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Mães recebiam condecoração por gerarem filhos para o nazismo

Antes Anni-Frid Synni Lyngstad, mais conhecida como Frida, acumulasse apenas uma sólida e muito bem-sucedida carreira como uma das vocalistas do grupo sueco ABBA — que arrebatou a música mundial entre as décadas de 1970 e os anos 1990 — e os problemas com as traições polêmicas de Benny Anderson.

Poucos sabem que Frida é um produto do nazismo assim como as milhares crianças que cresceram evitadas, perseguidas e órfãs — algumas delas até usadas como cobaias em testes de drogas durante a ocupação nazista da Noruega, durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascida em 15 de novembro de 1945, filha de Synni Lyngstad e de Alfred Hasse, um soldado do Wehrmacht (as Forças Armadas do Terceiro Reich), ela foi resultado de um plano nazista para enriquecer o polp genético ariano copulando mulheres com homens, normalmente soldados, que possuíam bagagem genética “pura”.

Assim surgiram as denominadas "crianças alemãs", com suas mães condecoradas pelo esforço em produzi-las.

O futuro da Alemanha

(Fonte: Gamma-Keystone/Getty Images)(Fonte: Gamma-Keystone/Getty Images)

Após seu nascimento, a mãe de Frida e a avó acabaram sendo marcadas como traidoras e condenadas ao ostracismo em sua aldeia no norte da Noruega. Depois disso, ambas foram forçadas a emigrar para a Suécia, onde a mãe da cantora morreu de insuficiência renal antes de Frida completar 2 anos, lançando-a em um mar de incertezas destruído por um passado perturbador.

Sua mãe não teve tempo de ser condecorada com a Cruz de Honra das Mães Alemãs, estabelecida por Adolf Hitler, através de um decreto em 16 de dezembro de 1938, por "mérito excepcional pela nação alemã", por ter sido um dos braços progenitores do projeto Lebensborn. Desenvolvido por Heinrich Himmler, como estratégia para contornar o declínio na taxa de natalidade arruinada pela Primeira Guerra Mundial, o plano visava montar instalações para que homens e mulheres "racialmente puros" pudessem copular e formar uma sociedade ariana de características superiores e, essencialmente, loiras de olhos azuis.

(Fonte: Sueddeutsche Zeitung Photo/Alamy)(Fonte: Sueddeutsche Zeitung Photo/Alamy)

Entre 1939 e 1945, a Cruz de Honra foi dividida em três classes: bronze, para as mães que deram à luz e criaram de 4 a 5 filhos; prata, para aquelas que geraram de 6 a 7 crianças; e ouro, para as mulheres que conseguiram dar à vida mais de 8 filhos nas fábricas do Reich.

Para deixar claro a extensão dos danos causados pelo projeto ideológico de Himmler, estima-se que 4,7 milhões de cruzes foram concedidas só em 1944. Portanto, o número de crianças vítimas do verdadeiro chocadeiro nazista é inestimável.

Enobrecendo a mãe

(Fonte: Wikimedia Commmons)(Fonte: Wikimedia Commmons)

Apesar de tantas condecorações entregues, todo o processo foi feito sob a maior vigilância e critério possível. A campanha visava promover famílias cada vez mais numerosas dando uma certificação que servia quase como um passe para as mulheres por carregarem um título nazista, que servia como contribuição infinita ao serviço social da época. 

Contudo, era necessário que elas cumprissem vários princípios para se tornarem elegíveis para uma cruz: ambos os pais das crianças precisavam carregar sangue alemão nas veias, e as mães tinham que ser mais que apenas um útero do Estado, mas também ser consideradas "dignas". Uma mulher indigna, por exemplo, era aquela que não criava seus filhos segundo os ideais nazistas como deveria ser feito.

As mães dos territórios anexados, como Áustria e Polônia, foram submetidas a critérios de avaliação e separação mais brutais por serem pessoas cuja língua e cultura tinham origens alemãs, mas que não possuíam cidadania alemã. Na terminologia nazista, esses eram os denominados Volksdeutsche. Elas foram subdivididas em minorias de uma minoria estatal com base em critérios culturais, sociais e históricos para que os nazistas entendessem quem estava menos "contaminada".

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

A cada 12 de agosto, em homenagem ao aniversário da mãe de Hitler, Klara, a Cruz de Honra foi concedida a essas mulheres que representavam um componente essencial para um futuro ajustado e ideal para a raça alemã. Assim que completavam 18 anos, as jovens também se tornavam elegíveis para o ramo Fé e Beleza, parte do movimento Liga das Garotas Alemãs, da Juventude Hitlerista, que as treinava na arte de se tornarem as mães que o Reich e o futuro precisavam.

Por muitos anos, tudo o que algumas delas pensavam era pendurar ao redor do seu pescoço aquela medalha, cuja inscrição no verso dizia: “A criança enobrece a mãe”. enquanto outras só queriam escapar daquele horror sem fim.

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