Sabia que os ursos polares podem se comunicar através de suas pegadas?
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Sabia que os ursos polares podem se comunicar através de suas pegadas?

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Você sabia que os ursos polares são capazes de se comunicar através de suas pegadas? Mas não é pela forma delas e sim pelo cheiro. De acordo com um artigo de Elizabeth Preston, da Discover Magazine, os animais parecem se comunicar dessa forma, pois as suas trilhas podem revelar o perfil dos outros ursos como o seu habitat, ajudando, por exemplo, dois animais a se encontrarem.

Conforme se deslocam pela neve do ártico, os ursos polares geralmente estão sozinhos. Em outras espécies de ursos solitários, os animais costumam deixar mensagens para o outro, esfregando seus corpos ou urina em árvores ou pedras. Dessa forma, esses locais podem se tornar uma forma de quadros de avisos para os indivíduos.

No entanto, no ambiente gelado do ártico, árvores e pedras são praticamente inexistentes. Aí é que alguns cientistas começaram a perceber o que acontecia. Eles começaram a observar que os ursos cheiravam as pegadas de outros. Mas o que haveria ali de informações?

Processo de estudo

Para descobrir isso, os pesquisadores do Jardim Zoológico de San Diego, do Polar Bear International e do Alaska Science Center reuniram amostras de odor dos pés de 203 ursos polares selvagens. Segundo o Discover Magazine, todas as amostras foram colhidas na primavera, quando os ursos polares se reproduziam.

E para conseguir essas amostras de cada urso, os pesquisadores esfregaram um cotonete entre seus dedos dos pés. Feito isso, os cientistas classificaram estas amostras de acordo com o perfil de cada animal; se era macho ou fêmea; se fosse fêmea, ela estava no período fértil etc.

Depois da coleta e da classificação, eles visitaram dez zoológicos norte-americanos e testaram 26 ursos polares em cativeiro para ver como eles responderam aos odores dos pés de ursos estranhos da vida selvagem.

No caso das amostras das patas dos ursos selvagens conterem quaisquer agentes causadores de doenças — e no caso de os ursos de cativeiro quisessem lambê-las —, os pesquisadores embalaram os cotonetes em um pedaço de papelão, apoiando-o dentro de uma pequena caixa de madeira.

Dessa forma, os ursos em cativeiro podiam sentir o cheiro e se aproximar as caixas, mas não podiam tocar as amostras diretamente. Então os pesquisadores penduraram algumas caixas de amostras com os odores dos ursos selvagens perto de cada animal de cativeiro e observaram em qual caixa eles se interessavam mais.

Análises

Depois da observação, eles mediram o interesse dos ursos de três maneiras: aproximação da caixa, cheirar o caixa e uma ação instintiva chamada "flehmen" — um jeito de cheirar dos mamíferos em que o animal levanta o seu lábio superior para cheirar com a boca.

O resultado foi que, em geral, os ursos estavam mais interessados em odores dos pés do sexo oposto. Além disso, eles foram mais propensos a se aproximar das caixas na primavera (sua época de reprodução) do que no outono. E na primavera, os ursos machos mostraram quase duas vezes mais interesse no cheiro de fêmeas férteis do que as não-férteis.

A conclusão do estudo mostrou que claramente os ursos polares em cativeiro estavam sentindo algum tipo de informação nos odores de pés de outros ursos. Quando os pesquisadores dissecaram os pés de dois ursos polares já mortos, eles encontraram rastros significativos de suor e óleo glandular.

Esta substância das glândulas pode ser responsável pela identificação de cheiro deixada nas pegadas, embora não se pode descartar também que os ursos polares usam urina para marcar território. No entanto, é bastante forte a evidência de que a substância glandular pode contar mais pontos, explicando o especial interesse dos ursos em cativeiro por odores do sexo oposto.

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