Qual seria a utilidade dos misteriosos jarros gigantes que existem no Laos?
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Qual seria a utilidade dos misteriosos jarros gigantes que existem no Laos?

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Você já ouviu falar a respeito de milhares de enormes jarros de pedra que existem no Laos? Essas estruturas se encontram espalhadas por uma grande área na planície de Xieng Khouang, situada ao norte do país, que fica nas imediações da Cordilheira Annamita — que consiste na cadeia montanhosa mais elevada da Indochina.

Jarros de pedra(Archaeology 1)

Mas, voltando aos artefatos, os recipientes datam da Idade do Ferro — o que significa que eles foram produzidos entre 2,5 mil e 1,5 mil anos atrás —, têm dimensões que variam entre um e três metros de diâmetro, e alguns chegam a pesar até 14 toneladas. Contudo, o mais interessante é que ninguém sabe dizer a razão de os misteriosos jarros terem sido criados e qual era a sua utilidade.

Mistério arqueológico

Os jarros do Laos consistem em um dos mais importantes sítios arqueológicos do leste da Ásia e, surpreendentemente, o local foi bem pouco explorado até hoje. A primeira pessoa a fazer estudos mais detalhados na região foi a pesquisadora francesa Madeleine Colani, na década de 30, e foi ela quem descobriu que uma caverna próxima ao campo dos artefatos continha esqueletos humanos.

Jarros de Pedra do Laos(Archaeology 2)

Essa descoberta levou Madeleine a sugerir que os jarros possivelmente tinham algo a ver com algum tipo de ritual funerário praticado pelos povos que habitavam a região. No entanto, como o time da francesa não conseguiu detectar material orgânico nos recipientes de pedra, a teoria acabou ficando em “banho-maria” durante essas décadas todas.

E por que a planície dos jarros nunca foi devidamente explorado? Afinal, os arqueólogos adoram desvendar mistérios e não dispensam as oportunidades, quando elas surgem! Acontece que, além de o terreno conter milhares de artefatos de pedra, ele também oculta milhares de minas terrestres — plantadas pelos norte-americanos na década de 60, durante a Guerra Civil do Laos. Mas...

Campo minado

Em 2016, um time de pesquisadores australianos pra lá de corajosos decidiu ir até o Laos investigar os jarros e, após realizar escavações em uma das áreas contendo os artefatos, os cientistas se depararam com uma descoberta bem interessante. Eles localizaram um local contendo corpos humanos — sepultados de três formas distintas: do jeito tradicional, ou seja, em covas no solo, no interior de poços cobertos por blocos de calcário, e no interior de recipientes de cerâmica.

Cientistas escavando sítio(Australian Geographic/ANU 1)

Então, revisitando a teoria proposta por Madeleine lá nos anos 30, os australianos sugeriram que é possível mesmo que os jarros fossem usados em rituais funerários — mas não para o sepultamento definitivo de cadáveres. Os cientistas acreditam que os recipientes eram empregados na preparação dos corpos antes do enterro final.

Assim, a suspeita é que os falecidos eram colocados no interior dos jarros e, depois que o processo de decomposição fosse concluído, os restos mortais eram transferidos para outros locais — como a caverna descoberta por Madeleine, por exemplo. Outra coisa interessante é que mais campos de jarros foram descobertos pela Ásia e eles parecem traçar uma rota que vai do Laos até o norte da Índia.

Esqueletos humanos(Australian Geographic/ANU 2)

Com isso, também foi proposta a teoria de que os recipientes de pedra fizessem parte de uma rota comercial usada pelos antigos povos que transitam por lá e servissem para a coleta de água da chuva — para que os viajantes tivessem acesso a ela durante os trajetos realizados nas estações mais secas. Mas essas ideias todas não passam de especulação até o momento.

Hoje em dia, dos 85 campos de jarros identificados até agora, apenas sete estão abertos ao público, e existem planos de converter esses locais em Patrimônios da Humanidade da UNESCO. Sem falar que o mistério sobre os fascinantes jarros de pedra continua.

Planície dos Jarros (Australian Geographic/ANU 3)

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