A perturbadora história de Danny Rolling, “O Estripador de Gainesville”

14/11/2018 às 05:303 min de leitura

Você já assistiu ao clássico “Scream”, filme originalmente lançado em 1996 e que narra os atos de um misterioso assassino chamado Ghostface? Embora o longa-metragem tenha feito sucesso — ganhando duas sequências e inspirando um seriado homônimo —, pouca gente sabe que, na verdade, ele é parcialmente inspirado em um serial killer de verdade. Prepare seu estômago para conhecer a história de Danny Rolling, que ficou conhecido pelo sugestivo título de “O Estripador de Gainesville”.

Danny poderia muito bem ter sido só mais um estadunidense comum — nascido em 1954 no estado de Luisiana, sua mente começou a se distorcer por conta dos constantes abusos que sofria de seu pai, o veterano militar James Rolling. Com apenas 1 ano de idade, o americano apanhava simplesmente “por não engatinhar direito”. Com o nascimento de seu irmão mais novo, Kevin, a violência contra ele, primogênito (e fruto de uma gravidez indesejada), só aumentou.

A mãe de Danny, Claudia, também tinha seus problemas. Ela era vítima dos abusos de James, e, embora tenha tentado se afastar do marido, jamais conseguiu fazê-lo. Ela ainda sofria constantes surtos psicóticos e, em determinado momento, teve que ser hospitalizada por ter tentado cortar seus pulsos. A essa altura do campeonato, a vida do futuro serial killer já era um verdadeiro inferno.

Para piorar a situação, Danny repetiu 1 ano na escola por ter faltado demais em virtude de sua saúde debilitada. Por mais que ele tentasse usar a música como válvula de escape (tendo aprendido a tocar guitarra e cantar hinos aos 11 anos), começou a beber e usar drogas, “sofrendo com um grave complexo de inferioridade, com tendências agressivas e um fraco controle de seus impulsos”, como descrito por um de seus professores.

Começando uma “carreira”

Desesperado por conforto e paz interior, Danny tentou até mesmo entrar para a vida militar. Foi recusado pela Marinha e ingressou na Aeronáutica, mas saiu da corporação — especialmente depois de ser pego utilizando uma grande quantidade de substâncias alucinógenas. Por fim, o americano resolveu se casar e levar uma vida normal, se esquecendo de todos os traumas que havia sofrido em sua infância.

Infelizmente, a tática não funcionou. Aos 23 anos, Danny discutiu com sua esposa e ameaçou matá-la, o que levou a um divórcio. Devastado e possuído por um ódio grotesco, ele encontrou e resolveu estuprar uma mulher que lembrava vagamente a sua ex-esposa. Mais tarde, no mesmo, ano, ele assassinou uma garota por conta de uma briga em um acidente de trânsito.

Já totalmente fora de si, Danny cometeu uma série de furtos e outros pequenos crimes durante os anos 70 a 90, sendo condenado várias vezes — e ocasionalmente fugindo da prisão. Suas próximas vítimas fatais seriam Tom Grissom (seu ex-chefe de um emprego temporário), a filha dele, Julie Grissom, e o sobrinho dela de 8 anos, Sean. Todos foram mortos simplesmente porque Danny foi demitido de seu cargo.

Em maio de 1990, retornando à Luisiana, o assassino tentou tirar a vida de seu pai com dois tiros; James sobreviveu, mas perdeu um olho e uma orelha. Danny utilizou documentos roubados, assumiu uma nova identidade (a de Michael Kennedy Jr.) e foi viver em Gainesville, na Flórida. E seria exatamente lá que ele encontraria suas vítimas finais, ganhando a alcunha pelo qual é famoso até hoje.

Assassinatos brutais

Em Gainesville, duas jovens estudantes da Universidade da Flórida chamaram atenção de Danny: Sonja Larson e Christina Powell. O serial killer seguiu a dupla até a residência onde moravam juntas, amarrou ambas e usou fita adesiva para cobrir suas bocas. A primeira vítima foi Sonja, que foi estuprada, esfaqueada e morta; posteriormente, Danny cometeu necrofilia e violou o corpo já sem vida da jovem outra vez. Por fim, cortou um de seus mamilos como um “troféu” pelo feito.

No dia seguinte, o assassino fez o mesmo com Christina — também cortando seus mamilos depois de estuprá-la e assassiná-la. A diferença é que, dessa vez, Danny resolveu decapitar a vítima, deixando seu corpo sentado ao lado de sua cama e sua cabeça posicionada em cima de uma escrivaninha.

Não demorou muito para que a pequena cidade de Gainesville entrasse em pânico com a informação de que havia um serial killer solto por lá. Mais de 700 estudantes pararam de frequentar a Universidade da Flórida; e aqueles que tinham coragem de fazê-lo andavam com um taco de baseball para se proteger contra eventuais investidas do maluco.

As últimas vítimas de Danny foram Tracey Paules e Manuel Taboada, estudantes de 23 anos. Ele tirou a vida de ambos, mas não chegou a mutilá-los. A polícia tinha dificuldades para rastrear os passos de Danny — a experiência militar de seu pai lhe era útil para esconder evidências. O serial killer chegava ao ponto de usar solventes para limpar seu sêmen.

O fim dos trilhos

Danny só foi capturado em setembro de 1990. Após roubar uma filial de uma rede de supermercados, o assassino em série se envolveu em uma perseguição com a polícia de Ocala (também na Flórida), que ainda não fazia ideia de que o homem em fuga era O Estripador de Gainesville. Após sua prisão, demorou um pouco até as autoridades concluírem que Danny havia sido o responsável por matar tanta gente.

Após confessar seus crimes, Danny foi executado no dia 25 de outubro de 2006 por injeção letal, na frente de uma plateia de 47 pessoas (o dobro da capacidade da sala), após comer sua última refeição e cantar um hino gospel.

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