Detectaram o buraco negro supermassivo mais “ancião” e distante do cosmos
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Detectaram o buraco negro supermassivo mais “ancião” e distante do cosmos

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Você já ouviu falar dos quasares? Eles são buracos negros supermassivos que existem no centro das galáxias e, apesar de serem “buracos negros”, se caracterizam por ser os objetos astronômicos mais brilhantes do Universo, emitindo centenas e até milhares de vezes mais luz do que uma galáxia inteira.

Isso acontece porque esses monstros estelares são bem ativos e ficam lá, no centro das galáxias, “devorando” gás e poeira cósmica. Os buracos negros propriamente ditos não emitem qualquer luz, mas, conforme eles atraem massa para seu interior, eles expelem jatos superenergéticos de matéria de volta ao espaço, levando à formação de um disco de material ao seu redor — e é essa atividade toda que gera a emissão de luz.

Velhão do cosmos

Agora, um time de cientistas anunciou a descoberta do quasar mais antigo — e, consequentemente, mais distante — já detectado no cosmos. O “bichão”, que é quase um bilhão de vezes mais massivo do que o nosso Sol e se encontra a extraordinários 13,1 bilhões de anos-luz de distância de nós.

Quasar mais antigo do universoIlustração que mostra o quasar mais antigo e distante do Universo (The Verge/Robin Dienel/Carnegie Institution for Science)

Isso significa que esse buracão negro se formou apenas uns 690 milhões de anos depois do Big Bang e que a luz emitida por ele demorou esses bilhões de anos todos para chegar até aqui. E mais: isso também significa que, ao observar o quasar, os cientistas, na verdade, podem observar como o Universo era apenas alguns milhões de anos após a sua origem. Sim, caro leitor, é de bugar o cérebro!

E como é que os cientistas fizeram para determinar que esse quasar se encontra a essa distância absurda? Eles fizeram isso a partir de algo conhecido como “desvio para o vermelho” — um conceito que nós do Mega Curioso já explicamos em uma matéria anterior (que você pode acessar através deste link), mas que, basicamente, permite que coisas como a localização e composição de objetos cósmicos sejam definidas com base na forma como as ondas de luz emitidas por eles se comportam.

Esquenta-esfria

Os físicos acreditam que, logo depois do Big Bang, o Universo consistia em uma sopa superquente de partículas energéticas que foram se expandindo em uma velocidade absurda. Então, conforme as partículas foram se separando umas das outras durante esse período de inflação, elas foram se “esfriando” e se combinando em um gás composto por hidrogênio neutro.

Representação de um quasarOutra representação de um quasar (Wikimedia Commons/ESO/M. Kornmesser)

Nesse estágio, o Universo ainda não contava com fontes luminosas, como é o caso das estrelas e galáxias — que começaram a se formar milhões de anos após o Big Bang, depois de a gravidade agir sobre a matéria e fazer com que ela se condensasse, criando os objetos astronômicos. Pois quando esses primeiros astros começaram a surgir, a energia liberada por eles fez com que o hidrogênio neutro se tornasse ionizado — e, com isso, os fótons passaram a viajar livremente pelo cosmos.

Pois bem, com base no tal desvio para o vermelho, os cientistas perceberam que o hidrogênio presente no quasar, em vez de se encontrar ionizado, parece ser neutro. Com isso, eles concluíram que boa parte da matéria que compõe o buraco negro é da época em que o Universo era apenas um bebezinho — e não passava de um lugar escuro e meio vazio.

Até o momento, os astrônomos identificaram entre 20 e 100 quasares tão brilhantes ou quase tão distantes como esse detectado agora, e com a construção de telescópios mais potentes, a expectativa é de que novos desses buracos negros sejam encontrados. Ademais, além de ser uma descoberta superinteressante para os amantes de astronomia, a identificação desse quasar velhão pode ajudar os cientistas a ter um vislumbre de como o Universo era nos primeiros estágios de sua formação e entender melhor como ele evolui e como estrelas, galáxias e outros objetos cómicos se originaram.

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