do time inclusive rendeu um estudo que foi publicado no Proceedings of the Royal Academy A (confira através de link).

Estudo sério

Para solucionar o mistério, os engenheiros realizaram seus experimentos analisando os dois laços clássicos: aquele que consiste em fazer dois arcos com os cordões e dar um nó (o bom e velho “orelhas de coelho”), e aquele no qual fazemos um arco com um cadarço e realizamos uma laçada com o outro. Básico.

Arco e laçada — mas feito like a boss!

Os cientistas montaram uma câmera de precisão em uma esteira e botaram Christine Gregg, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, para correr. Ao conferir as imagens e analisar a física das passadas da colega, os engenheiros identificaram que o impacto dos pés de Christine na esteira — equivalente a sete vezes a força da gravidade — fazia com que os nós dos cadarços fossem sendo esticados e empurrados durante o movimento.

Os cientistas levaram a coisa toda bem a sério

Ademais, além desse estica e puxa dos nós, os engenheiros também notaram que o “chicotear” dos cadarços provocados pelo movimento dos pés de Christine também contribuía para ir soltando os laços. Confira no vídeo a seguir:

O mesmo experimento foi repetido com máquinas que simulavam o movimento dos pés, e os engenheiros concluíram que é necessário que as duas forças — a do impacto na base do nó e o chicotear dos laços — ajam simultaneamente para que os cadarços se desamarrem sozinhos. Os pesquisadores também concluíram que, embora as duas modalidades de nó sejam propensas a se soltar, o realizado no estilo “orelhas de coelho” demonstrou ser mais seguro durante os testes.

Mais experimentos

Agora você deve estar se perguntando o motivo de os engenheiros terem se dado ao trabalho de ficar fazendo experimentos para descobrir o porquê de os cadarços se desamarrarem sozinhos, certo? Pois não pense que esse trabalho todo não serviu de nada!

O mecanismo pode ter outras aplicações

Segundo os cientistas, uma vez o mecanismo envolvido na “desamarração” é compreendido, esse conhecimento pode ser aplicado em outras questões, por exemplo, como entender a razão do DNA e outras microestruturas falharem quando submetidos a forças dinâmicas.

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