Segundo o site New Scientist, um teste de DNA realizado nos EUA revelou que o nosso ancestral mais antigo viveu há 340 mil anos, o que significa que o “pai” da nossa espécie é duas vezes mais velho do que se pensava. A descoberta ocorreu por acaso, depois que um parente de Albert Perry — um norte-americano afrodescendente falecido recentemente — decidiu enviar uma amostra de DNA do homem para a realização de uma análise genealógica.

De acordo com a publicação, a amostra de DNA de Perry foi enviada ao laboratório Family Tree DNA — especializado em detalhar árvores genealógicas —, e quando os técnicos tentaram encaixá-lo na genealogia do cromossomo Y, os pesquisadores perceberam que a amostra de Perry era completamente diferente de todas as demais já estudadas.

Muito mais antigo

Todas as análises de DNA realizadas até o momento para rastrear os nossos ancestrais mais antigos sempre chegaram a um ancestral masculino comum, uma espécie de “Adão genético”, que provavelmente viveu entre 60 e 140 mil anos atrás. Entretanto, a amostra de Perry revelou que ele não era descendente desse Adão, mas sim de um ancestral masculino que viveu muito antes disso, há cerca de 340 mil anos.

Os fósseis mais antigos de humanos anatomicamente modernos de que se tem notícia contam com aproximadamente 200 mil anos de idade, e a linhagem do material genético de Perry parece ter surgido bem antes do que as dos demais humanos. Uma possível explicação é que o cromossomo Y de Perry tenha sido transmitido por uma população arcaica já extinta, que possivelmente se relacionou com os humanos modernos em algum ponto do passado.

Curiosamente, os pesquisadores compararam o DNA de Perry com informações disponíveis em uma base de dados da África com quase 6 mil amostras de cromossomo Y. Os cientistas encontraram semelhanças entre o material de Perry e o de outros 11 homens, todos provenientes de um único vilarejo localizado nos Camarões, o que, por sua vez, pode ser uma indicação do local de origem dos ancestrais de Perry.