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4 mentiras sobre a reciclagem do plástico que você sempre ouviu

De acordo com Plastic Pollution Facts, estima-se que o mundo produza mais de 380 milhões de toneladas de plástico todos os anos, dos quais 50% dele é para uso único, ou seja, utilizado por apenas alguns momentos antes de ser descartado.

Desse número, pelo menos 14 milhões de toneladas de plástico acabam no oceano todos os anos, sendo que o material leva cerca de 150 anos para se decompor na natureza, causando enchentes, matando animais e destruindo ecossistemas naturais.

Visando reduzir os impactos no meio ambiente, desde a década de 1970 campanhas de reciclagem de plástico foram disseminadas por empresas e ambientalistas pelo mundo todo, estabelecendo programas como o de coleta seletiva para conscientização em massa.

No entanto, existe muita coisa que você, provavelmente, sempre acreditou sobre esse processo de reciclagem, que gera uma folha de pagamento anual de quase US$ 37 bilhões, faturando mais de US$ 236 bilhões anuais. Essas são quatro mentiras disseminadas pela indústria de reciclagem do plástico: 

1. Todos os plásticos são recicláveis

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Você sabe que o símbolo com as três setas em forma de triângulo significa que o plástico é reciclável, e provavelmente já o confundiu com esse da imagem acima. Isso é comum por ser quase igual ao de reciclagem, exceto pelo meio do triângulo que contém um número entre 1 e 7, o Código de Identificação de Resina (RIC), indicando o tipo de plástico que estamos lidando — e que não tem em nada a ver com reciclagem.

Essa confusão foi criada de propósito em 1988 pela Society of Plastics Insititute (SPI) como uma fachada para a indústria de petróleo e plástico evitarem que seus negócios fossem afetados por movimentos anti-plástico e pró-reciclagem.

2. Todos os países reciclam seu plástico

(Fonte: Chanchai Phetdikhai/Shutterstock)(Fonte: Chanchai Phetdikhai/Shutterstock)

Segundo a Environmental Protection Agency, 69% dos plásticos usados nos Estados Unidos acabam em aterros sanitários porque se enquadram no tipo 3 a 7 de matéria, sendo que dos 31% restantes, as empresas só conseguem reciclar 8,4%. Em fevereiro de 2020, um relatório divulgado pelo Greenpeace descobriu que apenas garrafas plásticas são recicladas regularmente nas 367 instalações de recuperação de materiais espalhadas pelos EUA.

Ou seja, os demais tipos de plásticos, como tubos de detergentes e embalagens de produtos de limpeza, eram exportados para a China, que em 2018 baniu sua entrada devido às altas taxas de contaminantes presentes no lixo americano. No entanto, pelo tempo em que o plástico entrou no país por centenas de contêineres, os chineses recicladores simplesmente os despejaram em aterros sanitários, no oceano ou incineraram.

(Fonte: Laura Sullivan/NPR)(Fonte: Laura Sullivan/NPR)

Após a proibição, os EUA, Canadá, Austrália e Coreia do Sul recorreram à Malásia, Tailândia, Vietnã, Indonésia e Filipinas para depositarem seu lixo plástico, aumentando em 362% os níveis de importações dos resíduos. As usinas desses países não conseguem lidar com a quantidade do lixo, recorrendo ao mesmo destino que a China.

3. Reciclar é a melhor opção

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Para os especialistas, o problema na reciclagem está nas falhas de iniciativas, visto que, infelizmente, são unilaterais. Para Emmanuel Katrakis, secretário-geral da Confederação das Indústrias de Reciclagem Europeia (EuRIC), o processo tem grandes benefícios econômicos porque, quando reciclamos, é altamente intensivo em empregos.

No entanto, toda a ênfase no setor é equivocada, porque em vez de facilitar a reutilização e a reciclagem de algumas coisas, as pessoas devem pensar se precisam de fato consumir aquilo, saindo de um comportamento cíclico de encorajamento à minimização do nosso impacto negativo no meio ambiente, como os programas de reciclagem fazem.

(Fonte: R. Ranoco/Reuters)(Fonte: R. Ranoco/Reuters)

Além disso, o meio ambiente é imediatamente afetado por essa indústria de conscientização, porque os caminhões e navios usam combustível para transportar plástico para os países asiáticos que sofrem para reciclar o próprio material, sendo que 20% a 70% dos plásticos que despejam contêm contaminantes, impedindo todo o processo de reciclagem. No final das contas, esses lotes são carregados para aterros sanitários, despejados no oceano ou queimados, gerando mais poluição no processo.

E você se engana também se pensar que a situação melhora um pouco com os plásticos que conseguem ser reciclados, porque são usados muito combustível e produtos químicos durante o processo de reciclagem, liberando poluentes que contaminam a água e o ar.

4. É possível reciclar infinitamente

(Fonte: Syed Mahabubul Kader/EyeEm/Getty Images)(Fonte: Syed Mahabubul Kader/EyeEm/Getty Images)

Muito diferente do que a indústria de reciclagem faz a população acreditar, o plástico não pode ser reciclado infinitamente, porque o processo enfraquece sua composição química. Por isso a maioria dos plásticos é transformada em um produto de qualidade inferior e menos útil para as pessoas, ganhando mais espaço em prateleiras e recebendo o mesmo destino, no final das contas.

As garrafas de refrigerante são um bom exemplo para isso. Ao serem recicladas, podem se tornar até canos de esgoto porque não são fortes o suficiente para comporem outra garrafa. Os plásticos dos tipos 3, 4 e 6 podem ser reciclados apenas uma vez, mas, geralmente, são jogados em aterros sanitários. Enquanto os do tipo 5, que pode ser reciclado até 4 vezes, tem apenas 1% reciclado.

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