O Alerta Amber: a triste história por detrás do famoso rapto

O Alerta Amber: a triste história por detrás do famoso rapto

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“Por que você pegou minha garotinha? ”. “Quem é você?”. “Por que aterrorizou o meu bebê?”. Essas são perguntas que martelam a cabeça de Donna Whitson há 23 anos, assim como o questionamento: como alguém pode desaparecer do nada?

De acordo com o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas, cerca de 800 mil crianças são reportadas por ano em situação de desaparecimento nos Estados Unidos. São mais de 2 mil por dia. Dessas, aproximadamente 115 são casos de sequestros por estranhos.

No dia 13 de janeiro de 1996, Amber Rene Hagerman, com 9 anos de idade, entrou para as estatísticas e deu literalmente origem ao Alerta Amber, mudando os Estados Unidos e depois outras partes do mundo.

O último passeio

(Fonte: St. Louis Post-Dispatch/Reprodução)

 

Naquela tarde quente de sábado que fazia em Arlington, Texas, Amber Hagerman e seu irmão mais novo Ricky, de 5 anos de idade, foram visitar os avós acompanhados de sua mãe, Donna Whitson. Chegando lá, as duas crianças pegaram as suas bicicletas, como sempre faziam, e seguiram até o estacionamento abandonado do mercado Winn-Dixie Store, que ficava a poucas quadras da casa e era famoso por reunir muitas crianças da vizinhança. O local sempre fora considerado um ambiente de lazer para os que moravam por perto.

Em um dado momento, Ricky ficou cansado da brincadeira e resolveu ir embora, porém Amber insistiu e acabou ficando mesmo sem o irmão. Donna lembra de ter interrogado o filho mais novo sobre onde a irmã estava assim que este entrou em casa, mandando-o de volta para que a buscasse no momento que descobriu que ele havia a deixado sozinha lá.

Dez minutos mais tarde, porém, quando Ricky chegou ao estacionamento, Amber já havia desaparecido.

A bicicleta vazia

(Fonte: Troab/Reprodução)

 

Ricky voltou correndo para a casa e avisou os pais e avôs de que Amber não estava mais lá. Rapidamente, todos se mobilizaram, entraram em seus respectivos carros e saíram às voltas pela vizinhança à procura da garota. Até então, eles só acreditavam que ela havia ido mais além do estacionamento, mas que estava tudo bem.

Com o carro, o avô das crianças, Jimmie, checou os locais por onde a garota costumava vagar na ida e volta para casa. E assim que ele se aproximou do antigo estacionamento e viu a quantidade de policiais, logo concluiu que algo não estava certo.

Antes de Jimmie encontrar a bicicleta da neta abandonada no lugar, o aposentado Jim Kevil, na época com 78 anos, de seu quintal do outro lado da rua, testemunhou todo o sequestro.

Amber pedalava sozinha para cima e para baixo quando uma picape preta invadiu o estacionamento e dela saltou o seu sequestrador. Jim o descreveu como um homem alto, por volta de 1,80m, branco e entre 25 a 40 anos de idade. Ele agarrou a garota, que começou a gritar e a chutá-lo, a carregou para dentro do veículo e saiu acelerando.

A ação durou menos de dois minutos e Jim ligou para a polícia em seguida, mas, por mais rápido que tivessem atendido ao seu chamado, eles não foram capazes de chegar a tempo de colher as informações e sair em busca das descrições.

4 dias desaparecida

(Fonte: Toronto Sun/Reprodução)

 

No que foi declarado a situação de sequestro oficial da garota, a família, parentes, amigos e vizinhos organizaram uma força-tarefa para encontrá-la, entrando em contato com o FBI, espalhando notícias pelos jornais e levando o caso para programas locais de televisão. Em pouco tempo, mais de 50 agentes federais e policias estavam nas ruas atrás de alguma pista.

No dia 17 de janeiro, 4 dias após o sumiço, o corpo de Amber Hagerman foi encontrado num riacho pelo cachorro de um transeunte atrás de um condomínio de apartamentos chamado Forest Hills, a cerca de oito quilômetros do local onde foi vista pela última vez.

Amber estava despida, exceto por uma meia deixado em um de seus pés. Havia sinais de violência sexual, com múltiplos hematomas e machucados pelo seu corpo. A causa de sua morte se deu por conta dos diversos cortes feitos em seu pescoço. Segundo a autópsia realizada, Amber foi mantida viva por pelo menos dois dias antes de ser assassinada e largada no fundo do riacho.

O investigador Mike Simonds, que cuidou de todo o caso, alegou que a água corrente do riacho passando através do corpo nu da garota, somada as grandes tempestades dos últimos dias, removeram provas críticas que poderiam ser periciadas.

Apesar de buscas incessantes e mobilização mundial, a falta de informação, provas o suficientes e testemunhas, o motivo do sequestro e morte de Amber nunca foi resolvido, tampouco o paradeiro ou identidade de seu assassino. E o caso acabou esfriando em 1999.

O Alerta Amber

(Fonte: Texas Public Radio/Reprodução)

 

Dias depois do funeral da garota e com a mídia já divulgando em caráter internacional, uma mãe chamada Diana Simone, compadecida e revoltada com toda a tragédia, ligou para uma estação de rádio local do Texas e questionou o porquê o governo mandava tantos alertas meteorológicos, mas não notificava a população com o mesmo empenho quando uma criança havia sido sequestrada. Que talvez se soubessem detalhes imediatos, pudessem contribuir com a localização das crianças e talvez evitassem que mais vidas tivessem um desfecho como a de Amber.

Com as palavras dessa mulher repercutidas nacionalmente, nove meses depois foi criado o programa America’s Missing: Broadcast Emergency Response (Desaparecimento na América: Transmissão de Resposta de Emergência), um acrônimo com o nome de Amber. O Alerta Amber de rapto de crianças são distribuídos através de todos os meios de comunicação, inclusive mensagens de texto e telões em rodovias, para que as pessoas possam contribuir na busca imediata.

Em 23 anos, o programa foi aderido em 50 estados dos Estados Unidos e em outros 22 países ao redor do globo. De acordo com o Departamento de Justiça, só nos Estados Unidos desde 2009 já foram resgatadas 900 crianças através do Alerta Amber.

Em 2016, Diana Simone, em uma entrevista a respeito da falta de comunicação no caso de Amber Hagerman, declarou: “O problema não eram as pessoas que não os viram, o problema era eles não saberem o que estavam vendo”.

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