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Glendale 2005: o terrível acidente de trem nos EUA

ATENÇÃO: esse texto pode trazer conteúdos sensíveis por abordar um caso real.

Cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano ao redor do mundo, o que configura uma morte a cada 40 segundos, de acordo com estatísticas do Suicide Awareness Voices of Education (SAVE). Só nos Estados Unidos, são cerca de 48 mil pessoas anualmente, somando uma morte a cada minuto. Metade delas sofrem de depressão e têm idades entre 18 e 24 anos.

Um estudo levantado pelo Federal Railroad Administration (FRA) em parceria com o Volpe National Transportation Systems Center, estimou que 1% dessas 48 mil mortes anuais acontecem no sistema ferroviário norte-americano. O Statisa contabilizou que só em 2006, 24 pessoas cometeram suicídio ao se jogarem na frente de um trem ou metrô. Quando o FRA refez os dados entre os anos de 2012 a 2017, esse número aumentou para 219 vítimas, sendo que mais 220 indivíduos ficaram feridos em tentativas fracassadas de tirar a própria vida. Já em 2014, o sistema ferroviário registrou 358 incidentes suicidas, sendo 328 fatais e 30 com ferimentos graves.

É comprovado que o estresse e o impacto emocional que as mortes causam em familiares das vítimas também se estendem às equipes de trem e aos espectadores dos incidentes. Além disso, os suicídios ferroviários costumam ter alta cobertura da mídia, o que pode influenciar suicidas em potencial e também causar acidentes fatais.

Mente conturbada

(Fonte: NBC News/Reprodução)

Nascido em 26 de fevereiro de 1979, aos 26 anos, Juan Manuel Álvarez já havia tentado cometer suicídio 2 vezes. Na primeira, ele cortou os próprios pulsos com uma navalha, mas foi encontrado antes de se esvair em sangue de modo irreversível. Na segunda vez, o jovem tentou ir mais longe e esfaqueou a si mesmo algumas vezes na altura de seu peito, porém novamente foi salvo.

Segundo relatos de familiares e amigos, o comportamento suicida de Álvarez era ressaltado pelo abuso do uso de metanfetamina, o que se somava aos seus episódios de delírio e também às dificuldades conjugais pelas quais ele passava. Em meados de 2005, sua ex-esposa, Carmelita Ochoa, entrou com uma ordem de restrição contra ele (para ela e os 2 filhos do casal), sob a alegação de que o homem simbolizava uma ameaça para a vida e bem-estar deles, por ser extremamente abusivo e violento.

Então, determinado a dar o fim de uma vez por todas ao drama que a sua vida havia-se tornado, Álvarez decidiu que se mataria em 26 de janeiro de 2005. Para isso, ele decidiu usar seu Jeep Cherokee Sport coberto de gasolina e o posicionar em algum trecho da linha do Metrolink da cidade de Glendale, em Los Angeles (EUA).

O homem que desistiu

(Fonte: Los Angeles Daily News/Reprodução)

Fundado em 1992, o Metrolink se tornou um famoso sistema ferroviário do sul da Califórnia, com cerca de 869 quilômetros de trilhos que ligam 62 estações a 7 condados diferentes. Perto das 6h03 do fatídico 26 de janeiro de 2005, Álvarez estacionou o carro dele sobre a linha na região norte da área industrial do centro de Los Angeles, na fronteira com Glendale, e aguardou. Bem naquele trecho que tiraria sua vida, o comboio Norte 901 transportava de 30 a 50 passageiros de um dos lados da linha, sendo que o proveniente da região sul carregava em média 250 pessoas.

Contudo, Álvarez desistiu de se matar e simplesmente abandonou o seu carro nos trilhos. Minutos depois, o trem que vinha no sentido sul se chocou de maneira violenta com o veículo, imediatamente descarrilando e atingindo um trem de carga da Union Pacific e o outro metrolink que viajava na direção oposta do outro lado da linha.

(Fonte: Los Angeles Times/Reprodução)

A colisão causou a morte imediata de 11 pessoas, sendo que 8 delas estavam no trem que ia para o sul. As vítimas foram amassadas entre os escombros de metal do mezanino dianteiro do metrolink, com uma delas sendo ejetada para fora do trem durante o impacto. Um total de 117 passageiros ficaram feridos, com a maioria das lesões entre leves e moderadas, apesar da crueldade do impacto.

Uma força-tarefa de 300 bombeiros, com helicópteros e cães farejadores, foram mobilizados até o local para ajudar a localizar os sobreviventes que estavam presos em meio às ferragens.

Um novo fim

(Fonte: Daily News/Reprodução)

Então, Álvarez foi indiciado por 11 acusações de homicídio em “circunstâncias especiais”, enquanto a polícia investigava a vida do homem para saber se ele pretendia causar o acidente sem querer cometer suicídio, e as autoridades ainda entraram com acusações adicionais contra ele por homicídio doloso. No entanto, a defesa legal do homem comprovou que ele planejava tirar a própria vida quando causou a tragédia, mas que mudou de ideia quando já era tarde demais.

O seu julgamento aconteceu em junho de 2008, e os promotores do caso queriam a pena de morte para Álvarez pelo crime, com base na Lei de 1873 de destruição de trens que ressalta a atividade como um crime capital e que foi criada para condenar à morte os ladrões de trens no século XIX.

A promotoria ainda defendeu que Álvarez teria, deliberadamente, causado o acidente para chamar a atenção de sua ex-esposa. Eles usaram como testemunha um parente da vítima que questionou o motivo do homem não ter simplesmente se deitado nos trilhos e esperado que o comboio passasse por cima dele.

(Fonte: Orange County Register/Reprodução)

Em 26 de junho de 2008, Álvarez foi considerado culpado por todas as acusações de homicídio e condenado à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. Atualmente, ele cumpre pena na Kern Valley State Prison, onde se encontrou com o fim da própria vida, embora não da maneira como havia planejado antes de simplesmente desistir.

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Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o Centro de Valorização da Vida (CVV) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188 e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

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