Formações rochosas podem ajudar no tratamento de pedras no rim

Lidar com um problema tão chato quanto as pedras no rim não é exatamente uma novidade para a sociedade. Por exemplo, o cálculo renal mais antigo no mundo foi encontrado em um tecido mortuário no Egito datado de 4.440 a.C. — praticamente tão velho quanto as pirâmides de Gizé. 

Entretanto, novas maneiras de lidar com essa doença estão sendo encontradas pela comunidade científica. Um exemplo claro disso é a pesquisa desenvolvida em conjunto pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e a Mayo Clinic, que encontrou uma forte semelhança entre o processo de formações rochosas na natureza e a aparição de pedras nos rins dos seres humanos.

Similaridades com a natureza

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Por meio de uma análise aprofundada dos casos de pedras no rim, os pesquisadores notaram que as cálculos renais de oxalato de cálcio se formavam de maneira muito parecida ao travertino, uma rocha comumente encontrada no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos.

De maneira resumida, isso significa que os cálculos renais sofrem um ciclo repetitivo de cristalização, dissolução, fraturamento e falhas muito parecido com o que acontece nas pedras da natureza — processo batizado de diogênese. Isso abre uma brecha para que Geologia e Biologia colaborem entre si para a descoberta de novas formas de ajudar os seres humanos. 

"O laboratório Fouke da Universidade de Illinois tem uma longa história de fazer esses tipos de análise na formação de rochas como parte de seu fluxo de trabalho e, portanto, adaptá-las aos cálculos renais foi um processo natural para eles", ressaltou o líder do estudo Dr. John Lieske, nefrologista e diretor do Rare Kidney Stone Consortium da Mayo Clinic, em entrevista ao Mega Curioso.

Casos de cálculo renal

(Fonte: Mayo Clinic/Divulgação)(Fonte: Mayo Clinic/Divulgação)

Somente em 2020, a Mayo Clinic analisou 90 mil casos de cálculo renal no mundo todo. De acordo com os pesquisadores, esse número cresce a cada ano e revela um aumento global gradual da doença. Por isso, entender como as pedras no rim são formadas pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos e até mesmo na eliminação dessa enfermidade dolorosa.

"Embora entendamos algumas das razões biológicas pelas quais aqueles que têm mais facilidade de formar pedra correm maior risco do que a população em geral, há outros fatores que ainda não descobrimos a respeito do porquê algumas pessoas têm essa condição e outras não", destacou Lieske. 

O estudo colaborativo analisou cortes tão finos de cálculos renais removidos cirurgicamente de pacientes que foi possível enxergar a luz através deles, o que foi essencial para que a equipe conseguisse analisar as amostras em microscópio. Para Lieske, a pesquisa aponta para novos ângulos sobre o crescimento de cristais e as camadas que ocorrem em cálculos renais humanos, o que facilitaria na identificação de proteínas e microrganismos que influenciam no crescimento das pedras.

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