Câncer de próstata e gordura saturada: estudo indica a ligação

Câncer de próstata e gordura saturada: estudo indica a ligação

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Cientistas do Instituto de Pesquisa do Centro de Saúde da Universidade de McGill (RI-MUHC), nos Estados Unidos, publicaram um recente artigo na Nature Communications com os resultados do trabalho acerca da associação entre câncer de próstata e gordura saturada. Eles mostraram que a alta ingestão da gordura pode causar a progressão e letalidade desse câncer, aumentando em quatro vezes a mortalidade.

Outro dado importante que a pesquisa mostrou sugere que, em pacientes em estado inicial da doença, uma mudança na rotina alimentar pode ser benéfica. Ao reduzir o consumo da gordura animal e da gordura saturada, pode diminuir ou retardar a progressão do câncer.

Aumento da mortalidade do câncer de próstata

O estudo teve como base o gene que é um dos impulsionadores da tumorigênese e progressão do câncer, o MYC.  “O MYC é um fator chave na tumorigênese, ou seja, induz propriedades malignas nas células normais e alimenta o crescimento de células cancerígenas”, diz David P. Labbé, um dos responsáveis pelo estudo e cientista do RI-MUHC, ao portal da Universidade.

A pesquisa foi feita com base em questionário alimentar em pacientes com câncer de próstata. Além disso, os resultados foram ajustados de acordo com o grau de Gleason, que indica a agressividade do câncer. Ao remover o fator obesidade do estudo, com base no Índice de Massa Corpórea (IMC), a letalidade do câncer ficou três vezes mais alta em pacientes que ingerem muita gordura saturada.

“Estudos epidemiológicos relataram anteriormente que a ingestão de gordura saturada está associada à progressão do câncer de próstata. Nosso estudo fornece uma base mecanicista para esse link e uma base para o desenvolvimento de ferramentas clínicas destinadas a reduzir o consumo de gordura saturada e aumentar as chances de sobrevivência”, afirmou Labbé ao portal da Universidade.

Assim, a partir desses estudos, sugere-se que ao conhecer o comportamento alimentar e de atividades físicas do paciente com câncer pode-se fazer uma intervenção diferenciada.

“Vamos começar em breve aqui no RI-MUHC para reunir atividades físicas e dietéticas e avaliar informações de gordura corporal de pacientes submetidos a testes de triagem para diferentes tipos de câncer. E com esses dados, combinados com pesquisas em laboratório, esperamos poder criar intervenções personalizadas para pacientes com maior risco de que o câncer progrida rapidamente e, finalmente, melhorar os resultados”, finalizou Labbé.

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