É só falar em vida saudável, que uma coisa vem à mente na mesma hora: exercícios físicos. Para quem não tem o hábito de movimentar o corpo ou para quem não gosta muito da ideia, a boa notícia é que, ao contrário do que sempre fomos ensinados, não é preciso pegar no pesado por muito tempo durante a semana para garantir que nosso corpo fique com mais saúde. Isso mesmo: pode começar a comemorar.

Uma pesquisa publicada no JAMA Internal Medicine mostrou os resultados de um estudo feito por pesquisadores que entenderam que nem todo mundo quer ou tem tempo de se exercitar diariamente. Eles queriam saber também se aquela pessoa que faz exercícios só aos finais de semana tem os mesmos benefícios em termos de saúde do que as pessoas que vão para a academia todos os dias.

No fim das contas, ao que tudo indica, a frequência com que uma pessoa pratica atividades físicas não faz diferença. O estudo foi conduzido por Gary O’Donovan, da Universidade de Loughborough, na Inglaterra. Ele e sua equipe analisaram dados de saúde de mais de 63 mil pessoas da Inglaterra e da Escócia.

Resultados

Aquelas que praticavam atividades físicas apenas uma ou duas vezes por semana tiveram os mesmos benefícios de saúde (no caso, redução das chances de morte precoce) do que as pessoas que se exercitavam com mais frequência.

Em termos numéricos: quem faz pouca atividade física reduziu em até 34% suas chances de ter morte precoce; já quem pratica atividade física todos os dias reduziu em até 35% as chances. Ou seja: a diferença entre um grupo e outro foi mínima.

A ideia do estudo não é fazer com que as pessoas se exercitem menos, mas mostrar que o mínimo de atividade física já faz a diferença, o que é um estímulo e tanto para quem é sedentário. O mínimo de atividades físicas recomendado por semana é 150 minutos, que podem ser divididos ao longo dos dias.

Em termos de risco de morte precoce por doença cardíaca, a pesquisa revelou que tanto quem pratica menos quanto quem pratica mais atividade física tiveram uma redução de 40% das chances, o que, de novo, reforça a ideia de que o tempo de exercício parece importar menos do que a prática do exercício em si.

Mais dados

Quem se exercitou menos também teve queda de risco de câncer – no caso, o índice foi de até 21% em comparação com quem leva uma vida totalmente sedentária. “O ponto principal do nosso estudo é mostrar que a frequência de exercício não é importante. Realmente não parece existir qualquer vantagem adicional para quem se exercita regularmente. Se isso ajuda as pessoas, então estou feliz”, disse O‘Donovan, em declaração publicada na revista Time.

O pesquisador lembra que muitas variáveis podem mudar esses resultados de pessoa para pessoa, como é o caso do IMC. De qualquer forma, a ideia era mostrar que o mínimo de esforço físico já traz benefícios, inclusive a pessoas com sobrepeso ou obesidade.

Para quem leva uma vida sedentária e tem vontade de mudar, muitas vezes é desencorajador pensar em começar a treinar todos os dias, por longos períodos de tempo. Agora essas pessoas sabem que podem fazer menos exercício e, mesmo assim, sentir os benefícios das atividades físicas.

Vale frisar que o estudo avaliou atividades físicas praticadas pelos voluntários em seus momentos livres, o que não conta serviço doméstico ou algum eventual esforço físico feito a trabalho. O que a pesquisa considerou também como atividade física foi andar rápido, que é uma boa maneira de começar a se exercitar.