Quando pensamos no conceito de uma cidade-fantasma, as primeiras imagens que vêm à mente são de casas abandonadas e destruídas, não é mesmo? Mas essa imagem não condiz com a realidade de Kitsault, no Canadá. Ali, residências perfeitamente preservadas e até luzes acesas fazem parte do cenário local – mas sem a presença de nenhuma pessoa desde 1982.

A cidade foi construída em 1979, pertinho da fronteira com o Alasca, a partir de uma comunidade de trabalhadores das minas de molibdênio – mineral cuja principal função em nosso organismo é auxiliar a síntese e o metabolismo de hidratos de carbono, gorduras e proteínas. O molibdênio é encontrado em vários estados de oxidação em minerais e também serve para formar ligas estáveis e duras com o carbono, sendo usado na fabricação de aço.

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Mas, voltando à cidade de Kitsault, que chegou a ter 1,2 mil habitantes, tudo começou a ruir quando o mercado desse mineral caiu em todo o mundo, ainda que a área tenha servido como fonte de extração de metais preciosos e semipreciosos, como prata, chumbo, zinco e cobre. 

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Foram erguidas construções familiares de grande porte, incluindo casas duplex, além de prédios de apartamentos, hospital, centros comerciais, restaurantes, bancos, bares, biblioteca e centros recreativos. Em seu subsolo, foi construída uma rede de linhas telefônicas e cabos de televisão por assinatura, além de uma planta de tratamento de esgoto de última geração para sua época e a água corrente mais limpa da província.

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No entanto, apenas 18 meses depois que as primeiras famílias se estabeleceram ali, o mercado do molibdênio começou a cair por conta de uma recessão, e as minas de extração foram fechadas. Com isso, a população começou a migrar para outros locais, e Kitsault foi rapidamente deixada para trás.

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Pode ser que a cidade volte à vida

No que depender do empresário Krishnan Suthanthiran, Kitsault voltará a ser uma cidade cheia de vida. Ele comprou o local por US$ 7 milhões em 2005, e, desde então, já investiu cerca de US$ 25 milhões em reparos e manutenções em sua estrutura até então abandonada.

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Atualmente, mais de 12 cuidadores avaliam as construções do local para verificar suas condições e necessidade de reparos, além de aparar gramados, cortar árvores e varrer suas ruas – mesmo que ninguém esteja morando ali, ainda. 

Suthanthiran deseja recuperar os milhões que já investiu na cidade-fantasma para que o local seja transformado em um centro da indústria de gás natural licuado – e o futuro de Kitsault depende, portanto, do sucesso de seu projeto.