O espaço, a fronteira final. Poucas coisas despertam tanto a curiosidade do ser humano quanto os mistérios do Universo. A partir de meados do século 20, o homem iniciou uma série de estudos e pesquisas sobre a área de dimensões que beiram (ou são) o infinito ao redor de nosso pequeno planeta azul. Muita coisa foi descoberta e um número muito maior de novas questões foi criado.

Sempre que olhamos para cima em uma noite de céu limpo, fazemos as mesmas perguntas: o que existe lá? O que ocupa todo esse espaço imenso que nos circunda? Que tipos de objetos ou seres podem existir por aí sem que tenhamos a menor ideia? As respostas para esses questionamentos ainda estão muito longe de serem encontradas, mas os cientistas já foram capazes de descobrir uma porção de coisas interessantes ou curiosas que pairam no vazio não tão vazio do Universo.

A seguir, listamos 10 coisas interessantes que podemos ou poderíamos encontrar no espaço, tanto naturais quanto itens que nós mesmos acabamos deixando escapar da Terra. Confira a seguir a curiosa relação:

1. A Estrela da Morte

Vamos com calma. Antes de vocês pensarem que estamos falando da poderosa Estrela da Morte da saga Star Wars, lembre-se que aquilo aconteceu em uma galáxia muito, muito distante, mas há muito tempo atrás. A Estrela da Morte da qual tratamos aqui é uma “estrela zumbi”, um enorme astro que morreu e tornou-se, segundo o Limite de Chandrasekhar, uma anã branca.

Conhecida oficialmente como WD1145+017, a estrela morta fica na direção da constelação de Virgem e atingiu um nível altíssimo de gravidade que está matando tudo ao seu redor: sugando planetas, satélites e outros objetos que passam perto. Isso acontece pois as estrelas são grandes bolas de energia que transformam ininterruptamente hidrogênio em hélio através do processo de fusão nuclear. Quando esse combustível de hidrogênio acaba, a estrela se expande, tornando-se uma gigante vermelha.

Dependendo do tamanho da estrela, ela começa a produzir carbono até o hélio esgotar, diminuindo de tamanho e tornando-se uma anã branca, um astro de volume pequeno e massa gigante. Essa relação faz com que sua gravidade seja altíssima e passe a atrair toda a massa que estiver perto para ela. Esse é o mesmo processo de criação de um buraco negro, porém a partir das maiores estrelas possíveis no Universo.

2. Uma tampa de uma cápsula de testes

Oficialmente, o Sputnik 1 é considerado o primeiro objeto feito por mãos humanas que entrou em órbita no planeta Terra. O satélite foi lançado dia 4 de outubro de 1957 pelos soviéticos e circundou a Terra por três meses antes de cair. Mas os fãs de teorias da conspiração afirmam veementemente que um outro item conseguiu vencer a gravidade terrestre e sair para o espaço dois meses antes do Sputnik: uma tampa de uma cápsula de testes que serviria para armazenar armas nucleares debaixo da terra.

Acontece que durante os testes, o que deveria ser uma explosão controlada foi muito maior do que o esperado. Toda a potência do explosivo foi canalizada por um túnel que levava até a superfície e arrancou a tampa de metal que cobria a passagem. O objeto foi disparado para o alto com uma força calculada seis vezes maior do que o necessário para vencer a gravidade terrestre.

Onde está essa tampa? Ninguém sabe, ninguém viu. Alguns acreditam que ela foi pulverizada ao atravessar a atmosfera do planeta, outros acham que o objeto sequer saiu de órbita, tendo caído e se perdido em algum lugar da própria terra. Já os menos céticos pensam que essa tampa está vagando pelo espaço carregando o orgulhoso título de primeiro objeto artificial a sair da Terra.

3. Bolinhas de golfe

A publicidade chegou ao espaço e levou bolas de golfe com ela. Foi o que aconteceu na ISS, a Estação Espacial Internacional, no ano de 2006, quando um comercial de uma empresa canadense de golfe levou o cosmonauta Mikhail Tyurin lançar as pequenas bolinhas brancas em direção à Terra. O pior? O cientista errou a tacada, mesmo com seu alvo sendo “apenas” o planeta inteiro!

Seja como for, a bolinha certamente foi atraída para cá pela gravidade e foi pulverizada na entrada da atmosfera terrestre. Antes do cosmonauta russo, o astronauta Alan Shepard, membro da expedição Apolo 14, também disparou algumas bolas em uma atividade em solo lunar. Todas elas ficaram para trás quando a equipe retornou para nosso planeta e caso nenhum homenzinho verde as tenha recuperado, continuam perdidas na distante desolação da Lua.

4. Álcool

Cientistas foram capazes de descobrir gigantescas nuvens de álcool na nossa galáxia, mesmo com a ironia dela se chamar Via Láctea, ou “caminho de leite”, para a alegria dos bebuns. A quantidade calculada dessa substância nesses locais de acúmulo é equivalente ao álcool de 4 x 1026 pints de cerveja, aqueles copos grandes servidos em pubs. Isso equivale a 400 setilhões de doses, ou para entender melhor ainda, 400.000.000.000.000.000.000.000.000 pints de suco de cevada. Tá bom ou quer mais?

Esse álcool todo no espaço deixa os cientistas muitos animados, mas não pela possibilidade de consumi-lo, e sim por ele ser um composto orgânico que carrega os materiais básicos para sustentar a criação de vida. Essas nuvens são encontradas próximas a locais chamados “berçários de estrelas” e podem nos contar mais sobre como nosso Universo e tudo que há nele surgiu há bilhões e bilhões de anos.

5. Um museu

Não é novidade que o ser humano tenta enviar para o espaço todo tipo de produção humana, especialmente artística, com a esperança de que possa ser interceptada por alguém ou algo em algum ponto remoto do Universo, como foi feito com a Voyager, que levou para longe da Terra uma série de imagens, composições musicais e outras obras de arte.

A história do Museu da Lua segue essa mesma ideia, apesar de ninguém até hoje ter confirmado se tudo não passou de um boato. Conta-se que uma missão secreta para levar seis pequenas obras de artistas gravadas em uma placa cerâmica teria acontecido em paralelo com os trabalhos da Apolo 12. Segundo foi possível apurar, 15 ou 19 desses chips foram feitos e um teria viajado a bordo do módulo lunar da Apolo 12 e hoje estaria repousando na superfície lunar.

Os artistas que criaram as obras foram Andy Warhol, Robert Rauschenberg, David Novros, John Chamberlain, Claes Oldenburg e Forrest Myers. Myers inclusive chegou a declarar que um cientista chamado Fred Waldhauer teria criado a peça, encolhendo os desenhos e imprimindo-os na minúscula placa cerâmica. Um dos engenheiros da missão teria colocado o objeto na Apolo 12 e confirmado o sucesso da missão através de um telegrama.

Imagem real de uma das placas com os desenhos dos artistas

6. Uma nuvem de planetinhas

A nuvem de Oort, também chamada de nuvem de Öpik-Oort, seria uma nuvem esférica de pequeninos planetas voláteis que se localizaria a cerca de um ano-luz do Sol. Isso significa que ela estaria a aproximadamente um quarto da distância da Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol.

Acredita-se que a nuvem de Oort, que recebe o seu nome graças ao astrônomo holandês Jan Oort, compreenda duas regiões distintas: uma parte externa esférica e uma parte interna em forma de disco, ou nuvem de Hills. Os objetos da nuvem de Oort seriam compostos principalmente por materiais voláteis como gelo, amônia e metano.

A coisa mais curiosa que envolve a nuvem de Oort é que ela só existe na teoria. Cientistas bolaram essa ideia para justificar a origem de todos os cometas de longo período, como o Halley, que penetram nosso Sistema Solar e saem dele periodicamente. É muito provável que com a tecnologia de observação espacial avançada de hoje em dia, poderemos visualizar se essa nuvem realmente existe muito em breve.

7. Relâmpagos

Tempestades de todos os tipos podem surgir em praticamente todos os pontos do Universo, começando, por exemplo, pela tormenta eterna que assola um ponto de Júpiter, naquele exato ponto que se parece uma grande mancha no planeta. Assim, foi possível detectar a maior descarga elétrica já realizada em um ponto que fica a 2 bilhões de anos-luz da Terra.

Esse tipo de tempestade de relâmpagos pode acontecer em lugares em torno de buracos negros, pois seus campos magnéticos permitem a manifestação de cargas elétricas gigantescas.

A tempestade que gerou um relâmpago equivalente a um trilhão de raios terrestres chega a ter uma extensão de aproximadamente 150 mil anos-luz, um comprimento maior do que a própria Via Láctea. A eletricidade gerada nesse campo seria capaz de alimentar todas as cidades da Terra por mais de um milênio, mas provavelmente fritaria todos os sistemas elétricos em menos de um segundo.

8. Uma roupa espacial funcionando como satélite

A falta do que fazer no espaço pode criar ideias bem curiosas. Um grupo de astronautas da Estação Espacial Internacional teve um tempinho livre de suas pesquisas e estudos e resolveu dar uma função interessante para um antigo traje de astronauta: queriam transformá-lo em um satélite.

A roupa, que custa uns bons milhões de dólares para a NASA, foi adaptada e munida de alguns sensores e transmissores para emitir um sinal de rádio com saudações em cinco idiomas diferentes. Batizado como SuitSat (e apelidado de Mr. Smith pelos americanos e Ivan Ivanovich pelos russos), o traje foi lançado da ISS em 2006, mas após três horas de transmissão, desapareceu. Ninguém sabe se foi destruído na atmosfera ou se hoje vive bem e tranquilo em algum planeta próximo. Mistério!

9. Xixi

Sem dúvida, o xixi mais caro do mundo é o feito no espaço. Independente da maneira utilizada para se livrar da urina dos astronautas, é sempre alguma opção muito cara. Existe o banheiro de US$ 50 mil, cerca de R$ 200 mil, que através da sucção e uma trava de ar lança o xixi da pessoa para o espaço. Modelos mais recentes de traje espacial filtram e transformam a urina em água potável, mas a um custo também caríssimo.

Antigamente, tudo era mais custoso ainda: além do processo de fazer xixi no vácuo exigir um treinamento cuidadoso, lançar aquela urina no espaço de dentro das naves custava certa de US$ 30 milhões para a NASA, hoje aproximadamente R$ 120 milhões. Quando fora dos ambientes controlados, as gotinhas de xixi se congelam no vácuo do espaço e flutuam na imensidão do Universo.

10. Vida

Talvez o maior mistério da história da exploração espacial, a prova derradeira de vida fora do nosso planeta pode estar prestes a ser descoberta. Recentemente, oceanos enormes de metano líquido foram encontrados em Titã, o maior satélite de Saturno. Acredita-se que o meio possibilite a existência de vida feita de células, assim como a da Terra, mas que viva a base de metano, e não de oxigênio.

Experimentos mostraram que seres com respiração à base de metano podem existir nesse tipo de condição extrema. A NASA aposta tudo no satélite para finalmente descobrir a tão procurada vida extraterrestre. Pode ainda não ser vida inteligente, nem se tratar dos famosos homenzinhos verdes, mas já seria um passo imenso para um entendimento maior do nosso vasto Universo.

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Via TecMundo.