Imagens de satélite mostram Veneza afundando
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Imagens de satélite mostram Veneza afundando

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Veneza, uma das cidades mais visitadas por turistas do mundo inteiro, está cada dia mais submersa pelas águas. O que já era previsto pelos cientistas está realmente acontecendo com aquele conjunto de construções históricas cortadas por canais, que formam esse destino romântico das gôndolas adorado pelos casais.

A ação do oceano sobre Veneza foi comprovada em um novo estudo, que utilizou dados de satélites de última geração. As imagens registradas mostram como Veneza está afundando em um nível sem precedentes de resolução. Essas revelações estão permitindo que os cientistas desmembrem a influência das causas do “naufrágio” de Veneza, seja devido à compactação dos sedimentos em que a cidade é construída ou as restaurações constantes das estruturas.

Aquecimento global

De acordo com um relatório da ONG Co+Life, baseado no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o nível do mar deve subir de 0,8 até 2 metros ainda neste século. Com isso, diversos lugares do planeta podem desaparecer submersos pela água num futuro não muito distante e Veneza é um deles.

“Compreender como a terra está afundando é particularmente importante em face do aumento dos níveis do mar. Veneza está em uma situação tão crítica em relação ao mar que o monitoramento contínuo do movimento da cidade é de suma importância”, disse o pesquisador italiano Pietro Teatini ao Live Science.

Imagem de satélite Fonte da imagem: Reprodução/Live Science

Com os dados dessa pesquisa de imagens, os cientistas reconheceram pela primeira vez o problema de décadas atrás, quando eles notaram que o bombeamento das águas subterrâneas por debaixo Veneza foi fazendo com que a cidade se acomodasse na terra. O bombeamento e seus efeitos pararam há muito tempo, mas a cidade continua a afundar.

Sistemas de medição

Para chegar aos resultados da pesquisa, Teatini e seus colegas usaram dois conjuntos de medições de satélite, sendo elas do centro histórico da cidade de Veneza e da área circundante. O primeiro conjunto de dados veio dos sensores de satélites de primeira geração, que têm resolução inferior e coletam dados sobre uma vez por mês.

Já o segundo conjunto de dados vem de um satélite mais recente com sensores que têm resolução muito melhor e faz medições a cada 10 dias. “As técnicas estão em constante evolução e melhoria, sendo que nós somos capazes de detectar deslocamentos com uma precisão que era inacreditável há 10 ou 20 anos atrás", disse Teatini.

Fonte da imagem: Shutterstock

O feixe de satélites sinaliza para baixo da superfície da Terra, onde eles refletem terrenos e edifícios. Para determinar a quantidade que Veneza está afundando, os pesquisadores mediram as diferenças nos sinais de retorno da cidade em relação a aqueles que retornam de áreas próximas, um método chamado interferometria.

Com isso, a equipe de Teatini comparou as mudanças de curto prazo na altura da cidade medidas pelo novo satélite com o movimento médio e de longo prazo avaliadas pelo velho satélite. Em seguida, eles subtraíram as mudanças de curto prazo no nível do solo dos de longo prazo para determinar a contribuição humana para o afundamento.

Os resultados revelaram que a cidade está naturalmente cedendo a uma taxa de cerca de 0,03 a 0,04 polegadas (0,8 a 1 milímetro) por ano, enquanto que as atividades humanas contribuem para o afundamento em cerca de 0,08-0,39 cm (2 a 10 mm) por ano.

Esta situação ameaça aumentar inundações em Veneza, o que já ocorre devido à maré alta cerca de quatro vezes por ano. E os problemas são agravados pelo aumento do nível do mar resultante das alterações climáticas. 

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