Museu holandês apresenta pintura inédita de Van Gogh
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Museu holandês apresenta pintura inédita de Van Gogh

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O mundo das artes não esperava por essa surpresa, porém, nessa semana, foi apresentada em Amsterdã uma pintura inédita de Vincent Van Goh. A obra, chamada “Pôr do Sol em Montmajour” era, até hoje, desconhecida e estava há seis décadas esquecida no sótão da casa de um empresário norueguês que a considerava falsa.

A novidade foi revelada no Museu Van Gogh na última segunda-feira (09.09), sendo declarada verdadeira e datada de 1888. Para chegar à sua autenticação, foi realizada uma pesquisa de dois anos com especialistas que avaliaram as cartas que o pintor trocava com conhecidos e parentes falando das obras, além de análises químicas dos pigmentos e radiografias da tela.

Desde 1928 não havia conhecimento de uma obra inédita do autor e o diretor do museu, Axel Ruger, descreveu a descoberta como “uma experiência única na vida”. “Uma descoberta desta magnitude nunca aconteceu na história deste museu. Esta é uma grande pintura do que muitos veem como o ponto alto de sua realização artística do seu período de Arles, no sul da França”, disse Rueger à imprensa.

Descoberta valiosa

O diretor do Museu Van Gogh, Axel Ruger, durante a apresentação Fonte da imagem: Reprodução/Yahoo News

Foi neste mesmo período descrito acima que Van Gogh pintou obras icônicas como “Os Girassóis”, “A Casa Amarela” e “O Quarto”. De acordo com a reconstituição da “jornada” do quadro, que foi publicado na revista Burlington, a pintura foi registrada como número 180 na coleção de Theo (irmão de Vincent) e intitulada "Sol Poente em Arles". Ela foi vendida primeiramente ao negociante de arte francês Maurice Fabre em 1901.

Fabre nunca registrou a venda da obra e a mesma desapareceu da história, até que reapareceu em 1970, na propriedade do empresário norueguês Christian Nicolai Mustad. A família disse que Mustad a comprou em 1908 com um jovem em uma de suas primeiras incursões no colecionismo, mas logo foi informado pelo embaixador francês na Suécia que era uma farsa. Envergonhado, Mustad baniu a pintura para o sótão de sua casa.

Após a morte de Mustad em 1970, o negociante de arte Daniel Wildenstein disse que pensou que a pintura era uma falsificação Van Gogh ou, eventualmente, o trabalho de um pintor alemão pouco conhecido e a vendeu para outro colecionador, que estava com a obra até dois anos atrás e também achava que ela era falsa.

Porém, em 2011, ele levou a tela até o museu para tirar a dúvida e teve uma grande surpresa. Este último colecionador não foi identificado pelo museu. Vale ressaltar que as obras de Van Gogh estão entre as mais valiosas do mundo, alcançando dezenas de milhões de dólares nas raras ocasiões em que são vendidas em leilões.

Características autênticas

A obra "Pôr do sol em Montmajour" retrata uma paisagem com carvalhos, arbustos e campos de trigo ao fundo. Ela foi criada durante o período em que Van Gogh começou a adotar as pinceladas mais grossas, tornando-se um estilo típico de seu trabalho nos últimos anos de sua breve vida.

Não foi difícil para os especialistas encontrarem a época — e até a data certa — em que o quadro foi feito, pois, existia uma carta em que Van Gogh escreveu para o seu irmão, Theo, dizendo a paisagem que havia acabado de pintar e que correspondia exatamente ao “Pôr do sol em Montmajour”.

Autorretrato de Van Gogh Fonte da imagem: Reprodução/Van Gogh Gallery

Na carta, ele disse: “Ao pôr do sol, eu estava em uma área com pedregulhos, onde pequenos carvalhos retorcidos cresciam. No fundo, uma ruína no morro e campos de trigo no vale. Foi romântico... O sol estava derramando seus raios muito amarelos sobre os arbustos e no chão, absolutamente uma chuva de ouro", escreveu o pintor no dia 4 de julho de 1888.

Ainda na carta, Van Gogh confessou ao seu irmão que a pintura não havia ficado tão boa quanto gostaria e enviou a tela para Theo guardar em sua coleção. A obra será exibida a partir do dia 24 de setembro em Amsterdã, na Holanda.

Vincent Van Gogh lutou contra as suas crises de angústia mental ao longo de sua vida e se suicidou em 1890 com 37 anos de idade. Ele vendeu apenas um quadro enquanto esteve vivo.

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