Onze países da África estão erguendo uma verdadeira muralha de árvores que se estende de leste a oeste e alcança 8 mil quilômetros de comprimento e 15 quilômetros de largura. A intenção do enorme cinturão verde é diminuir os impactos das mudanças climáticas, mitigar o processo de expansão do deserto do Saara e, de quebra, gerar renda para os habitantes de uma das regiões mais pobres do globo.

O Senegal, até o momento, é a nação mais empenhada no projeto: já foram plantadas mais de 11 milhões de mudas por lá. O país tem experimentado mudanças climáticas abruptas desde o início do século, com tempestades de areia jamais vistas, diminuição da chuva e avanço do deserto do Saara sobre áreas de cultivo de alimentos.

africaA “Grande Muralha de Árvores”, em amarelo, se estende do Senegal ao Djibouti

Os líderes dos países dessa região, conhecida como Sahel, enxergam no plantio de árvores uma forma de impedir o avanço do processo de desertificação. Antes, o vento escavava e desgastava o solo, diminuindo as já diminutas reservas de água. Agora, as raízes das árvores mantêm o elemento natural no solo, fazendo com que os poços que estavam secos voltem a encher.

O grande cinturão verde começou a ser levado a cabo em 2007 e tem custo estimado de US$ 8 bilhões — cerca de R$ 25 bilhões, na cotação atual. Mais do que erguer uma grande barreira de árvores em volta de um dos maiores desertos da Terra, o projeto beneficia a população da África subsariana com geração de empregos e a possibilidade de produzir diversas culturas de alimentos.