Eis aí uma fonte que não cansa de surpreender: a luz. Particularmente, a boa e velha luz incandescente de tom alaranjado. De acordo com pesquisadores belgas, a luz alaranjada provoca alterações semelhantes às de uma xícara de café — do aumento da atividade cognitiva do cérebro à aceleração dos batimentos cardíacos. E bastam dez minutos.

De acordo com estudo publicado no PNAS, a luz laranja ativa fotorreceptores dentro dos olhos, os quais controlam a produção da substância conhecida como melopsina — que, conforme acreditam os cientistas, é capaz de alterar os batimentos cardíacos de uma pessoa.

16 voluntários sob a luz

A fim de entender mais profundamente qual é o papel da melopsina no controle do cérebro em particular, os cientistas bombardearam 16 voluntários com luzes azul e alaranjada. Em seguida, os participantes foram convidados a realizar um teste de memória dentro de um aparelho de ressonância magnética.

Fonte da imagem: Reprodução/PSD Graphics

Posteriormente eles foram vendados por 70 minutos para, por fim, realizar mais uma vez o teste, então sob luz verde. Os resultados mostraram que a luz alaranjada teve grande influência na atividade cerebral.

Comprimento de onda mais longo

Os cientistas acreditam que o resultado obtido se deve ao comprimento de onda da luz laranja — a qual, por se aproximar do vermelho, é relativamente maior do que aquelas que representam os ditos “tons frios” (azul, violeta etc.). A hipótese é que essa característica seria responsável por tornar a melopsina mais sensível à luz, consequentemente aumentando a resposta cerebral.

Por definição, a luz alaranjada tem comprimento de onda entre 590 e 620 nanômetros Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

Dessa forma, considerando-se o consenso de que a referida substância possui efeitos cognitivos, os pesquisadores acreditam que a iluminação nas escolas deveria ser mais bem pensada — já que a simples escolha de uma lâmpada apropriada poderia, teoricamente, potencializar o aprendizado dos alunos.