Mude-se para o Japão e descole uns trocados conversando com solitários
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Mude-se para o Japão e descole uns trocados conversando com solitários

Equipe MegaCurioso
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Os japoneses têm uma cultura muito diferente da nossa e você já deve ter percebido isso. Em termos de relacionamento, definitivamente são pouco convencionais – pelo menos em comparação com os modelos ocidentais de convivência social e romantismo.

Um serviço sentimental, digamos assim, agora permite que os japoneses contratem homens de meia-idade apenas para ter com quem desabafar. Não são terapeutas, não são namorados, não são amigos nem familiares. São homens desconhecidos dispostos a ouvir seus problemas e dilemas mais profundos.

O “ossan”, como é chamado esse profissional, pode ser contratado online mesmo e é geralmente um homem com idade entre 45 e 55 anos. Cada hora do serviço custa o equivalente a R$ 32. A agência criada há alguns anos por Takanobu Nishimoto já conta com 60 homens espalhados por todo o país.

Mais detalhes do serviço

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Em média, cada funcionário atende até 40 clientes fixos por mês e, desses, 30% são homens – ou seja: apesar de ser um serviço vendido como se fosse para o público feminino apenas, uma boa parcela dos clientes é composta por homens. De acordo com um dos funcionários, em declaração publicada no Yahoo, quem contrata esse serviço quer, na verdade, ter pelo menos duas horas de companhia, para assim ter com quem conversar.

Esse funcionário falou sobre uma de suas clientes, uma idosa de mais de 80 anos que o paga para que ande com ela pelo parque. Ele também atende um pescador, um estudante universitário e pessoas diversas que, por algum motivo, têm problemas de isolamento social.

No Japão, é comum que as pessoas tenham dificuldades para criar vínculos amorosos, sociais e de amizade. Muitos adolescentes e jovens simplesmente se recusam a sair de suas casas e a conhecer novas pessoas – em vez disso, ficam enfurnados em seus quartos e dedicam a maior parte do tempo que têm aos jogos.

Alguém com quem não seja preciso usar máscaras

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As pessoas que procuram a ajuda desses ouvintes, no entanto, não são aquelas que têm dificuldade de se expressar – pelo contrário! Na verdade, elas querem falar com pessoas que não sejam nem amigos nem familiares, para que assim consigam ser sinceras e não deixar de corresponder às expectativas de quem as conhece de verdade.

A jovem Nodoka Hyodo, de 24 anos, explica que contrata esse serviço para poder ser uma versão diferente dela mesma, diferente da que tem em família, no trabalho ou com os amigos: “graças a ele eu acho que estou entendendo melhor a mim mesma”, disse ela.

Esse dilema de Hyodo tem a ver com a tradição japonesa, muito restrita quando o assunto é o que se fala e como se fala dentro das esferas sociais: por lá, há realmente a cultura de que não podemos tratar de assuntos mais sentimentais com nossos pais e familiares, por exemplo, e esses valores já enraizados acabam criando pessoas fechadas, com dificuldades de falar sobre sentimentos e de se expressar de modo geral.

Com esse tipo de dificuldade de relacionamento, os serviços que buscam solucionar os problemas provocados pela falta de contato humano acabam ganhando cada vez mais espaço na cultura japonesa – as pessoas contratam companhias para conversas, para levar em eventos e apresentar para a família como um amigo ou um namorado (ou namorada, claro). Você acha que esse tipo de serviço teria público no Brasil? Se você estivesse se sentindo sozinho, contrataria alguém para ter com quem conversar?

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