Labrador que atuou em Mariana vira o primeiro cão guarda-vidas do Brasil

Quem frequenta a praia de Cabeçudas, em Itajaí (SC), deve ter visto um guarda-vidas diferente: peludinho e quadrúpede. Ele é o Ice, o primeiro cachorro a ter essa função no Brasil, que vem trabalhando desde janeiro – tanto que ele foi reconhecido pelo RankBrasil e entrou para o livro de recordes nacionais. 

De acordo com Thiago Evandro Amorim, soldado do Corpo de Bombeiros que atua como condutor do cão, em uma situação em que dois guarda-vidas estão presentes no posto e três pessoas são arrastadas pelo mar, os dois se deslocam para resgatar duas vítimas. “Ice entra como um reforço, levando uma boia para a terceira pessoa, mantendo-a em segurança até a chegada de um guarda-vidas humano”, explica.

O cachorro atua das 15h às 20h, intercalando um dia de trabalho com dois de descanso. Segundo o soldado, esse sistema acontece para zelar pela saúde de Ice. “Não o levamos ao desgaste extremo, fazemos com que a atividade seja muito prazerosa pra ele”, comenta. Durante todo seu turno, Ice tem água à disposição, e a cada 45 minutos ele é levado para fazer suas necessidades em um local adequado.

Ice auxilia os guarda-vidas na praia de Cabeçudas

Resgate em Mariana 

Amorim conta que o projeto Cão Guarda-Vidas surgiu durante pesquisas de trabalhos semelhantes realizados em países da Europa, como em uma escola de salvamento aquático na Itália, onde os cães são treinados para reforçar o efetivo da guarda costeira em operações no oceano.

Desde o seu segundo mês de vida, Ice foi adestrado para se tornar um cão de busca. No início de 2016, ele começou os treinamentos para atuar como guarda-vidas. O cão possui certificações regidas pela International Rescue Organization (IRO), que é responsável pelas diretrizes do serviço de busca com cães no mundo e por desenvolver as provas de certificação necessárias para que a dupla homem/cão possa executar essa atividade em ocorrências reais em nível mundial – Ice tirou a nota máxima.

Anteriormente, o labrador fora acionado para atuar em Mariana (MG), na localização de vítimas do soterramento que assolou a cidade em 2015. “Durante os trabalhos, ele indicou diversas regiões onde havia pessoas soterradas, infelizmente já em óbito, mas com certeza assim foi possível contribuir para trazer um mínimo de consolação aos familiares”, conta Thiago.

O labrador também procurou vítimas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na tragédia do rompimento da barragem

Ice ainda participa do projeto de Cinoterapia, no qual ele tem contato com pacientes, familiares e funcionários do Hospital e Maternidade Marieta Konder Borhaussen, levando um pouco de alegria e conforto para todos.

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