Conheça 10 armamentos que deram completamente errado em sua criação
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Conheça 10 armamentos que deram completamente errado em sua criação

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A engenharia bélica foi capaz de projetar e produzir os mais diversos tipos de armas durante e depois do século 20, a era das grandes guerras. Algumas delas eram formidáveis – não que armas sejam coisas positivas, mas no sentido de constituírem um grande projeto de engenharia e de terem um desempenho ótimo dentro daquilo que se prestam a fazer. Já outras foram fracassos miseráveis e colocavam em risco qualquer pessoa que as tentasse usar, independentemente do nível de preparo.

Entre essas armas terrivelmente malfeitas, podemos encontrar tanques de guerra, fuzis, bombas e até submarinos, navios de guerra e bombardeiros. Confira a lista completa:

1. Encouraçados classe Novgorod

Criados na década de 1870, esses estranhíssimos navios de guerra redondos foram produzidos pela Rússia para proteger seus interesses sobre o Mar Negro e o rio Dniepre. O formato inusitado foi inspirado por um engenheiro naval britânico que acreditava que um navio redondo seria mais fácil de manobrar.

Engano dele. Além de ser dificílimo de manobrar, os encouraçados dessa classe eram muito pouco estáveis, pelo casco plano na parte de baixo, e não eram capazes de navegar contra a correnteza do rio Dniepre. Apesar de serem mais estáveis na hora de disparar suas armas e mais fáceis de serem defendidos contra ataques inimigos, cada vez que um canhão periférico atirava, o encouraçado girava descontroladamente sobre a água.

2. Encouraçados classe Tegetthoff

Os encouraçados classe Tegetthoff foram os primeiros navios de guerra com três torreões, construídos pelo Império Austro-Húngaro às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Com seu extremo poder bélico, os encouraçados não tinham a menor condição de fazer manobras minimamente ágeis, com o risco de naufragarem. O seu peso extremo quando totalmente armados os obrigava a permanecer ancorados no porto, o que aconteceu durante praticamente toda a Primeira Guerra Mundial.

Em uma das poucas incursões desses navios pelo Mar Mediterrâneo, eles foram atacados por navios italianos e terminaram extremamente danificados ou naufragaram. Apesar de todos os esforços da tripulação para diminuir o peso do encouraçado, as tentativas de recuar sempre terminavam com o navio virando e afundando. Com o fim da guerra, essa classe de encouraçado foi tomada pelos Aliados e acabou virando sucata.

3. Tanque M22 Locust

O tanque M22 Locust foi produzido pelo Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial a partir de uma ideia brilhante: ser um veículo armado leve para ser colocado no campo de batalha por meio de planadores como o Hamilcar Mark I. O tanque tinha “apenas” oito toneladas, dimensões de 1,8 por 2,1 metros e era equipado com armamento de 37 mm.

Cerca de 100 deles foram fabricados e quase nunca foram usados em batalhas, onde eles acabaram se provando um fracasso nas poucas experiências que tiveram. Primeiramente, alguns deles caíam de seus planadores ou acabavam pousando de cabeça para baixo. Além disso, a novidade chamou tanta atenção dos inimigos que acabaram atraindo um poder de fogo desnecessário, sendo sempre totalmente destruído e ainda gerando grande risco para as tropas de infantaria que acompanhavam os M22.

Além da enorme vulnerabilidade contra as mais simples armas inimigas, o armamento de 37 mm era completamente inofensivo para os tanques inimigos. Sendo assim, ficou bastante claro que a produção desse tanque foi uma furada, e muito dinheiro e vidas de soldados foram desperdiçados nessa tentativa fracassada de substituir força de ataque por agilidade de movimentação.

4. Bomba adesiva bélica

Produzida pelo exército britânico em parceria com dois professores da Universidade de Cambridge um pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a bomba adesiva bélica era uma granada de mão que tinha como objetivo a destruição de tanques de guerra e outros veículos de guerra blindados.

Depois de ter sido um fracasso nos primeiros testes, o início da Grande Guerra os forçou a desenvolver às pressas um dispositivo com essa função para impedir o avanço das infantarias alemãs. A bomba adesiva foi feita com uma esfera de vidro coberta por um material mais macio, como lã, envolta em alguma substância adesiva. A ideia era que o vidro seria firme o suficiente para ser arremessado, mas se quebraria quando atingisse a superfície do tanque, permitindo que a lã grudasse no veículo.

Na prática, a coisa era um pouco mais complicada: a bomba grudava em absolutamente tudo, incluindo o uniforme militar e, pior ainda, as mãos dos soldados. A solução da hora H era correr até o tanque e colar a bomba no veículo, uma opção consideravelmente suicida e pouco eficaz. Não é necessário dizer que, com pouquíssimo tempo de uso, essas granadas foram descontinuadas do uso pelo exército britânico.

5. Submarino K-19

O submarino “amaldiçoado” construído pelos soviéticos para retaliação contra os americanos apresentou problemas desde o início de sua fabricação. Movido à energia nuclear, o submarino causou a morte de uma série de funcionários empregados em sua construção, como um eletricista que foi esmagado pela queda de uma enorme peça e um engenheiro que caiu entre os tubos de disparo de torpedos e também faleceu.

Na primeira missão do K-19, um problema no resfriamento de um dos reatores fez com que o veículo submarino quase derretesse embaixo d’água, o que levaria todos os tripulantes à morte certa. Para contornar o acidente, o capitão recrutou 22 “voluntários” para entrar no reator e resfriá-lo manualmente. Todos morreram por causa da radiação em questão de horas.

Não bastassem todos esses problemas, com apenas 10 anos de uso, no ano de 1972, 28 marinheiros foram mortos a bordo devido a um incêndio no submarino. Todas essas catástrofes somadas levaram ao desligamento permanente do veículo.

6. Tanque Panzer 68

O que pensar de um tanque de guerra construído em um país famoso por sua neutralidade, cujas forças militares participam apenas de missões de paz e cuja guarda é lembrada por cuidar pacificamente do Vaticano? Vale lembrar também que o termo “Swiss Army” remete principalmente a uma famosa marca de inofensivos canivetes.

Pois o destino já estava escrito quando o Panzer 68 foi criado para fazer frente para os melhores tanques soviéticos na época, a década de 1960. Cerca de 400 deles foram fabricados com design formidável, sistemas de disparo computadorizados para maior precisão e um procedimento de manobras mais ágil.

Infelizmente, o tiro saiu pela culatra, com uma publicação suíça tendo desmascarado os veículos de guerra em 1979. Segundo a revista especializada, mais de 50 problemas foram encontrados nos Panzer 68, incluindo falhas graves que poderiam colocar em risco o próprio exército suíço.

Um dos principais problemas apontados foi a falta de capacidade do tanque de reverter o sentido de seu movimento sem antes estar completamente parado, o que comprometia muito sua agilidade. Outra coisa terrível que acontecia era uma interferência da frequência de rádio do tanque com o sistema elétrico, o que fazia com que seu canhão virasse de um lado para o outro sozinho. O pior de todos: a arma do Panzer 68 disparava sozinha quando o sistema de aquecimento do veículo era ativado. Nada interessante quando tratamos de um país naturalmente frio.

7. Bomba de morcegos

Essa talvez seja uma das ideias mais absurdas quando tratamos de armas de guerras. Nascida da “criatividade” de um dentista americano chamado Lytle S. Adams, a bomba de morcegos foi projetada para atingir as cidades e vilas japonesas – com casas feitas principalmente de madeira e outros materiais inflamáveis – com cargas incendiárias.

O projeto mencionava uma cápsula metálica que seria preenchida com centenas de morcegos Tadarida brasiliensis, cada um deles equipado com uma bomba incendiária temporizada. A cápsula seria solta de avião sobre as cidades japonesas em pleno ar, fazendo com que os morcegos buscassem abrigos em locais de acesso limitado, como telhados de casas e outras estruturas. Certo tempo depois, as cargas inflamáveis seriam disparadas e causariam incêndios de precisão cirúrgica nos centros urbanos e militares do Japão.

Não é necessário mencionar a quantidade de problemas que isso poderia causar, como os meios de transporte dos animais, como mantê-los vivos até a hora do ataque, entre outros. Ainda assim, os testes iniciais a partir de março de 1943, autorizados pelo governo americano, foram bem-sucedidos, mas acabaram causando catástrofes, como quando alguns morcegos escaparam por acidente e, 15 minutos depois, incendiaram uma base da força aérea quase inteira, além do carro particular de um general.

Como o desenvolvimento do projeto demorou muito e só ficaria pronto após o fim da guerra, a bomba de morcegos foi cancelada pelo exército e nunca mais se tentou usar essa arma que não deixaria nem o Batman orgulhoso.

8. Cruzadores da classe Mogami

Às vezes, a máxima que diz que todo produto japonês ou feito por japoneses tem qualidade superior à de outros não é verdade. Foi o que aconteceu com os cruzadores da classe Mogami, produzidos pela Marinha do Japão de acordo com o Tratado Naval de Washignton de 1922, que envolveu, além do Japão, o Império Britânico, os Estados Unidos, a França e a Itália.

O primeiro objetivo – construir navios de guerra com até 10 mil toneladas – não foi atingido quando os cruzeiros saíram do estaleiro com 3 mil toneladas além do planejado. Além disso, os navios foram equipados com o máximo de armamento possível, o que os tornou pesados demais, pouco ágeis e instáveis.

Então, os piores problemas começaram a aparecer: os disparos das armas dos cruzadores faziam com que as soldas das juntas de peças e placas rachassem. Em um treinamento sob uma forte tempestade, a movimentação excessiva das águas do mar entortou o casco de um dos navios, o que impossibilitou o giro de uma das torres de canhão e exigiu reparos caríssimos. Não demorou muito até que fossem afundados por navios americanos nas batalhas do oceano Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.

Com pouco mais de 20 anos de uso, os navios foram aposentados pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, para a sorte dos russos.

9. Bombardeiro Aphrodite

O projeto Aphrodite tinha como objetivo criar aviões-bomba não tripulados para atingir alvos remotamente através de controle a rádio. Para isso, antigos aviões B-17 eram esvaziados, ficando apenas com a fuselagem e o motor, e preenchidos com toneladas de explosivos. Um piloto devia fazer o procedimento de decolagem, visto que o controle remoto só funcionava com o avião já no ar, e com a aeronave em pleno voo deveria saltar dele para sua segurança. O Aphrodite então seria guiado remotamente por um avião que seguia próximo dele até detonar o alvo escolhido.

A primeira missão envolveu quatro aeronaves e foi uma catástrofe completa. Três deles explodiram antes de os pilotos conseguirem deixar o avião, e o quarto explodiu sem causar muitos danos ao alvo. Na segunda tentativa, agora com três aeronaves, uma explodiu sozinha, a outra foi abatida pelos inimigos, e a terceira errou o alvo e explodiu em pleno oceano.

Com raríssimos sucessos, o projeto mais matava pilotos e estragava aviões do que causava danos aos inimigos, por isso foi cancelado. Um dos pilotos mortos pelo projeto Aphrodite foi o irmão mais velho do presidente americano John F. Kennedy.

10. Rifle Ross

O Rifle Ross não é um exemplo de arma que deu errado, mas sim de um tipo de armamento aplicado em situações completamente equivocadas. Servindo como o rifle favorito de caçadores e exploradores canadenses, o Ross era uma arma bastante precisa que acabou sendo escolhida pelo governo canadense como o rifle dos soldados que foram enviados para as trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

Amargo erro. Uma série de problemas surgiu assim que o rifle Ross começou a ser utilizado na Europa: sua baioneta caía sempre que a arma era disparada, seus mecanismos internos paravam de funcionar por causa da sujeira das trincheiras e, a pior falha de todas, o cão da arma eventualmente se soltava na hora de um tiro, geralmente atingindo o usuário na cabeça, causando ferimentos graves ou até a morte.

Não demorou para os soldados canadenses se livrarem desse problema assim que possível, optando por utilizar armas de militares mortos quando tinham a chance de encontrá-las. Após um ano de erros, o comando militar canadense foi obrigado a alterar a arma de seu exército.

*Publicado em 18/2/2016

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