Em 1974, o islandês Sigurður Hjartarson ganhou um pênis de boi. Na época, o professor de História tinha 33 anos e recebeu o órgão que pertenceu ao animal de presente de um amigo que queria fazer uma brincadeira, pois sabia que Hjartarson havia tido um exemplar inusitado como esse quando era criança.

Depois disso, a história se espalhou e o professor começou a ganhar mais órgãos genitais de diferentes animais trazidos por seus colegas. “Eventualmente, isso me deu uma ideia. Pode ser um desafio interessante colecionar exemplares de todas as espécies de mamíferos da Islândia”, contou o professor ao Smithsonian.

De fato, o tempo foi um dos principais obstáculos para que Hjartarson alcançasse seu desafio. Depois de décadas colecionando e catalogando os órgãos, o professor reuniu 283 membros de 93 espécies diferentes de mamíferos e reuniu todo esse material no Museu Falológico da Islândia. Outra grande conquista foi quando, em 2011, o responsável pelo museu conseguiu o seu primeiro exemplar humano, formando aquela que deve ser a maior e mais completa coleção dedicada exclusivamente ao órgão reprodutor masculino.

Por dentro da atração

A seção de pênis de baleias mostra alguns exemplares conservados em formaldeído. Fonte da imagem: Reprodução/Smithsonian

Depois de reunir um número suficiente de exemplares, Hjartarson decidiu abrir um pequeno museu para exibir sua coleção em 1997. A atração começou a reunir turistas que também colaboravam com o acervo trazendo mais pênis de animais de presente para o professor.

Em 2004, Hjartarson e seu filho Hjörtur Gísli Sigurðsson mudaram a coleção para o local onde o museu funciona até hoje. Eles estimam que o espaço atraia cerca de 14 mil pessoas anualmente, sendo que a maior parte do público é formada por turistas estrangeiros.

Para visitar a atração, que fica em Reykjavík, capital da Islândia, é preciso contribuir com 1.250 coroas islandesas (o que equivale a pouco mais de 20 reais). Lá dentro, os turistas podem se perder entre as prateleiras que exibem os pênis das mais diversas espécies.

Entre os exemplares, é possível conferir os órgãos de baleias gigantes, porquinhos-da-índia, hamsters, coelhos, cavalos, elefantes e muitos outros animais. A maior parte dos pênis foi conservada em formaldeído, mas também é possível ver órgãos que foram preservados eretos.

Curiosidades do museu

O pênis do islandês Pall Arason representa o primeiro e único exemplar humano que integra o acervo do museu. Fonte da imagem: Reprodução/Smithsonian

O Museu Falológico da Islândia é dividido em seções para facilitar a visitação. Na “Seção Estrangeira”, os turistas podem conferir exemplares de animais que não são nativos do país, como o impressionante pênis de uma girafa ou o órgão reprodutor de um elefante que veio diretamente da África do Sul. Mas um dos espaços mais curiosos do museu é a “Seção Folclórica”, onde o responsável garante que estão os membros de seres mitológicos, como o de um elfo, um homem-sereia e até mesmo do monstro do mar da Islândia.

Um dos exemplares que mais impressiona os visitantes é o pênis de um cachalote – uma das maiores baleias que existe –, que mede mais de 1,80 metro e pesa 68 quilos. O responsável pelo museu explica que aquela peça representa apenas uma parte do órgão da baleia, que não pôde ser inteiramente transportado, mas que originalmente media quase 5 metros e pesava mais de 315 quilos.

Outro destaque do museu é o pênis humano. Hjartarson conta que buscou um exemplar de Homo sapiens por muitos anos. Durante esse tempo, alguns candidatos assinaram termos garantindo que doariam seus órgãos para o museu após a morte. Mas foi somente em 2011 que um de seus doadores, o islandês Pall Arason, faleceu com 95 anos. Apesar de ter ficado bastante feliz com a conquista, o professor deseja ir além: “Eu ainda quero conseguir um exemplar humano melhor e mais atraente”, revelou ele.

A coleção só aumenta

Sigurður Hjartarson começou a colecionar pênis quando tinha 33 anos e hoje, com 72, já reuniu mais de 283 exemplares. Fonte da imagem: Reprodução/Smithsonian

Sobre doar o seu próprio pênis para o acervo do museu, Hjartarson brinca que essa decisão depende da esposa: “Depende de quem morrer primeiro. Se minha mulher for antes de mim, doarei meu pênis para o museu quando morrer. Mas se eu for primeiro, não posso garantir que ela vai permitir que isso aconteça”.

Atualmente com 72 anos, o professor de História está aposentado e, por isso, a maior parte do trabalho no museu fica a cargo de seu filho. Nos próximos anos, Hjartarson revela que seu único objetivo é melhorar a coleção com exemplares mais bem preservados de espécies islandesas e aumentar o acervo conseguindo novos órgãos de felinos predadores da África.

“Você sempre pode conseguir exemplares melhores e mais diversos. Na verdade, o trabalho de colecionar nunca tem fim”, conclui ele.