Através do telescópio espacial Kepler, a NASA já foi capaz de identificar alguns planetas possivelmente habitáveis. Mas eventualmente havia uma característica ou outra que poderia diminuir as chances de encontrarmos vida fora da Terra. Porém, ontem (17) a agência espacial divulgou a notícia de que o telescópio encontrou um planeta muito semelhante à Terra.

A NASA revelou que o Kepler-186f é o primeiro planeta confirmado a ter o tamanho da Terra e estar localizado na zona habitável de outra estrela. Isso significa que o novo astro tem o tamanho ideal e a distância certa de seu sol para que ele possa apresentar características similares às de nosso planeta – ou seja, uma composição rochosa e água em estado líquido na superfície.

Um primo da Terra

Essa descoberta é resultado da análise de dados que foram coletados pelo Kepler entre março de 2009 e maio de 2013. Nesse período, os outros planetas descobertos eram muito grandes (o que seria um indício de sua composição gasosa) ou estavam perto ou longe demais da estrela mais próxima (o que dificultaria a existência de água na superfície).

Ainda, os planetas anteriormente encontrados em zonas habitáveis eram 40% maiores do que a Terra. Por outro lado, o Kepler-186f tem uma diferença de apenas 10% com o nosso planeta. Além disso, os cientistas já sabem que o astro leva 130 dias para completar a órbita em torno de sua estrela e recebe um terço a menos de luz do que a Terra.

Os pesquisadores também observaram que o Kepler-186f orbita uma estrela anã-vermelha, que é menor, mais fria e menos brilhante do que o sol. Ainda, sabe-se que o novo planeta – que, por causa das diferenças, está sendo considerado mais um primo do que um irmão gêmeo da Terra – está a 500 anos-luz de distância.

Novas investigações

“Estar na zona habitável não significa que o planeta é habitável. A temperatura no planeta depende muito do tipo de atmosfera que ele tem”, explica Thomas Barclay, pesquisador do Bay Area Environmental Research Institute.

Contudo, a atmosfera do Kepler-186f ainda é desconhecida. O telescópio espacial não possui tecnologia suficiente para detectar se as condições atmosféricas são ideais para a presença de água e para que as temperaturas sejam toleráveis para haver vida da maneira que conhecemos. Uma análise mais detalhada do astro será feita pelo telescópio espacial James Webb, que deve ser colocado em órbita em 2018.

“A revelação do Kepler-186f é um passo significante em direção à descoberta de outros planetas como a Terra. Futuras missões da NASA (...) descobrirão os exoplanetas rochosos mais próximos e determinarão sua composição e as condições atmosféricas, dando continuidade à busca da humanidade por outros mundos como a Terra”, comenta Paul Hertz, diretor da divisão de astrofísica da sede da NASA em Washigton.