Os buracos negros são deformações no tecido espaço-tempo produzidas após o colapso de estrelas gigantes, e acredita-se que em seu centro o espaço e o tempo não existem. Além disso, eles são regiões do espaço absurdamente densas nas quais a gravidade é tão, tão forte que nada, nem sequer a luz, é capaz de escapar — isso após ultrapassar o horizonte de evento, o ponto a partir do qual não existe mais volta.

Você consegue imaginar o que aconteceria com a Terra se, por azar, um buraco negro surgisse de repente aqui ao nosso lado? Bem, se você respondeu que tudo o que nos cerca e toda a vida que existe no planeta desapareceria, você acertou em cheio. Mas você sabe como, exatamente, esse cataclísmico processo se daria?

Primeiro, de onde vem sua força?

De acordo com Kevin Pimbblet, professor de física da Universidade de Hull, na Inglaterra, até o momento, os cientistas são capazes de medir três propriedades dos buracos negros, que são a sua massa, a sua carga eletromagnética e o seu momento angular — ou rotação.

Desses parâmetros, o mais significativo é a massa, já que ela se concentra em um ponto incrivelmente pequeno no interior dos buracos negros conhecido como singularidade. E é a gigantesca força gravitacional gerada pela massa desses monstros “esfomeados” que provoca tanto estrago ao que quer que se aproxime deles.

Agora, os detalhes sórdidos!

Segundo Kevin, uma das coisas que acontecem com quem se aproxima de um buraco negro é o que os cientistas chamam de “espaguetificação”. Só pelo nome do processo já dá para ter uma ideia do que acontece com os objetos que são capturados pela força gravitacional dos buracos negros, não é mesmo? Os corpos começam a se afinar e alongar enquanto são sugados, ficando finos como um fio de macarrão.

O início da espaguetificação depende da massa do buraco negro, o que significa que, se ele for resultado do colapso de uma estrela assustadoramente massiva, o processo de alongamento pode começar a dezenas de milhares de quilômetros do horizonte de evento.

No caso do nosso planeta, um observador posicionado a uma distância segura do buraco negro teria a impressão de que a Terra está virando um longo fio de macarrão que, enquanto está sendo sugado, progressivamente vai diminuindo de velocidade e desaparecendo com o passar do tempo.

Terra espaguetificada e frita

No nosso caso, é possível que nós, terráqueos, nem percebêssemos se um buraco negro supermassivo nos engolisse. Isso porque, após cairmos abaixo do horizonte de evento, tudo pareceria normal, pelo menos brevemente — já que o tempo se comporta de maneira diferente no interior de uma dessas regiões do espaço, lembra? No entanto, todos nós estaríamos invariavelmente condenados a virar “comida” de buraco negro.

Ademais, se considerarmos que o tal buraco negro já está ocupado consumindo matéria de outros corpos do nosso Sistema Solar, esse material todo sendo engolido geraria uma enorme quantidade de radiação — e, consequentemente, calor. Sendo assim, muito antes de virarmos espaguete, o nosso planeta seria completamente frito.

Cenário alternativo

Agora, imagine que, em vez de sermos engolidos pelo buraco negro, nós nos vemos na mesma situação do planeta que está localizado próximo ao horizonte de evento, como no filme “Interestelar”. De acordo com Kevin, para que seja possível sobreviver — sem ser frito ou virar macarrão —, primeiro o buraco negro terá que estar de dieta, ou seja, ele não poderá estar consumindo matéria.

Entretanto, ao mesmo tempo em que não seríamos fritos pela radiação emitida pelo monstrão, é bem provável que nós também não recebêssemos a quantidade de calor necessária para que a vida na Terra pudesse existir tal como a conhecemos atualmente.

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