83 horas enterrada: o sequestro de Barbara Mackle

83 horas enterrada: o sequestro de Barbara Mackle

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Estava próximo do Natal de 1968 e Barbara Mackle, com 20 anos de idade e herdeira milionária da Deltona Corporation, do ramo de construções de casas, não teve muita sorte. Junto com a outra metade do campus, ela havia contraído a Gripe de Hong Kong, que assolava a Universidade de Emory, em Atlanta, onde estudava.

Vendo o estado adoentado da filha e seu trabalho duro durante as provas finais, Jane Mackle resolveu dirigir de Coral Gables, na Flórida, onde toda a família morava, para cuidar da filha e depois levá-la de volta para passarem juntas as festas de fim de ano. Quando chegou, no dia 3 de dezembro, convenceu Barbara a ficar com ela num hotel próximo ao campus para que pudesse cuidar dela enquanto estudava para os exames.

(Fonte: Amazon/Reprodução)

Batidas na porta

No dia 17 de dezembro, às 3 horas da madrugada, Barbara acordou com batidas na porta e pediu para que a mãe fosse ver quem era. Um homem comunicou que Stewart Hunt, então namorado da filha, havia sofrido um terrível acidente de carro. Desesperada com a informação, Jane abriu a porta e se deparou com um homem vestido com o uniforme da polícia local e apontando uma arma em sua direção. Era Gary Stephen Krist, de 23 anos, acompanhado por Ruth Eiseman-Schier, de 26, disfarçada de homem, os futuros sequestradores de Barbara.

Rapidamente, Ruth deu clorofórmio para Jane, a amarrou e amordaçou. Enquanto isso, sob muitas ameaças de morte, Gary forçou Barbara a segui-los e entrar em seu carro, um Volvo azul. Dirigiram até uma remota floresta de pinheiros que ficava a 32 quilômetros do hotel.

(Fonte: Murderpedia/Reprodução)

18 palmos para baixo

Uma vez lá, Gary ordenou a subida de Barbara até um relevo de terra onde havia sido cavada a sua cova. No fundo do buraco havia uma caixa de fibra de vidro com dois tubos de plástico para ventilação. Estava equipada com água adulterada com sedativos, comida, uma lanterna, cobertor e um pequeno ventilador.

Mais tarde, ele explicaria para a polícia que estava à procura de uma mulher rica, inteligente e que possuísse a capacidade de aguentar ser enterrada com vida. Chegou até a garota depois de persegui-la por meses e meses a fio.

Gary, então, explicou que se tratava de um sequestro, ainda que Barbara já tivesse percebido, e que iriam libertá-la logo que recebessem a quantia de US$ 500 mil do pai dela, cerca de US$ 3,5 milhões atualmente, aproximadamente R$ 14,4 milhões em conversão direta. Barbara implorou e, inclusive, deu sugestões para que fizessem de outra maneira o sequestro, que não a enterrassem viva. No entanto, nenhum argumento os convenceu e ela foi forçada a se deitar dentro do caixão e, antes de ser enclausurada lá, Gary tirou uma foto de Polaroid dela segurando um papel escrito “kidnapped” (sequestrada).

(Fonte: All That's Interesting/Reprodução)

 

O pedido de resgate

Jane acordou, conseguiu se soltar e ligar para a polícia antes de ligar para o marido, Robert Mackle, que avisou o FBI imediatamente. Logo em seguida, ele recebeu um telefonema de Gary explicando toda a situação, o passo a passo do que o homem deveria fazer para tudo sair como combinado e de que, caso contasse sobre os detalhes à polícia — que até então só sabia do sequestro —, sua filha sufocaria até a morte.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)

 

Como parte do plano, Robert deveria colocar na parte dos classificados do jornal Miami Herald o seguinte anúncio: “Amada, por favor, volte para casa. Nós pagaremos todas as despesas e a encontraremos em qualquer lugar, a qualquer hora. Sua família”. Esse seria o sinal de que Robert havia aceitado as condições deles.

A falha do plano

O anúncio foi feito no dia 18 e dois dias depois os sequestradores ligaram novamente para informar o local do resgate e que a quantia deveria ser apenas em notas de vinte dólares e armazenada numa mala grande. Robert fez tudo como combinado, porém a movimentação no local onde seria feita a troca acabou atraindo atenção de um morador, que comunicou a polícia achando que se tratava de um assalto.

Gary fugiu às pressas, abandonando a mala no meio do caminho, assim como o seu Volvo. Dentro dele, os agentes encontraram a foto de Barbara Mackle, pás e restos de comida. Deram início às investigações para chegarem às identidades de Gary e Ruth, tornando o caso público. Até 1968 esse foi o maior caso de sequestro já feito nos Estados Unidos.

Nesse meio tempo, Robert, temendo qualquer movimento, se apressou para avisar aos sequestradores através da mídia de que não havia envolvido a polícia durante as negociações. Em resposta, Gary telefonou para os Mackle pedindo um novo resgate, que dessa vez deu tudo certo.

Como termina

O combinado era que em até 12 horas depois de pegar o dinheiro, os sequestradores revelassem o paradeiro de Barbara. Sendo assim, Gary deixou coordenadas não muito precisas de onde Barbara estava enterrada numa central de atendimento telefônico.

A polícia a localizou depois de ouvir batidas vindas do solo. Barbara então foi retirada com vida de seu caixão, pesando cinco quilos a menos, um pouco desidratada, porém ilesa.

Gary foi preso numa ilha depois de ter o barco que comprara rastreado. Ele foi condenado a prisão perpétua, mas conseguiu liberdade condicional depois de 10 anos em regime fechado. Durante esse período, o homem escreveu um livro intitulado Life: the man who kidnapped Barbara Mackle (Vida: o homem que sequestrou Barbara Mackle em português).

(Fonte: Murderpedia/Reprodução)

Ruth, que se tornou a primeira mulher a entrar para a lista dos mais procurados do FBI na época, foi detida dois meses depois em Oklahoma. Foi condenada a sete anos, foi solta após quatro, deportada para Honduras e proibida a voltar para os Estados Unidos.

Em seu livro 83 hours 'til dawn (83 horas até o amanhecer em português), Barbara Mackle relatou: “Eu quis me manter viva. Eu mantive pensamentos bons, apesar de tudo. Pensei no Natal, na minha família e amigos. Mas confesso que por vezes eu gritei para as trevas: esse vai ser o meu caixão”.

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