Aquecimento global: “estamos ferrados”, afirma climatologista
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Aquecimento global: “estamos ferrados”, afirma climatologista

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De acordo com o site Motherboard, cientistas da Universidade de Estocolmo divulgaram uma notícia bem alarmante. Eles descobriram grandes quantidades de metano escapando através do fundo do Oceano Ártico, o que os deixou muito preocupados, já que esse gás de efeito estufa é capaz de bloquear o calor de forma 20 vezes mais eficiente do que o dióxido de carbono (ou CO2).

Os cientistas não sabem exatamente o que está provocando a liberação de metano (ou CH4), mas especulam que um leve aquecimento na corrente marinha pode ter desestabilizado hidratos de metano na Encosta Norte do Alasca. Contudo, mais preocupado ainda ficou Jason Box, um renomado climatologista que vem estudando o Ártico há décadas e está acompanhando os trabalhos dos pesquisadores de Estocolmo bem de perto.

Estamos ferrados

Após a divulgação da — má — notícia, Box postou um tweet no qual diz que mesmo que apenas uma pequena fração do carbono presente no leito oceânico do Ártico for liberada na atmosfera, estamos ferrados.  Segundo o Motherboard, desde 2004, Box já realizou cerca de 20 expedições ao Ártico e é bem atuante no meio científico.

No momento, Box é professor de glaciologia no Geological Survey of Denmark and Greenland — instituto de pesquisa controlado pelo Ministério do Meio Ambiente e Energia dinamarquês —, além de ser autor de incontáveis artigos e relatórios oficiais, comandar projetos e manter um blog com as informações mais recentes sobre climatologia. Em outras palavras, se Box afirma que podemos estar ferrados, então, é melhor ficarmos atentos.

Prognóstico revisado

Permafrost

Após o comentado tweet, o cientista ainda revisou o prognóstico, e acrescentou o carbono presente na superfície do planeta — na forma de metano preso no permafrost, um tipo de solo da região do Ártico —, que também começou a ser liberado. Conforme explicou, se uma quantidade suficiente de gás dessas duas fontes escapar para a atmosfera, teremos sérios problemas.

Até então os cientistas acreditavam que o metano oriundo do fundo do oceano era consumido por microrganismos e se dissolvia antes de chegar à superfície. No entanto, um fator agravante é que as bolhas estão chegando até a superfície e o gás está sendo liberado na atmosfera, o que significa que temos uma nova fonte de gases de efeito estufa com a qual devemos nos preocupar.

Leitura das emissões de metano divulgada por pesquisadores suecos

Segundo os pesquisadores suecos, eles conseguiram capturar imagens das bolhas de metano subindo à superfície através de vídeo — veja abaixo —, e leituras realizadas com radares, lasers e outros equipamentos revelaram que o gás já está se misturando ao ar e sendo carregado pelo vento. Eles afirmaram que inclusive é possível sentir o cheiro do metano próximo à água.

Aquecimento acelerado

Essa questão é especialmente preocupante porque o aquecimento no Ártico está acontecendo mais depressa do que em outras partes do mundo. Assim, além de termos o derretimento dos bancos de gelo e do permafrost, agora também temos essa nova preocupação para adicionar à lista. Lembrando que quanto mais o oceano se aquece, mais metano é liberado, provocando, por sua vez, ainda mais aquecimento nas águas.

Ou seja, trata-se de um perigoso círculo vicioso, pois a quantidade de metano armazenado na plataforma continental é enorme e sua liberação deve acelerar rapidamente o processo de aquecimento global. E, segundo Box, é necessário que apenas uma pequena fração de gás escape para que as consequências — ambientais, sociais e econômicas — sejam consideráveis.

Já faz algum tempo que diversos cientistas vêm lançando alertas, afirmando que estamos chegando ao ponto de onde não será mais possível retroceder. E apesar de muitos de nós provavelmente escaparmos das consequências do aquecimento global, as gerações futuras provavelmente enfrentarão graves problemas se nada for feito a tempo.

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