Mas, afinal, animais podem ou não sofrer com Síndrome de Down?

Mas, afinal, animais podem ou não sofrer com Síndrome de Down?

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Se você é um usuário assíduo das redes sociais, com certeza já se deparou com uma foto ou duas retratando algum animal que teria nascido com Síndrome de Down. A internet — especialmente a brasileira — parece gostar de propagar, no intuito de homenageá-los, imagens dessas criaturas que, supostamente, sofrem com a mesma condição que afeta mais de 150 mil brasileiros por ano.

Mas, no fim das contas, será que todas essas correntes online são verdadeiras? Sentimos muito em decepcioná-lo, mas a resposta mais simples e curta é: não. A maioria dos animais simplesmente são incapazes de desenvolver Síndrome de Down, pelo simples fato de que suas construções genéticas são bem diferentes das nossas (seres humanos).

Para quem não sabe, a Síndrome de Down ocorre quando uma divisão celular anormal causa uma mutação genética de um indivíduo, lhe dando três cópias do cromossomo 21. Vale lembrar, aliás, que um ser humano considerado “padrão” possui dois pares de 23 cromossomos. Já os gatos, por exemplo, possuem apenas 19 cromossomos, o que torna improvável uma mutação similar àquela que conhecemos.

O que acontece de verdade?

Embora a família dos felinos tenha bem menos cromossomos do que nós, ela parece ser o “alvo” favorito daqueles que gostam de veicular notícias falsas na internet. Um exemplo notório de animal que supostamente teria nascido com Síndrome de Down é o tigre-de-bengala-branco Kenny. A imagem do bichano — que morreu em 2008 — foi tão propagada na internet que até mesmo alguns jornais de renome acabaram enganados.

Kenny, embora tivesse uma aparência facial bem distinta que lembrava vagamente àquelas que observamos em humanos com Síndrome de Down, jamais sofreu com tal condição. Ele, na verdade, nasceu com deformidades decorrentes do endocruzamento; isto é, a cruza de animais geneticamente próximos, como pais e filhos, irmãos e irmãs etc. — prática que, embora seja proibida em alguns países, ainda é muito comum ao redor do mundo.

No caso do tigre-branco, ele foi resgatado em 2002 pela equipe do Refúgio Selvagem de Turpentine Creek, no Arkansas (EUA), de um criadouro ilegal que praticava o endocruzamento para manter uma linhagem “pura”. A técnica pode até funcionar algumas vezes, mas, mais cedo ou mais tarde, alguma cria exibirá deformidades — e Kenny foi o azarado da vez. Porém, isso não tem nada a ver com Síndrome de Down.

O mesmo se aplica ao Otto, um gatinho doméstico oriundo da Turquia que também fez sucesso na internet pelo mesmo motivo. Ele morreu com apenas 2 meses de idade, e, embora ninguém jamais tenha corrido atrás dos donos do felino turco para saber o porquê de suas deformidades visuais (muitos apostam em deficiências hormonais), a verdade é que ele jamais teve Síndrome de Down.

Há exceções

Os únicos animais que podem apresentar uma doença relativamente similar à que conhecemos são os símios — que, como todos nós sabemos, possui uma genética parecida com a nossa. Os macaquinhos possuem não apenas 23, mas sim 24 pares de cromossomos, e alguns indivíduos já foram diagnosticados com uma cópia extra do cromossomo 22 — que, como você pode imaginar, é parecido com o cromossomo 21 dos seres humanos.

Tais chimpanzés apresentaram, além de deformidades faciais, problemas cardíacos e de crescimento, sintomas típicos da Síndrome de Down humana. Ainda assim, é cientificamente incorreto utilizar a mesma nomenclatura para tal desordem — principalmente se levarmos em conta o fato de que a ciência ainda está estudando tais casos.

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