Você sabia que nem sempre os mapas apresentavam o norte na parte superior e que todos os pontos cardeais já ocuparam o lado de cima das representações de rotas e direções?

A convenção de colocar o norte no topo dos mapas ocorreu por volta do século XV, com o renascimento europeu, o início das grandes navegações e o maior desenvolvimento científico e astronômico, que influenciaram a cartografia.

Entre os aspectos que estão diretamente ligados a essa convenção, podemos citar a invenção da bússola e a descoberta do norte magnético, a referência da Estrela Polar no firmamento e o egocentrismo europeu de querer estar no centro do mundo.

Todas as sociedades tentaram, à sua maneira, criar representações que valorizavam seus territórios e pontos de vista. Cartógrafos árabes e egípcios chegaram a desenhar mapas com o sul no topo, e os primeiros colonizadores norte-americanos propuseram cartografias de orientação oeste-leste que acompanhavam sua trajetória de exploração do continente.

Como bem sabemos, o modelo europeu prevaleceu e se tornou o padrão em representações cartográficas. Conheça em detalhes as razões de o norte estar no topo dos mapas.

A bússola e o norte magnético

A utilização da bússola, como instrumento de orientação e navegação, tem forte influência na composição de mapas a partir dos anos 1.200, com o início da exploração marítima e a conquista de novos territórios.

A descoberta de que a agulha magnetizada se alinha ao eixo magnético da Terra e define um sentido de direção ajudou a determinar a orientação norte-sul baseada no ponteiro da bússola.

Muitos astrônomos e cientistas, desde a Grécia Antiga, já haviam percebido que a Terra girava em torno de um eixo, e esse ponto magnético passou então ser uma referência obrigatória de orientação.

O céu e a Estrela Polar

Além disso, os povos mais antigos tinham como costume se guiar pelas estrelas, especialmente pela Estrela Polar, que era sempre fixa no firmamento e servia para guiar os viajantes. A ideia de um norte baseado nas representações celestes ajudou a definir a disposição dos pontos cardeais.

Como para ver o céu e as estrelas nós olhamos para cima, a parte superior dos mapas acabou herdando essa cultura de nos orientar pelo alto – pelos astros. É interessante notar também que até modelos baseados na direção do Sol foram criados, com a nascente do astro rei no topo das representações.

Egocentrismo europeu

É impossível negar, no entanto, que o poderio econômico e cultural da Europa, especialmente na era dos descobrimentos, tenha sido determinante no posicionamento do norte no topo dos mapas como conhecemos até hoje.

Ter o norte situado na faixa superior dos modelos cartográficos deixou a Europa em uma posição de destaque, no centro do mundo, e certamente era essa a imagem que os colonizadores queriam passar na época das grandes navegações.

Hoje, o hemisfério norte abriga as maiores potências mundiais. A Europa e os Estados Unidos continuam influenciando comercialmente e culturalmente todo o resto do planeta, e se mantêm, inclusive nos mapas, no topo do mundo.