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Fukushima: como o desastre poderia ter sido evitado?

A 1 hora, 23 minutos e 45 segundos de 26 de abril de 1986, o reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, no norte da Ucrânia Soviética, explodiu durante um teste de segurança, lançando uma quantidade imensa de radiação para a atmosfera, concretizando um dos piores desastres nucleares da história.

Isso tudo aconteceu porque o botão AZ-15 de desligamento emergencial foi pressionado com o intuito de fazer parar qualquer reação que acontecia no núcleo do reator. Contudo, a medida teve efeito contrário e, em vez de retrair as hastes feitas de boro, forçou-as de vez para dentro do reator.

Isso só aconteceu porque as hastes tinham uma falha de projeto: suas pontas eram de grafite, o que fez acelerar a reação. De acordo com Valery Legasov, chefe químico da comissão que investigou o acidente, o governo soviético optou por isso porque era uma medida que barateava o custo de produção em larga escala do reator.

O reator RBMK foi projetado exatamente para esta função: produzir uma enorme quantidade de energia a baixo custo, portanto certas “concessões” foram necessárias. O tempo todo o governo sabia da falha no projeto e das consequências que poderia implicar, mas não fizeram nada a respeito.

O desastre de Fukushima

(Fonte: Green FM/Reprodução)(Fonte: Green FM/Reprodução)

Em 11 de março de 2011, às 14h46 (5h46 GMT), aconteceu o derretimento de 3 dos 6 núcleos dos reatores da Usina Nuclear Fukushima Daiichi, em Okuma, no Japão, devido a uma falha catastrófica que aconteceu imediatamente após o sismo de Sendai, que provocou um tsunami de 8,7 de magnitude.

O tsunami ceifou a vida de mais de 20 mil pessoas, e o derretimento radioativo que aconteceu na usina causou a morte de 6 trabalhadores, expostos a altos níveis de radiação, e mais de 1,6 mil pessoas devido às más condições de evacuação de 171 mil pessoas das redondezas.

(Fonte: The Conversation/Reprodução)(Fonte: The Conversation/Reprodução)

Ainda que a quantidade de radiação lançada no ar tenha sido inferior a 15% da liberada por Chernobyl e os medidores individuais de contaminação acumulada por pessoa tenha sido 10 vezes menor do que a dose média do mesmo acidente, as consequências de Fukushima ainda são imensas. 

Existem milhares de pessoas que não puderam regressar às suas casas devido ao solo altamente contaminado, gerando consequências psicológicas, sociais e econômicas. Isso também influenciou políticas internas de confiança entre a nação japonesa.

A negligência

(Fonte: Newsweek/Reprodução)(Fonte: Newsweek/Reprodução)

O acidente de Fukushima só aconteceu porque as águas do imenso tsunami inundaram a usina, que, em sua funcionalidade normal, até conseguiu desligar automaticamente três reatores. Contudo, a falta de energia significou que nenhuma água poderia ser utilizada para resfriar com eficácia o núcleo dos reatores superaquecidos. À medida que ficaram cada vez mais quentes, foram derretendo, seguindo seu curso natural para o desastre, até que o último explodiu em 15 de março daquele ano. Apesar de ter sido causado por um fenômeno da natureza, muito diferente de Chernobyl, toda a situação poderia ter sido evitada.

Em 2011, dois pesquisadores de Stanford chegaram à conclusão de que o desastre poderia ter sido evitado por vários fatores, mas citaram 3 erros primordiais que influenciaram a maneira como tudo aconteceu.

Eles apontaram que a planta não estava sendo devidamente regulamentada, com falhas estruturais, o que explica o motivo de os geradores de energia não conseguirem continuar resfriando os reatores aquecidos, mesmo sem energia.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

A Tokyo Eletric Power Company (TEPCO) também teve sua parte de culpa pela má administração no projeto da usina, deixando-a mal preparada para considerar com precisão a altura potencial das águas de um possível tsunami. Os dois pesquisadores indicaram que todos os números de projeção da TEPCO estavam muito errados desde o princípio, mostrando que os estudos que fizeram não se concentravam em tsunamis em particular. O resultado foi que o país estava sujeito a uma catástrofe nuclear desde 1971, quando a usina ficou pronta.

No ano seguinte, em 5 de julho de 2012, a comissão de investigação National Diet of Japan Fukushima Nuclear Accident Independent Investigation Commission chegou a essa mesma conclusão que os pesquisadores.

Ficou determinado que a TEPCO falhou miseravelmente em atender à segurança básica dos requisitos da usina, como avaliação de risco, preparação para conter danos colaterais e desenvolvimento de planos de evacuação. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria foi tido como negligente pela Agência Internacional de Energia Atômica, dizendo que o ministério enfrentava um conflito de interesses inerente como agência governamental responsável por regulamentar e promover a indústria de energia nuclear.

Em 12 de outubro de 2012, a TEPCO admitiu que não havia tomado as medidas necessárias por medo de abrir processos judiciais ou protestos contra suas usinas nucleares.

Mais uma vez, o ser humano provou que não está pronto para mexer com energia nuclear.

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