Nesta semana, nós publicamos aqui no Mega Curioso uma matéria relembrando o desastre da missão Challenger da NASA, que completa 30 anos em 2016. No artigo há um breve relato da história, bem como as possíveis causas do acidente e a possibilidade de ter sido uma tragédia anunciada. No entanto, a verdadeira versão dos fatos pode não ser exatamente igual à conhecida e amplamente divulgada por todo o mundo.

Uma publicação do site Gizmodo apresenta trechos de uma reportagem investigativa produzida pela revista Miami Herald’s Tropic, veiculada dois anos após o terrível acidente que vitimou 7 tripulantes a bordo do ônibus espacial em 1986. Segundo a matéria, os astronautas, a professora e demais integrantes da tripulação não teriam morrido com a explosão.

De acordo a publicação produzida pelo repórter Dennis E. Powell, que mostra o que seria a verdadeira história sobre o que teria acontecido após a explosão da Challenger, a cabine teria ficado praticamente intacta, se deslocando por quase 5 km antes de começar a despencar. Bem, com isso, a equipe teria sobrevivido e permanecido consciente por mais de dois minutos e meio até o encontro com as águas do oceano Atlântico.

Essa hipótese teria sido levantada após a investigação junto a inúmeras fontes e diversos indícios encontrados, como os destroços do ônibus espacial recuperados tempos depois do acidente. No entanto, isso mudaria muito a visão sobre o ocorrido e colocaria uma parcela ainda maior de culpa sobre a NASA. Então a agência não mediu esforços para ocultar essa história, que seria a verdadeira versão dos fatos.

O que revelou a reportagem de Powell

A publicação assinada por Dennis Powell apresentou, além de uma análise sobre as possibilidades do que teria ocorrido com o ônibus espacial após o acidente, outros detalhes audaciosos. Relatos de testemunhas confirmaram que a NASA interferiu nos trabalhos de investigação a todo momento. Um desses depoimentos é do comandante da Guarda Costeira, tenente James Simpson, e revela um enorme desejo de encobrir os fatos por parte da agência espacial.

Segundo o oficial, uma embarcação da Guarda Costeira encontrou destroços da cabine no dia seguinte ao acidente. Entre os restos, estavam notebooks, fitas gravadas e outros elementos do compartimento da tripulação. Em meio a esses itens também havia um capacete de astronauta, intacto, com partes de couro cabeludo e orelhas.

Simpson iria participar de um programa de televisão no mesmo dia para falar das operações de busca e recuperação. Quando acordou, às 4 horas da manhã naquela data, foi informado dos destroços encontrados. Em contato com o responsável por Relações Públicas da NASA na época, que inclusive nem sabia o que havia sido achado, o tenente foi questionado se contaria sobre aquilo na televisão. “Eu falei para ele que, se fosse perguntado, certamente contaria. Disse: ‘A Guarda Costeira não tem interesse em aparecer na televisão para contar mentiras com o intuito de proteger vocês’”, declarou à reportagem.

Depois disso, um membro do próprio escritório astronauta da NASA o contatou e o avisou que as famílias ainda não sabiam que os destroços haviam sido encontrados na noite anterior. Com isso, ele decidiu não mencionar nada no programa. “Eu não queria que eles soubessem pela televisão, então eu menti ao vivo e ainda me sinto mal por causa disso”, revelou à Miami Herald’s Tropic na época.

O que teria acontecido

Segundo o que foi levantado pela reportagem, havia indícios claros de que a cabine dos astronautas não sofreu despressurização súbita. Se isso tivesse ocorrido, o chão do meio do convés teria desafivelado para cima e os astronautas seriam arremessados para fora em poucos segundos, fatos que simplesmente não aconteceram, de acordo com o que foi apurado.

A tripulação do ônibus espacial Challenger

Sendo assim, é provável que a cabine despressurizou de maneira lenta, se chegou a isso. A equipe então pode ter perdido o acesso ao oxigênio no traje após algumas tomadas de ar. Alguém, provavelmente o astronauta Ronald McNair, chegou a ativar a reserva emergencial pessoal de oxigênio (REPO) do piloto Michael Smith. O único tripulante que estava em local de difícil acesso era o comandante Francis Scoobee, no entanto, como a perda de pressão aconteceu devagar, bastava abrir o capacete para poder respirar novamente. Dois outros REPOs também foram ativados. Já os outros três nunca foram encontrados.

Segundo as investigações, a provável descompressão lenta não seria suficiente para causar danos significativos aos membros da equipe. A última expressão captada pela máquina de gravação da cabine, que foi recuperada no oceano após dois meses do acidente, foi um “Oh-oh”. Isso mostra que os tripulantes provavelmente perceberam o que aconteceu e permaneceram conscientes pelo menos até o início da queda de quase 20 km direto no oceano.

O Dr. Joseph Kerwin, do ramo de Ciências Biológicas da NASA, foi o responsável pelo relatório oficial do acidente. Em uma conferência em julho de 1986, ele afirmou que não havia como determinar as causas das mortes dos tripulantes. Isso deixou os investigadores em dúvida, levantando a suspeita de que a equipe permaneceu viva, mesmo com a possível despressurização da cabine. Um deles chegou a afirmar, categoricamente, que era certo que eles estavam vivos até sofrerem os danos do impacto com a água.

Por que a NASA quis esconder a história real

“Se eles tivessem aterrissado de maneira suave, poderiam ter nadado até a terra”. Essa foi a constatação de outro responsável pela investigação. O fato é que a versão apresentada pela revista Miami Herald’s Tropic e detalhes do inquérito foram abafados pela NASA para que se pudesse manter a versão original da história.

O provável motivo foi o de evitar que uma culpa maior fosse colocada sobre a agência, já que revelaria a evidência de que a equipe não possuía equipamentos de segurança suficientes. Ou seja, a organização falhou nas precauções para a possibilidade de um acidente catastrófico, mas passível de sobrevivência — como o que ocorreu. Não havia recursos para impedir a queda brusca da nave nem equipamentos de comunicação emergenciais que ajudassem a manter a equipe viva.

A construção da espaçonave Challenger

Segundo a publicação do Gizmodo, toda essa manobra foi um misto de arrogância e “grande ideia” por parte da NASA. Trata-se da mesma coisa que permitiu a agência colocar milhares de estudantes para assistirem ao vivo, direto de suas salas de aula, a uma civil, professora, morrer a bordo de um perigoso ônibus espacial.

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