No intuito de conquistar mais consumidores, de criar novas necessidades em compradores em potencial e convencer a população de determinadas ideias, às vezes o pessoal do marketing faz uso de artimanhas pra lá de duvidosas. Melanie Radzicki Mcmanus, do portal How Stuff Works, reuniu uma série de campanhas de marketing ao longo da história que eram pura enganação, e nós aqui do Mega Curioso selecionamos quatro exemplos para você conferir. Veja:

1 – Os diamantes são raros

Como você sabe, os diamantes são supercaros, e o motivo seria que essas pedras são muito raras e difíceis de encontrar. Contudo, em realidade, eles são relativamente abundantes no planeta, e existem outras pedras, como é o caso dos rubis, que são muito mais incomuns e difíceis de se encontrar. Então, como foi que os diamantes se tornaram tão seletos — e inclusive uma das joias favoritas para presentear as mulheres amadas e pedir suas mãos em casamento?

Cecil Rhodes

Tudo começou no século 19, quando Cecil Rhodes, um magnata britânico que possuía diversas minas de diamantes na África Sul, decidiu adquirir o maior número possível de minas de extração desse material, restringir seu suprimento pelo mundo e, com isso, controlar os preços das pedras.

Pois, em determinado momento, Rhodes chegou a dominar 90% de todo mercado de diamante bruto e contratou os serviços de uma agência de publicidade chamada N.W. Ayer & Son, que, em 1914, desenvolveu a campanha “Os Diamantes são para Sempre”. Disso já se passaram mais de 100 anos, e até hoje o famoso slogan é usado pelo mundo.

2 – O Iraque e as armas de destruição em massa

Você se recorda da Guerra do Iraque? O conflito teve início em meados de 2003, depois que uma coalisão militar internacional liderada pelos EUA invadiu o país, e teve como resultado a ocupação do território iraquiano por forças ocidentais, a captura e a execução de Saddam Hussein, a eclosão de uma guerra civil e a morte de um enorme número de civis.

A principal justificativa para as ações foi que os iraquianos estariam desenvolvendo armas de destruição em massa que ameaçavam a segurança global. No entanto, mesmo após o inspetor-chefe da ONU afirmar que não haviam sido encontradas armas de destruição em massa no Iraque, o povo norte-americano foi convencido a apoiar a invasão militar graças a uma bem elaborada campanha de relações públicas.

Primeiro, o governo do então presidente George W. Bush bombardeou a população com informações errôneas para convencer os norte-americanos de que o Iraque tinha laços com a Al Qaeda e estava envolvido nos ataques às Torres Gêmeas. Além disso, para aumentar o senso de perigo e urgência, a campanha de propaganda política ainda “vendeu” a ideia de que os iraquianos estavam produzindo armas biológicas, químicas e nucleares.

A administração Bush também produziu documentos que foram entregues à ONU afirmando que uma enorme quantidade de armas de destruição em massa havia sido encontrada — e, mais tarde, descobriu-se que esses documentos eram falsos. Ademais, muitos meios de comunicação publicaram fotos do povo iraquiano supostamente celebrando a invasão, quando, em realidade, foram bem poucos os que festejaram a situação.

3 – Os direitos das mulheres e o tabaco

Na década de 20, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, era considerado de extremo mau gosto que as mulheres fossem vistas fumando em público. Sendo assim, os fabricantes de cigarro (bem dizer) tinham o mercado limitado apenas aos homens — o que significa que a outra metade, composta pela parcela feminina da população, ainda podia ser explorada pela indústria tabagista.

Entretanto, foi também na década de 20 que o movimento sufragista, que lutava pelos direitos das mulheres, começou a ganhar força — e a American Tobacco Company aproveitou a oportunidade para desenvolver uma artimanha para plantar a ideia de que fumar em público não era um direito apenas dos homens.

Assim, em 1929, foi lançada uma elaborada campanha intitulada “Torches of Freedom” — ou “Tochas da Liberdade”, em tradução livre —, que envolveu reunir um grande grupo de mulheres para marchar fumando durante um desfile que aconteceu em Nova York no domingo de Páscoa. Além disso, os cigarros foram descritos como símbolos da igualdade e da emancipação feminina, e fumar em público passou a ser encorajado, apesar dos tabus sociais da época.

O evento foi registrado não só por centenas de fotógrafos, mas também por meio de vídeo, e foi um completo sucesso, já que muitas mulheres — que, conforme queriam os idealizadores da campanha, associaram a ideia de fumar em público com a liberdade feminina — passaram a consumir cigarros sem medo. Mas, no fundo, o que a estratégia fez foi incentivar um vício extremamente prejudicial à saúde.

4 – As causas do aquecimento global

O aquecimento global é um tema que há anos é debatido pelo mundo, e você já deve ter ouvido falar que inclusive os cientistas discutem se ele realmente está acontecendo ou não. De um lado, muitos pesquisadores afirmam que as mudanças climáticas que vêm afetando o planeta são resultado das ações humanas, mas, do outro, estão os que defendem que nada está acontecendo ou que, como muito, a Terra está mais cálida por conta de processos naturais.

Entretanto, em realidade, apesar de termos a impressão de as opiniões estarem superdivididas entre os membros da comunidade científica, não existe uma discussão assim tão grande. Em 2013, um grupo de pesquisadores decidiu avaliar mais de 4 mil abstracts de estudos sobre o aquecimento global e descobriu que mais de 97% dos trabalhos admitiam que os humanos tinham influência nas mudanças climáticas.

Além disso, pelo menos nos EUA, quase 90% dos democratas, 70% dos republicanos e quase 80% dos norte-americanos que não são afiliados a nenhum dos dois partidos acreditam que as temperaturas do planeta estão subindo — pelo menos parte — por conta das nossas ações. Então, como é que a ideia de que as mudanças climáticas não têm nada a ver com a influência humana se tornou tão forte?

Acontece que os cientistas que negam que o aquecimento global seja nossa culpa, embora formem um grupo bem reduzido de profissionais, têm importantes ligações políticas pelo mundo. Assim, esses pesquisadores vêm há décadas lançando campanhas com o apoio de alguns poderosos para confundir a opinião pública sobre questões relacionadas com o meio ambiente, criando a ilusão de que existe uma enorme discórdia entre os especialistas no tema.

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