9 mensagens de pessoas que sabiam que iam morrer
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9 mensagens de pessoas que sabiam que iam morrer

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É assustador, mas a morte pode nos levar para “o lado de lá” a qualquer momento. No entanto, quando se sabe que ela realmente está para vir, existe a chance de deixar uma mensagem para quem quer que seja.

Muitas pessoas que sabiam que a dona da capa preta e da foice estava muito próxima resolveram deixar o seu recado para os seus entes queridos e até para a história.

Vários desses indivíduos utilizaram o que havia disponível para escrever as suas últimas palavras: rochas, placas de madeira, capacetes, enquanto outros tiveram a possibilidade de se expressar com caneta (ou lápis) e papel. Confira abaixo 9 das mensagens de pessoas que sabiam que iam morrer.

9 – Nadine Haag

The Sydney Morning Herald

No dia 4 de dezembro de 2009, Nadine Haag foi encontrada morta no box de seu banheiro. A australiana, de 33 anos, tinha um corte profundo em seu pulso. Perto dela havia uma navalha junto com frascos de analgésicos. Também próximo ao corpo, ao lado de onde ficava a banheira, tinha um bilhete que dizia:

"Minha família – isso dói, dói –, por favor, vivam como se não houvesse amanhã sempre sempre sempre... Obrigada por serem belas criaturas deste mundo. Obrigada por cuidarem de mim".

Com essas primeiras evidências, a polícia e o médico legista local declararam que Nadine tinha se matado. No entanto, a família de Nadine, especialmente as suas irmãs, acreditavam que ela havia sido assassinada. Na época da sua morte, Nadine estava em uma batalha turbulenta de custódia (pela sua filha de um ano e meio) com seu ex-parceiro, Nastore Guizzon, e as irmãs suspeitavam de que ele era responsável pela morte dela.

As irmãs de Nadine se recusaram a se silenciar pela pressão da polícia. Foi quando elas conseguiram contato com a investigadora encarregada do caso, Julia Brown, que revelou que um segundo pedaço de papel tinha sido encontrado embaixo do bilhete de suicídio. A polícia havia descartado esse item considerando “apenas rabiscos”, mas as irmãs insistiram em vê-lo.

Quando o papel foi desdobrado, as palavras “Ele fez isso" (He did it) saltaram aos olhos dos parentes da vítima. O oficial da cena do crime que havia coletado o bilhete tinha lido a mensagem como "headed it" e o colocou com a outra evidência importante.

Um tempo depois, os novos moradores do apartamento de Nadine encontraram as mesmas palavras gravadas em um azulejo do banheiro perto de onde ela havia sido encontrada. Com base nas anotações, o legista anulou a sentença de suicídio em 2013. O caso foi reaberto para mais investigações.

8 – A rocha dos 98

List Verse

Pearl Harbor não foi a única base dos Estados Unidos a ser atacada pelo Japão em dezembro de 1941. Forças japonesas também avançaram na Ilha Wake, um pequeno atol do Pacífico, onde ficavam cerca de 1,6 mil americanos. No dia 23 de dezembro daquele mesmo ano, o Japão dominou a ilha e a maioria dos prisioneiros de guerra foi enviada para campos na China, mas 98 deles ficaram.

Em 1943, os Estados Unidos revidaram e, no dia 7 de outubro, depois de dois dias de ataques, os japoneses sabiam que a derrota tinha chegado. Então, eles decidiram executar os prisioneiros ao invés de deixá-los vivos para serem libertados pelos seus compatriotas.

Os prisioneiros então foram alinhados, com os olhos vendados, e metralhados. Um dos presos, cuja identidade permanece desconhecida, conseguiu fugir e se esconder dois dias antes da execução.

Em seus últimos momentos, ele criou um memorial. O homem improvisou a seguinte inscrição em uma grande rocha de coral perto do que viria a ser a vala comum para ele e seus companheiros: “98 – US – PW – 5-10-43" (98 soldados – United States – Prisoners of War – data 5/10/1943).

Quando o fugitivo foi descoberto, o almirante japonês encarregado da ilha o decapitou pessoalmente. Mas o homem foi bem-sucedido em sua tentativa de garantir que a memória dos 98 soldados não fosse esquecida. A rocha está lá até hoje.

7 – Os educados imigrantes ilegais

The Guardian

Em maio de 2006, um iate foi visto flutuando a 112 quilômetros da costa de Barbados. As equipes de resgate partiram ao encontro da embarcação, que estava claramente em apuros. Infelizmente, eles chegaram tarde e o iate enferrujado só tinha pessoas já sem vida.

Apesar de ter sido encontrado ao leste do Atlântico, o barco havia partido da costa oriental da África, em Cabo Verde, quatro meses antes com destino às Ilhas Canárias. Os corpos de onze homens jovens encontrados na embarcação estavam parcialmente petrificados, devido à maresia, ao sol e à água salgada que os atingiu.

Cada um dos homens havia pagado cerca de 1,8 mil dólares para conseguir chegar ilegalmente ao território espanhol das Ilhas Canárias. Pelo menos outras 40 pessoas estavam com eles no início, mas elas foram vítimas do oceano. Quando os homens desesperados perceberam que algo tinha dado errado com o barco, alguns deles escreveram as suas últimas palavras para o mundo. Um bilhete dizia:

"Eu gostaria de enviar à minha família em Bassada uma soma de dinheiro. Por favor, desculpe-me e adeus. Este é o fim da minha vida neste grande mar marroquino”.

Outro disse:

“Eu preciso que me encontrem para enviar esse dinheiro para a minha família. Por favor, telefone para meu amigo Ibrahima Drame".

6 – Os mineiros de Hamstead Colliery

Shutterstock

No dia 4 de março de 1908, um incêndio na mina inglesa de Hamstead Colliery aprisionou 25 mineiros no subsolo. Seus colegas tentaram alcançá-los, mas o fogo e a fumaça eram demais para eles suportarem. As equipes de resgate com equipamentos também não foram capazes de socorrê-los. Todos os 25 homens presos na mina e um homem da equipe de resgate, John Welsby, morreram devido às altas temperaturas.

Quando as equipes de resgate encontraram os corpos, uma semana depois, viram os mortos amontoados em quatro grupos. Um grupo de seis homens havia deixado um último apelo para a salvação em uma placa de madeira nas proximidades:

"O Senhor nos proteja, pois estamos todos confiando em Cristo".  

Entre as frases estavam os nomes dos seis mineiros.

5 – As mensagens dos mergulhadores

Wikipedia

Quando estão debaixo d'água, alguns mergulhadores se comunicam uns com os outros por sinais ou escrevendo em lousas com giz. Como mergulhar pode ser uma atividade perigosa, algumas dessas lousas fatalmente acabam guardando as últimas palavras de mergulhadores.

Uma das mais famosas dessas mensagens foi escrita por Tom e Eileen Lonergan. O casal de americanos foi abandonado e esquecido em alto mar, enquanto praticavam mergulho, em um passeio de barco ao largo da costa da Austrália, em 1998. A história deles foi imortalizada no filme Mar Aberto.

Pouco depois do acontecido, uma lousa foi encontrada com o seguinte pedido:

"Para qualquer pessoa que possa nos ajudar: fomos abandonados no recife A [gin] por MV Outer Edge em 25 jan 98 15:00. Por favor, ajude a nos resgatar antes de morrermos. Ajuda!“.

Outro mergulhador da Flórida, Bill Hurst, que morreu em 1976, não conseguiu voltar de um mergulho e uma equipe encontrou o corpo dele. Em sua lousa, estava uma mensagem simples, porém emocionante: "Eu me perdi. Diga à minha esposa e filhos que eu os amo muito”.

4 – Bill Lancaster

O aviador William Lancaster (Bill) caiu no deserto do Saara no dia 12 de abril de 1933 ao tentar alcançar o recorde de tempo de voo da Inglaterra para a Cidade do Cabo. Isso aconteceu 29 anos antes que alguém lesse as suas últimas palavras.

Depois de deixar a Inglaterra, ele enfrentou ventos desfavoráveis e teve que pousar em Barcelona. Para ganhar tempo, ele acabou voando durante a noite e se perdeu várias vezes ao longo do Norte de África.

Para piorar, William não tinha nenhuma luz no cockpit. Então, ele teve que usar sua lanterna a cada poucos minutos para verificar a sua bússola.  Quando ele finalmente havia reabastecido na cidade argelina de Reggan, o piloto já estava acordado por 30 horas e mal conseguia andar de cansaço.

Vendo a situação de William, as autoridades tentaram impedi-lo de sair, mas ele insistiu em continuar voando. A esse ponto, ele já estava com dez horas de atraso no recorde e já não tinha mais chances de conseguir alcançá-lo.

Cerca de uma hora depois, fora de curso, ele pousou no Saara. Somente em 1962 uma patrulha do exército francês encontrou o avião destruído. Com ele estava um cartão de combustível em que Bill havia escrito a sua mensagem final:

"Então, o início do oitavo dia raiou. Ainda está frio. Eu não tenho água... Estou esperando pacientemente. Venham logo, por favor. A febre me sacudiu ontem à noite. Espero que vocês entendam o meu diário de bordo completo. Bill”.

3 – Os soldados do exército britânico

Como a perda de oficiais era constante no início do século 20, o equipamento padrão do Exército Britânico incluía materiais para os soldados escreverem testamentos. No entanto, muitos jovens supersticiosos não quiseram preencher nenhum tipo de papel com essa finalidade, provavelmente para não “atrair” a morte, e acabaram descartando o material.

Porém, muitos soldados, após serem baleados e percebendo que não teriam mais chance de sobrevivência, acabaram rabiscando o que tinham em mãos nos seus últimos momentos. Em um caso, um soldado no Afeganistão foi encontrado com as palavras "Eu quero que a mãe tenha tudo", escrito em uma rocha com seu próprio sangue.

Estes últimos recados em vida eram geralmente curtos e muitas vezes aleatórios, provavelmente devido ao torpor da morte iminente. Entre os itens utilizados pelos soldados, estavam ainda envelopes antigos, cartas de baralho e bordas rasgadas de pedaços de jornal.

Alguns últimos desejos foram gravados em bainhas de armas ou arranhados em capacetes. Um soldado da Primeira Guerra Mundial escreveu o seu desejo em sua luva. Em quase todos os casos, os pertences dos soldados foram enviados para as mães ou namoradas.

O tenente Joseph A. Child simplesmente escreveu: "Deixo-lhe tudo", quando ele foi baleado em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial. A destinatária da mensagem era a sua esposa, porque ele tinha feito a anotação na parte de trás de uma fotografia dela.

2 – Os tripulantes do submarino Kursk

WikipediaA anotação de Dmitry Kolesnikov

Em 12 de agosto de 2000, o submarino nuclear russo Kursk estava em um exercício no mar de Barents. Por razões que não são totalmente conhecidas, uma explosão abriu um buraco no submarino e ele começou a afundar. Pouco depois, seus torpedos restantes explodiram e o submarino atingiu o fundo do mar.

O que se seguiu foi um dos esforços de resgate mais fracassados da história moderna. Os russos inicialmente recusaram a ajuda de outros países, mas depois de cinco dias de tentativas frustradas de chegar ao submarino, Vladimir Putin cedeu. Um navio de resgate norueguês e um submarino de resgate britânico chegaram ao local em dois dias e conseguiram alcançar o Kursk em 20 de agosto.

No entanto, já era tarde demais e todos os 118 homens a bordo estavam mortos. Aqueles que tinham sobrevivido às explosões iniciais se reuniram em um compartimento na parte de trás do submarino.

Um dos oficiais, Dmitry Kolesnikov, usou o tempo restante de sua vida para escrever uma anotação. Quatro horas depois da explosão, ele escreveu:

"15:45. Está muito escuro para escrever, mas vou tentar pelo toque. Parece que não há nenhuma chance, 10-20%. Esperamos que pelo menos alguém leia isso. Aqui está a lista de pessoal de outras seções, que estão agora no nono e tentarão sair. Cumprimentos a todos, sem necessidade de ficar desesperados”.

Outras palavras foram dirigidas a sua família, mas não foram liberadas para o público.

1– A carta final de Otto Simmonds

Otto Simmonds era um judeu nascido na Alemanha, que foi capturado pelos nazistas na França. Ele foi mantido em Drancy, um campo de deportação no nordeste de Paris que lidava com 70 mil prisioneiros durante a guerra. Em agosto de 1942, Otto foi levado em um trem com destino a Auschwitz.

Foi lá que ele escreveu uma carta para sua família, mas até hoje ninguém sabe como ele conseguiu o papel, lápis ou envelope:

“Meus queridos,
no caminho para a Polônia! Nada ajudou. Tentei de tudo. Supostamente ele vai para Metz. Cinquenta de nós em um vagão! Seja bravo e corajoso. Eu vou ser o mesmo. Despojado de tudo em Drancy. Beijos, Otto”.

Ele jogou a carta pela janela do trem. Surpreendentemente, ela foi encontrada por um trabalhador ferroviário, que conseguiu enviá-la para a esposa de Otto, Marthe. Ela continuou tentando encontrar seu marido até 1964, mas ele nunca mais foi visto. A carta tornou-se a única coisa que lhe restava para se lembrar dele. Em 2010, a família de Otto doou a carta para o Museu e Memorial do Holocausto dos Estados Unidos.

*Publicado originalmente em 25/07/2014.

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