Cientistas descobrem o primeiro pênis feminino do reino animal
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Cientistas descobrem o primeiro pênis feminino do reino animal

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Em 2012, o biólogo Rodrigo Lopes Ferreira, da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, descobriu uma característica inédita em uma espécie de inseto que vive em cavernas no norte do estado: os animais do genus Neotrogla apresentam um caso de reversão dos papéis sexuais.

Assim que as primeiras descobertas foram anunciadas, pesquisadores de outras partes do mundo mostraram interesse em estudar aquela que poderia ser a primeira espécie em que as fêmeas teriam estruturas semelhantes a pênis e os machos apresentariam aberturas equivalentes a vaginas. Ontem (17), o pesquisador brasileiro – junto com especialistas do Japão e da Suíça – publicou novas descobertas no periódico Current Biology.

Os cientistas analisaram quatros espécies de insetos do genus Neotrogla, que são encontradas em cavernas brasileiras extremamente secas. Para analisar os animais mais de perto, foi preciso utilizar microscópios, já que os insetos medem entre 2,7 e 3,7 milímetros.

De acordo com o Live Science, os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que as fêmeas da espécie têm ginossomas compostos por músculos, canais, membranas e espinhos que se assemelham a um pênis. Por outro lado, os machos apresentam falossomas parecidos com vaginas. “A espécie Neotrogla constitui o primeiro caso na natureza em que a genitália é reversa”, comenta Rodrigo Ferreira.

Mais detalhes sobre a espécie

Ao estudar os insetos de maneira mais detalhada, os cientistas descobriram que a fêmea insere seu ginossoma no órgão do macho e a cópula dura entre 40 e 70 horas. O órgão feminino tem como principal função coletar as cápsulas de esperma produzidas pelo macho.

Uma vez que a penetração ocorreu, as membranas do corpo da fêmea inflam e os espinhos presentes no seu “pênis” mantêm os dois insetos bem encaixados. Tanto que, quando os cientistas tentaram separar os animais, o abdômen do macho se separou do restante do corpo, mas a cópula não foi interrompida.

Os pesquisadores acreditam que a explicação para essas modificações esteja na evolução. Eles sugerem que a quantidade de nutrientes encontrada nas cápsulas de sêmen dos machos seria como um presente para suas parceiras. Ainda, as pobres condições em que eles vivem colaboram para um maior número de acasalamentos.

Daqui em diante, os cientistas seguem estudando as espécies de Neotrogla e outros novos animais que podem ser encontrados nas inúmeras cavernas brasileiras. “Isso indica o enorme potencial que o Brasil tem com relação à fauna das cavernas. O Brasil deve ter mais de 150 mil cavernas”, finaliza Ferreira.

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