Dulpa de estrelas invisíveis é descoberta por astrônomos

Dulpa de estrelas invisíveis é descoberta por astrônomos

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Um estudo publicado no início deste ano na revista Astronomy & Astrophysics apresentou dados curiosos sobre duas estrelas anãs com massas um pouco menores do que a do Sol. As estrelas, que orbitam um campo espacial comum na Via Láctea a cada 2,88 anos terrestres, fazem parte de um sistema binário raro, no qual não são capazes de emitir brilho suficiente para serem consideradas visíveis, mesmo por telescópios.

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Impressão artística de um sistema binário na Via Láctea. (Fonte: NASA/Reprodução)

O caso iniciou-se em 2016, quando a observação realizada através do observatório espacial Gaia identificou uma estrela com um comportamento bastante incomum, ofuscando sua emissão de luz e a revelando em ciclos periódicos de tempo. Porém, meses de estudos revelaram que, de fato, as inconsistências no brilho estelar estavam relacionadas a um sistema binário de estrelas que estava localizado entre a estrela ofuscada e a Terra, com uma luz tão fraca que o tornou indetectável.

Distorcendo a luz

O efeito gravitacional que o sistema exercia sobre a luz, conhecido por efeito de lente gravitacional, segundo Albert Einstein, permitiu a identificação de diversos dados sem que houvesse a observação das dimensões do objeto, apenas através da distorção tempo-espacial que ele exercia sobre a estrela que, na verdade, estava em segundo plano. "Não vemos esse sistema binário, mas ao ver apenas os efeitos que ele criou ao atuar como uma lente [gravitacional] em uma estrela de fundo, fomos capazes de dizer tudo sobre ele", esclareceu o astrônomo Przemek Mróz.

"Que diferença um dia faz! Gaya16eye desaparece drasticamente à medida que parte do cruzamento cáustico do evento de microlente termina."

O sistema binário conhecido como Gaya16eye, em homenagem ao ano de descoberta e ao observatório, foi observado durante 500 dias pelo time de astrônomos, que "patentearam" as estrelas encontradas na Via Láctea de 2MASS19400112 + 3007533, localizadas a 2.544 anos-luz de distância da Terra. 

A descoberta contribui, segundo a equipe de pesquisadores, para a identificação de buracos negros na Via Láctea, já que o sucesso da utilização das ferramentas de Gaia permitiram, de certa forma, encontrar corpos invisíveis no espaço. "Acho que este ano teremos os primeiros buracos negros. Estou otimista”, concluiu Lukasz Wyrzykowski, um dos astrônomos relacionados ao projeto. 

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