Pintura roubada por nazistas será devolvida aos descendentes de seu dono
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Pintura roubada por nazistas será devolvida aos descendentes de seu dono

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Uma obra do francês Paul Signac, considerado um dos principais expoentes da técnica de pontilhismo, ressurgiu em uma coleção de arte investigada há alguns anos na Alemanha. A suspeita das autoridades é de que muitas das peças que compõem o acervo foram roubadas de famílias judias pelos soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O criador da coleção, Hildebrand Gurlitt, ajudou os nazistas a venderem algumas obras que eram consideradas “degeneradas” e a comprarem outras para os museus projetados por Adolf Hitler. Ele foi considerado inocente nos julgamentos que enfrentou após o fim da Guerra e continuou a trabalhar no ramo das artes até a sua morte, em 1956.

O filho de Gurlitt, Cornelius, cuidou da coleção de arte criada pelo pai até morrer, em 2014, quando as autoridades alemãs passaram a se debruçar com muito mais interesse sobre o acervo. Inclusive, novas diretrizes foram criadas para lidar com os bens que foram roubados pelos nazistas no decorrer da Guerra.

No entanto, provar que uma obra foi furtada não é nada fácil para os pesquisadores. Das 1,5 mil peças que compõem a coleção dos Gurlitt, apenas 7 foram confiscadas pelos nazistas e identificadas, entre elas a de Signac. As demais pinturas foram assinadas por artistas franceses como Camille Pissarro, Henri Matisse e Thomas Couture.

Justiça histórica

“Entramos em contato com os descendentes do dono e estamos confiantes de que a obra será restituída”, disse Monika Grütters, comissária alemã para cultura e mídia, no comunicado que anunciou a identificação. “Não devemos desistir de investigar o roubo de artes pelos nazistas, pelo qual a Alemanha é responsável. Cada obra devolvida é um passo importante na busca por justiça histórica.”. 

O dono original da pintura foi o corretor imobiliário francês Gaston Prosper Lévy. Enquanto vivia na França, ele montou uma coleção de pinturas impressionistas de artistas do país e comprou a de Signac por volta de 1927. Quando fugiu para a Tunísia com a sua esposa, em 1940, Lévy mandou boa parte do acervo para uma residência que tinha no sul de Paris.

Relatos de testemunhas dão conta de que a casa foi invadida poucos meses depois e as obras foram apreendidas por soldados nazistas. Daí em diante, o caminho delas é pouco conhecido. O que os especialistas sabem até o momento é que a pintura de Signac entrou no mercado de arte francês e foi comprada por Gurlitt em algum momento entre 1943 e 1947.

A pintura de Signac data do ano 1887 e retrata um cais sob um tempo cinzento. Além da técnica de pontilhismo, a obra traz outros dois aspectos que aparecem em artes do pintor: a região de Clichy, que fica em Paris, e as representações de elementos náuticos, com ênfase em portos, navios e, é claro, no mar.

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