Responda sem olhar: todos os humanos têm pelos na parte interna dos braços?
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Responda sem olhar: todos os humanos têm pelos na parte interna dos braços?

Equipe MegaCurioso
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Por mais escassos e clarinhos que sejam, todo mundo têm pelos cobrindo os braços, especialmente a região do antebraço, certo? Mas, e na parte interna desses membros, que fica quase sempre em contato com o corpo (e que, tecnicamente, se chama “região volar do antebraço”), será que todos os humanos têm pelos cobrindo a pele dessa região?

(PNG Mart)

Pois, apesar de algumas pessoas parecerem não contar com nenhum pelinho sequer na parte interna dos braços, a verdade é que, segundo Laura Geggel, do site Live Science, todos os seres humanos possuem pelos cobrindo essa região, mesmo que em alguns indivíduos pareça que não. Na realidade, com exceção das palmas das mãos, das solas dos pés, dos lábios e dos mamilos, os seres humanos são cobertos de pelos corporais — só que fininhos e incolores.

Peludos e adaptados

De acordo com Laura, pesquisas comparando a densidade de pelos entre seres humanos e chimpanzés revelaram que, basicamente, nós somos tão peludos quanto os nossos “primos” primatas. A diferença é que os pelos deles são mais grossos, escuros e menos “comportados” dos que os nossos e, portanto, muito mais visíveis.

Somos tão "peludos" quanto eles (Wikimedia Commons/Ikiwaner)

Mas, e como é que nós fomos acabar com esses pelinhos — comparativamente — minúsculos, fininhos e, em algumas áreas do corpo, praticamente invisíveis? Há cerca de 2 milhões de anos, uma adaptação evolutiva levou os integrantes do gênero Homo (ao qual os humanos pertencem) a sofrer um dramático aumento na quantidade de glândulas écrinas por todo o corpo.

Essas glândulas são responsáveis pela liberação de suor e, na maioria dos mamíferos, se encontram concentradas principalmente nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Elas funcionam continuamente e estão envolvidas no mecanismo de regulação da temperatura corporal (por meio da evaporação da transpiração) e na manutenção do equilíbrio eletrolítico do corpo.

Outros animais regulam a temperatura corporal arfando ou resfolegando, por exemplo (Pixabay/Beverly Lussier)

Foi essa adaptação que permitiu que os integrantes do gênero Homo se tornassem capazes de se deslocar e correr por distâncias excepcionalmente longas initerruptamente — quando comparado às habilidades de outros animais. Isso porque, embora a maioria das espécies possam percorrer trajetos imensos, elas precisam parar com frequência para se livrar do excesso de calor corporal resultante do esforço físico arfando, resfolegando ou por meio de outros mecanismos.

Penugem vista de pertinho (Wikimedia Commons/Svdmolen)

Em contrapartida, ao ter o corpo adaptado para perder calor através do suor — que cobre a nossa pele e nos refresca ao evaporar —, nós somos capazes de percorrer grandes distâncias, incluindo maratonas e outras competições insanas que existem por aí, sem precisar parar a todo momento.

Mas, se os nossos pelos fossem grossos e espessos como os dos chimpanzés, a transpiração simplesmente empaparia os fios, e não a pele e, portanto, o mecanismo de regulação de temperatura através do suor não funcionaria de forma tão eficiente. Foi dessa necessidade que os pelos deram lugar à penugem que cobre boa parte dos nossos corpos.

Então, por que algumas áreas são mais “peludas” que outras?

Se os seres humanos passaram por uma adaptação que resultou no surgimento de uma penugem fina e incolor sobre o corpo, como é que algumas regiões continuam tendo pelos longos e espessos? De acordo com Laura, isso tem a ver com a puberdade, uma vez que nessa fase da vida hormônios conhecidos como androgênicos fazem com que alguns dos pelinhos se transformem em pelos chamados “terminais” — que são grossos e providos de cor.

Distribuição dos pelos terminais em mulheres e homens (Wikimedia Commons/Sjef)

Os cientistas não sabem explicar exatamente a razão de apenas alguns pelinhos reagirem à ação dos hormônios — nem o motivo de a parte superior dos braços e antebraços contar com pelos terminais, mas a parte interna não. Isso, aliás, pode ser observado em outras áreas do corpo, e uma possibilidade é que os pelos mais espessos sirvam para manter as áreas mais expostas aquecidas ou, ainda, que eles simplesmente sejam uma “herança” dos nossos antigos (e peludos) ancestrais.

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