Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.

Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as necessidades de todos.

Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.

Mudanças

Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.

Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses produtos se tornarão economicamente inviáveis.

Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas, dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.

Mais tendências

Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.

E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois, conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos cultivados industrialmente.

Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada fácil.