Taiwan muda lei após suicídio de veterinária acusada de assassinar cães

Você já imaginou tendo que trabalhar em um lugar onde você mata aquilo que mais ama? Com a taiwanesa Chien Chih-cheng, de 31 anos, era assim: ela sempre sonhou em ser veterinária, acabou se formando na melhor universidade do país e foi trabalhar em um abrigo para cães. Porém, a tarefa mais ingrata dessa vida era ter de matar os cães que não eram adotados.

Chien era uma funcionária exemplar, sempre tentando achar adotantes para os bichinhos. Frequentemente, ficava além do horário e trabalhava aos finais de semana para dar um pouco de carinho aos cães. Porém, a obrigação chegava, e ela precisava fazer a eutanásia dos animais rejeitados.

A pressão de fazer isso durante alguns anos, nos quais ela teria exterminado cerca de 700 cães, teve um preço: Chien acabou sendo vista como assassina de animais, entrou em depressão e se matou injetando as mesmas drogas que usava nas eutanásias que ela praticava. “Espero que a minha partida permita que todos vocês saibam que os animais sem donos também representam a vida. E que o governo saiba a importância de controlar a fonte desse problema”, escreveu a veterinária em sua carta de despedida.

Veterinária tinha as melhores notas na faculdade e escolheu trabalhar em um abrigo por conta de seu amor pelos animais

Mudanças na lei

O suicídio de Chien aconteceu em maio de 2016. No começo deste ano, as autoridades de Taiwan aprovaram uma lei que proíbe a eutanásia de animais em centros como o que a veterinária trabalhava. A carta de Chien surtiu efeito, já que de assassina de cães ela passou a ser vítima do governo, segundo a opinião pública. Muitos passaram a achar que foram as autoridades que a assassinaram, dadas as leis ineficazes da época.

O governo até tentou explicar que Chien era fraca e não suportava as obrigações do próprio trabalho, tentando lavar as mãos do sangue da funcionária. Porém, o estrago já estava feito: os cães de rua começaram a ser vistos com mais carinho e atenção pela população, depois do suicídio chocante de Chien.

As pessoas passaram a abandonar menos seus cães, e o governo prometeu investir 190 milhões de dólares taiwaneses – o equivalente a R$ 20 milhões – na construção de novos abrigos e na criação de políticas públicas para o controle dos animais abandonados. Apesar disso, eles não assumem que isso só foi decidido após a morte de Chien. 

Chien abreviou a vida de aproximadamente 700 cães

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