A história da bola de cristal: desde a sua origem até o imaginário popular
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A história da bola de cristal: desde a sua origem até o imaginário popular

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O universo do misticismo e da futurologia tem várias vertentes: tarô, astrologia, borra de café e por aí vai. Supostamente prever o futuro é uma arte conhecida por poucos e que muitos consideram um dom. E uma das maneiras de praticar essa vidência é através da bola de cristal. Na verdade, apesar do formato esférico ser o mais comum, essa previsão pode ser feita em espelhos, pedras, líquidos e em uma infinidade de materiais reflexivos.

Essa prática teve início há milhares de anos, principalmente com os druidas. Eles eram um povo altamente inteligente e com bastante prestígio, tendo vivido na Inglaterra e na França durante a Idade do Ferro – um período entre os anos 1200 a.C e 1000 d.C. Eram muito cultos, praticavam a medicina e estudavam a poesia, o direito e a religião.

Com a chegada do cristianismo, os druidas passaram a ser perseguidos; afinal, o que eles professavam era considerado muito “místico”. Apesar disso, alguns cristãos encaravam a vidência como uma forma de se comunicar com o além. Nessa época, várias personalidades históricas descreveram as práticas dos druidas em livros.

Os druidas devem ter sido os primeiros a usar a bola de cristal

Primeiros relatos

O naturalista romano Caio Plínio Segundo, conhecido como “Plínio, o Velho”, dedicou um capítulo inteiro aos druidas em seu livro “História Natural”, escrito em 77 d.C. No capítulo seguinte, ele descreve várias formas de magias, não necessariamente as relacionando aos druidas, mas para bom entendedor, meia palavra basta. Plínio utiliza termos como “magia com água” e “com esferas”, indicando uma possível relação desse povo com as bolas de cristal.

Já Santo Agostinho, no livro “A Cidade de Deus”, lançado em 426 d.C., denuncia as práticas místicas, dizendo que elas seriam obras de demônios que se passam por anjos. Essa era uma clara referência às supostas vidências praticadas pelos druidas dessa época, que enfrentavam o cerceamento de suas práticas por parte dos cristãos.

No século 14, com o início do Renascimento, vários textos árabes começaram a ser traduzidos para línguas europeias. Entre eles, estava o Picatrix, um tratado de magia negra que via o misticismo como uma ciência. Ao racionalizar a vidência, esses textos a fizeram crescer em popularidade, ainda mais que ela ofereceria uma contrapartida ao cristianismo, que na época era bastante sustentado no pecado e na culpa para atrair seguidores.

Santo Agostinho recriminou o uso de magias

O uso político

Apesar de a bola de cristal ainda ser estigmatizada pela igreja católica, ela encontrou em John Dee um grande defensor. O cientista inglês era conselheiro da Rainha Elizabeth I, que subiu ao trono britânico em 1558. Dee praticava a clarividência junto com o colega Edward Kelly: eles ficavam encarando um espelho de obsidiana na esperança de conseguir sabedoria sobrenatural dos anjos e ajudar no reinado de Elizabeth I.

Outra suposta vidente a se envolver com a política foi Jeane Dixon, já no século 20: sua mais famosa previsão foi a morte do presidente norte-americano John F. Kennedy, ainda que muitos duvidem disso. Algumas previsões furadas de Jeane sustentam a tese de falcatrua, já que ela previu, por exemplo, que a URSS colocaria o primeiro homem na Lua e que George W. Bush venceria Bill Clinton.

Jeane Dixon teria previsto a morte de Kennedy

O imaginário popular

Se a gente pensa na bola de cristal, logo nos remetemos a mulheres com turbantes na cabeça. Esse estereótipo se deve principalmente aos ciganos, que continuaram praticando diversos tipos de adivinhações, por vezes com a bola de cristal, e possuem uma vestimenta bastante característica.

Além disso, o famoso mágico americano Claude Alexander Conlin, que viveu entre 1880 e 1954, era um dos adeptos das adivinhações através da bola de cristal e usava um turbante bastante característico. Então não é de se estranhar que essa imagem impactante tenha entrado no imaginário popular e permaneça até hoje. Chamado de “Alexander, o Homem Que Sabe” e “Alexander, o Profeta de Cristal”, o mágico também comercializava suas próprias bolas de adivinhação.

Filmes como “O Mágico de Oz”, de 1939, e “Quero Ser Grande”, de 1988, ajudaram a reforçar essa imagem caricata dos videntes que utilizam bolas de cristal. Agora, se elas realmente revelam algo sobre o futuro, apenas sua crença poderá diz que “sim” ou que “não”.

O mágico Alexander popularizou a imagem do vidente com turbante

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