Para confundir morcegos, mariposas emitem som com órgãos sexuais
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Para confundir morcegos, mariposas emitem som com órgãos sexuais

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Se o Batman tivesse algum inimigo que se inspirasse nas mariposas, ele poderia passar por maus bocados. Esses espertos insetos desenvolveram em seu processo de evolução a capacidade incrível de detectar os sons em altíssima frequência emitidos pelos morcegos, um de seus predadores naturais.

É claro, foi exatamente essa habilidade que selecionou as mariposas mais aptas a sobreviverem a ataques do mamífero voador, mas as coisas não param por aí. Duas espécies desse inseto, a mariposa-tigre e a mariposa-falcão, apresentam uma capacidade bastante complexa em sua batalha contra os morcegos: elas são capazes de emitir um som também de alta frequência cuja única função é atrapalhar o sonar desses animais.

Esfrega-esfrega salvador

Mas o mais curioso é como esse som é produzido: a mariposa esfrega vigorosamente sua genitália, que emite esse sinal de interferência. A frequência gerada altera o modo como o sonar do morcego funciona, fazendo seu sistema de ecolocalização falhar, pois o som produzido pelo mamífero não retorna apropriadamente para seus ouvidos.

Essa habilidade é mais presente nos machos, mas algumas fêmeas também produzem esse som e da mesma maneira. Na mariposa-tigre, isso já era conhecido, porém se sabia que o som emitido por ela servia para afastar o ataque do morcego, seja para ter tempo suficiente para escapar do fim trágico ou para avisar ao predador sobre sua constituição venenosa, visto que essa espécie é tóxica e não serve para a alimentação do morcego.

Especulava-se que as mariposas-falcão emitiam esse mesmo sinal para também enganar o morcego, fazendo-o pensar que se tratava da espécie tóxica e, portanto, obrigando-o a deixá-las em paz. Ambas as espécies têm a capacidade de causar interferência no sonar do mamífero.

De olho nos morcegos

Para chegar à conclusão que de fato essas mariposas interferiam no sonar dos morcegos, os biólogos Akito Kawahara e Jesse Barber construíram uma câmara grande o suficiente para que os mamíferos voadores pudessem caçar dentro dela, mas que também servisse como um ambiente fechado e controlado. Eles usaram morcegos da espécie Eptesicus fuscus e inseriram diversos tipos de mariposa, incluindo as mariposas-falcão.

O número de insetos silenciosos predados foi significativamente maior do que das mariposas-falcão. Na observação, os pesquisadores repararam que, ao lidar com os insetos que produziam o som antissonar, os morcegos tentavam agarrar suas presas em lugares errados, onde não havia nada. Os predadores realizavam ataques atrapalhados, confusos, mostrando que realmente não dava para confiar nas informações que seu sistema de ecolocalização indicava.

Durante a observação, não houve sinal de que os morcegos estivessem aprendendo a lidar com esse problema, o que aconteceria caso o som emitido pelas mariposas fosse um sinal comum. Os predadores aprenderiam com o tempo que aquele sinal não representava o perigo de uma presa venenosa ou qualquer outra coisa que pudesse ser arriscada.

De fato, o som emitido pelo estímulo dos órgãos sexuais dos insetos causa uma aparente interferência ativa no sonar dos mamíferos, deixando-os completamente desorientados. Se cuida, Batman!

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